Amamentação pode reduzir efeito de gene ligado à obesidade, aponta estudo

Bernardo Lessa Horta, integrante da Comissão de Epidemiologia da Abrasco e professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), protagonizou uma pesquisa que associa o aleitamento materno na infância à composição corporal de adultos e à obesidade. Confira:

A amamentação na infância pode reduzir o efeito de um dos principais genes associados à ocorrência de sobrepeso e obesidade. É o que mostra um estudo que acompanhou mais de 3,4 mil recém-nascidos ao longo de 30 anos, publicado nesta quarta-feira (7) na revista Scientific Reports.

A pesquisa investigou a associação entre duração do aleitamento materno na infância e composição corporal de adultos, em grupos com diferente predisposição genética para o sobrepeso e a obesidade com base na presença de variantes do gene FTO.

“Estudos prévios sobre aleitamento e modulação do gene FTO se restringiram a crianças e adolescentes. Nosso estudo é o primeiro a verificar o efeito dessa interação até a idade adulta com base em uma série de parâmetros de composição corporal”, comenta o autor principal da pesquisa, Bernardo Lessa Horta, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O estudo ‘Breastfeeding moderates FTO related adiposity: a birth cohort study with 30 years of follow-up’, conta ainda com a participação de Cesar G. Victora, Giovanny V. A. França, Fernando P. Hartwig, Ken K. Ong, Emanuella de Lucia. Rolfe, Elma I. S. Magalhães, Natalia P. Lima e Fernando C. Barros.

O grupo de pesquisa liderado por Horta analisou dados do estudo longitudinal iniciado com aproximadamente seis mil bebês nascidos na cidade de Pelotas (RS) em 1982. Informações sobre o tempo de amamentação foram obtidas em entrevistas com as mães nos primeiros anos de vida das crianças.

Aos 30 anos de idade, 3,4 mil participantes realizaram uma série de exames de avaliação da composição corporal. Foram coletados dados sobre Índice de Massa Corporal (IMC), circunferência da cintura, Índice de Massa Muscular, Índice de Massa Gorda e espessuras de gordura abdominal visceral e gordura abdominal subcutânea. A partir da coleta de amostras de sangue, a análise de DNA dos participantes permitiu identificar a presença de variantes do gene FTO comprovadamente ligadas ao sobrepeso e à obesidade.

Os pesquisadores avaliaram o efeito das variantes genéticas sobre a composição corporal em dois grupos de acordo com a duração do aleitamento materno: pessoas que tinham sido amamentadas por menos de um mês e pessoas que tinham sido amamentadas por um mês ou mais.

As evidências apontam que a amamentação pode modular a ação do gene FTO, reduzindo os efeitos da predisposição genética à obesidade.

Entre as pessoas que receberam pouco ou nenhum leite materno na infância, os portadores das variantes obesogênicas apresentaram maiores taxas de obesidade e valores aumentados para todos os indicadores de composição corporal, em comparação com os portadores da versão não-obesogênica.
Entre as pessoas que foram amamentadas por mais tempo, o efeito da predisposição genética teve sua magnitude reduzida, comparando portadores das versões obesogênicas com os da versão não-obesogência.

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