Médicos e diretor do Hospital da Unimed, no Rio de Janeiro, são denunciados por morte de jovem


Imprensa divulga denúncia feita pela 7ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal do Ministério Público estadual nesta terça-feira, aos quatro médicos do Hospital da Unimed, na Barra da Tijuca, pelo homicídio culposo da farmacêutica Ana Carolina Domingos Cassino, de 23 anos. De acordo com o MP, a jovem morreu após uma sequência de “condutas médicas negligentes”.

Ana Carolina – que deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento da Unimed da Barra da Tijuca em 15 de agosto do ano passado, às 13h48m – foi diagnosticada com apendicite aguda. O laudo, emitido às 17h30m, atestava a necessidade de internação em hospital e avaliação cirúrgica. Às 22h20m, ela foi transferida para a enfermaria do Hospital da Unimed, também na Barra.

Segundo a denúncia, subscrita pelo promotor de Justiça Claudio Varela, José Luis de Souza Varela, cirurgião-geral responsável pela avaliação, marcação e realização da cirurgia, apesar de estar de plantão no dia da internação da vítima, não se encontrava no hospital. Por telefone, após ser informado do quadro clínico de Ana Carolina, marcou a cirurgia para o dia seguinte, às 15h.

O promotor ressalta na denúncia que o cirurgião marcou a intervenção sem que a paciente fosse avaliada, nem por ele, nem por sua equipe, que estava apenas em sistema de sobreaviso, ou seja, fora do local. No dia seguinte, enquanto aguardava a cirurgia, Ana Carolina apresentou quadro de hipotensão e choque séptico refratário e teve de ser transferida para a Unidade de Suporte Hospitalar (USH).

“Somente às 17h27m foi encaminhada ao centro cirúrgico para a realização do procedimento, 24 horas após ter sido diagnosticada com quadro de apendicite aguda e quase 28 horas após dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento da Unimed, consignando-se que, às 16h39, o denunciado José Luis De Souza Varela encontrava-se ainda ‘a caminho’ do hospital”, salienta Claudio Varela na ação.

Após o procedimento, Ana Carolina foi encaminhada, às 19h39m, por orientação do cirurgião-geral, à UTI Cirúrgica, na qual deveria permanecer entubada, já que existia o risco de desenvolver a Síndrome de Angústia Respiratória Aguda. Entretanto, às 22h do mesmo dia, os denunciados Mauricio Assed Estefan Gomes e Marcus Vinícius Botelho do Couto, sem ouvirem José Luis, realizaram a extubação da vítima, que teve parada cardiorrespiratória e morreu na madrugada do dia 17 de agosto.

Além dos médicos, o MP denunciou Luiz Antônio de Almeida Campos, diretor médico do Hospital da Unimed. Para o promotor de Justiça, ele teria agido de forma negligente por não disponibilizar, no plantão do hospital, cirurgião para diagnóstico dos pacientes, conduta que contraria resolução do Conselho Regional de Medicina.

Em nota, o setor jurídico do hospital da Barra da Tijuca afirma que a direção do hospital da Barra da Tijuca ainda não foi comunicada oficialmente sobre qualquer decisão do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro a respeito das investigações policiais quanto ao procedimento médico relativo à paciente Ana Carolina Domingos Cassino. E reitera que “a direção da unidade hospitalar tem colaborado com todas as autoridades públicas para esclarecimento dos fatos” e manterá sua disposição de colaborar, “inclusive abstendo-se de comentários que possam interferir na apuração isenta pelos órgãos competentes”.

 

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2 comentários sobre “Médicos e diretor do Hospital da Unimed, no Rio de Janeiro, são denunciados por morte de jovem

  1. Extremamente lamentável a perda desta jovem colega farmacêutica por uma conduta criminosa por parte do cirurgião-geral e com responsabilidades também do diretor médico deste hospital. Negligência e irresponsabilidade ao extremo.
    Faltas éticas como esta nos obrigam a refletir sobre a formação e os rumos que parcela importante dos profissionais de saúde em nosso país estão tomando.
    O que surpreende foi “dar” no O Globo já que a regra é detonar somente o setor público.

  2. Para Leandro Farias: Leandro a sua atitude revolucionária de transformar seu Luto em uma Luta contra os processos de mercantilização da vida e de privatização da saúde me faz lembrar essa frase do Ché Guevara: “Eles poderão matar uma rosa, duas rosas ou até três rosas, mas jamais poderão deter a chegada da primavera”.
    Maria das Mercês Navarro Vasconcellos
    Para a Abrasco: Parabéns por se engajar nesse importante movimento em prol da Saúde Coletiva.