Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil divulga resultados preliminares

Arthur Prado Nalbone foi um dos examinados pela equipe do ENANI | Foto: Divulgação

Após coletar informações sobre hábitos alimentares, peso e altura de crianças  em 15 mil domicílios , espalhados por 123 municípios em todo o país, os cientistas à frente do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) apresentam os resultados preliminares da pesquisa. Já é possível afirmar, por exemplo, que políticas públicas que incentivam o aleitamento materno – como o aumento da licença maternidade para 120 dias, instituída com a Constituição de 1988 –  garantem, hoje, que 60% das crianças menores de quatro meses tenham amamentação exclusiva. Em 1986, apenas 4,7% das crianças se alimentavam somente com o leite materno, nos primeiros meses de vida.  

Inês Rugani, do GT Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva da Abrasco e professora do INU/UERJ, é a coordenadora adjunta do ENANI, e afirmou que o pioneirismo do estudo foi o principal desafio, considerando a complexidade da investigação. “É a primeira vez que temos um estudo nacional de base domiciliar em que tantos aspectos da alimentação e nutrição são estudados. Tivemos Recordatório Alimentar de 24h, coleta de sangue por punção venosa, antropometria e vários dados colhidos através de questionário fechado, que permitirão  que a gente conheça, além das práticas de alimentação, outros aspectos como habilidades culinária e ambiente alimentar doméstico e comunitário”. 

 

Inês Rugani, do GT Alimentação e Nutrição em Saúde da Abrasco

 

Como há uma queda de natalidade no Brasil, os pesquisadores tiveram que visitar mais de 100 mil domicílios, a fim de alcançar o número de crianças previsto. Além dos desafios operacionais relacionados com a coleta de sangue de crianças pequenas – e transporte do material até a central de análise – as equipes tiveram que lidar com Fake News, uma adversidade cada vez mais presente nos estudos epidemiológicos de campo: “Em alguns lugares, espalharam que estavam coletando sangue para roubar crianças, muitos entrevistadores foram hostilizados”, comentou Rugani. Agora, com o fim da coleta, a equipe do ENANI está na fase de organizar o banco de dados para análise e produção de relatórios

O estudo foi encomendado pelo Ministério da Saúde (MS), e os resultados poderão subsidiar políticas públicas, em muitas interfaces. “Todos os resultados têm possibilidade de contribuir para a qualificação da Atenção Básica, de muitas maneiras. O MS utilizará os dados para rever os  programas de suplementação com micronutrientes, por exemplo. Podemos pensar como a abordagem sobre alimentação na infância pode ser melhorada. E pode subsidiar políticas de outros tipos, no âmbito da educação e medidas regulatórias”, sinalizou a abrasquiana. 

A pesquisa é coordenada por Gilberto Kac, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e envolve a Fundação Oswaldo Cruz, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e a Universidade Federal Fluminense, além de contar com a parceria de dezenas de universidades e instituições públicas de todo o Brasil. Para acessar mais informações, visite o site do ENANI. 

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