Ocupar as escolas, proteger pessoas, recriar a educação: lançamento do manifesto

Escola não é só concreto, telhado, parede: não é só um prédio (vazio, em 2020). Discutir educação no Brasil, durante e pós pandemia, não é decidir quando voltam as aulas presenciais. Discutir educação é entender que  a escola é “um equipamento público, patrimônio social e ativo comunitário”. Esta é a proposta do manifesto Ocupar escolas, proteger pessoas, recriar a educação, organizado por entidades da saúde e da educação, e lançado hoje (23/10) em evento transmitido pela TV Abrasco.

Ultrapassando a estatística de mais de 155 mil pessoas mortas em decorrência da pandemia de Covid-19, e ainda diante de um país sem uma coordenação nacional de enfrentamento à pandemia, as entidades – inspiradas pela experiência do Plano Nacional de Enfrentamento à Pandemia de Covid-19, da Frente  Pela Vida – uniram esforços para “enfrentar os dilemas paralisantes e desorganizadores da educação, da escola e da saúde”.

O texto, escrito por muitas mãos, expõe os desafios da educação durante o coronavírus, e desenha alguns caminhos possíveis: fazer da pandemia uma oportunidade de fortalecer os laços com as comunidades escolares; reabrir e ocupar os espaços institucionais da educação;  recriar  a educação “como construção de valores e a escola como espaço de criatividade e compartilhamento, de formação cidadã, de uma visão crítica da sociedade, de promoção de uma cultura de paz, solidariedade e colaboração”. 

Conduzido por Gulnar Azevedo e Silva, presidente da Abrasco, e Giovana Mendes, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), o lançamento reuniu integrantes de diversas instituições que já assinaram a declaração. Na fala de abertura, Gulnar afirmou que “é possível sair com segurança dessa crise e defender o direito universal à saúde e educação”, enquanto Giovana pontuou que o documento refuta a ideia de retorno ao que era antes,  porque “não vamos seguir adiante da mesma forma, teremos um país mais pobre, com crianças ainda mais vulnerabilizadas”. 

Naomar de Almeida Filho, vice-presidente da Abrasco, apresentou o documento ao público, e afirmou que o debate, nos espaços de discussão da sociedade, está limitado a uma perspectiva dicotômica – retornar ou não às aulas presenciais: “Há uma redução do conceito de educação a mero ensino. O documento indica o lugar central da educação na sociedade. É preciso resistir criando. Ocupar as escolas não só fisicamente, mas sim redefini-las como espaço de formação cidadã”. 

O manifesto conta com o apoio de 28 instituições das áreas da saúde e educação. Organizações interessadas em endossar o documento devem escrever para abrasco@abrasco.org.br ou secretariaexecutiva@anped.org.br

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Assista ao evento de lançamento, na íntegra: 

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