Os interesses da indústria alimentícia são tema na The Lancet


Publicada em junho, na edição 9934 – Volume 383 do periódico científico The Lancet, a carta Can Coca Cola promote physical activity?, regidida por Thiago Hérick de Sá, aluno do doutorado do programa de Nutrição em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), traz à tona as estratégias da indústria de alimentos super processados e de bebidas gasosas em associar suas imagens à promoção da saúde e de atividades físicas.

O pesquisador argumenta que, ao mesmo tempo em que essas indústrias são cada vez mais reconhecidas como as responsáveis pela pandemia da obesidade, mais elas investem em atividades de propaganda e marketing junto a competições e eventos esportivos, como a Copa do Mundo, realizada no Brasil no último mês de junho. Tanto a Coca-Cola como a rede de fast food Mac Donald’s e a companhia cervejeira Budweiser injetaram milhões de dólares no evento. A Coca-Cola patrocina também, por meio de seu Instituto de Bebidas para Saúde e Bem Estar (BIHW), congressos científicos internacionais das áreas de promoção de atividade física e promoção da saúde, fazendo-se presente em todas as oportunidades nos eventos, seja nas salas de conferências, em estandes ou nas áreas comuns, realizando verdadeiros corpo a corpo com os congressistas.

Segundo Sá, ao apontar suas baterias para a ligação da obesidade unicamente ao sedentarismo e falta de atividades físicas, as companhias alimentícias buscam se eximir de suas responsabilidades com os níveis de açúcar e gorduras utilizados em seus produtos, além de constituir elementos de pressão para a derrubada de regulamentações e ampliar sua capacidade de influenciar cientistas e suas pesquisas, numa estratégia similar a desenvolvida pela indústria do tabaco no passado.

A revista dedicou também o editorial  ao tema, no qual reforça que esse tipo de parceria é nocivo tanto à ciência como às próprias federações esportivas, que deixam de cumprir seus papéis de indutoras do esporte ao aceitarem financiamentos de produtos não saudáveis.

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