7º GeoSaúde debate a saúde e fronteiras: interações espaciais e de saberes


No Brasil, diversos eventos no campo da saúde coletiva, como os congressos brasileiros de epidemiologia, e da geografia, como os encontros nacionais de geógrafos, têm demonstrado o interesse crescente, tanto de sanitaristas quanto de geógrafos, na incorporação de novos conceitos e no desenvolvimento de novas metodologias capazes de incluir, a diversidade do espaço geográfico e as novas fronteiras nas análises de situação de saúde e no estabelecimento de políticas públicas de saúde.

Por isso, o tema escolhido para nortear as discussões do 7º Simpósio Nacional de Geografia da Saúde é “saúde e fronteiras: interações espaciais e de saberes”, o simpósio conta com o apoio da Abrasco e acontecerá de 22 a 25 de setembro, em Brasília. Explorar novas fronteiras de pesquisa entre a geografia e a saúde e fomentar redes internacionais para compartilhar informações e gerar sinergias de pesquisa e de aplicações dessas linhas pesquisas nos serviços de saúde – são os objetivos principais do encontro.

Para Christovam Barcellos, membro da Coordenação do Simpósio, o papel da Geografia da Saúde é ver os problemas de saúde dentro do mundo – “Muitas vezes, os problemas de saúde são vistos como características individuais, por que são as pessoas que adoecem, procuram médicos, remédios, podem ficar deprimidas, desempregadas, mas falta entender isto dentro do mundo, nas mais diversas escalas em que estas coisas acontecem. O que tem me chamado atenção atualmente é a análise contextual. Todo mundo sabe como se transmite a dengue, como se transmite a AIDS, mas por que alguns grupos são mais vulneráveis que os outros? Isto ainda não foi respondido e não será respondido pela Biologia ou pela Epidemiologia. Isto será respondido pela Geografia da Saúde. Por que o morador de favelas no Rio de Janeiro é vulnerável à violência? Por que ali existe um contexto favorável à violência e impermeável às políticas sociais e de controle a violência. Por que o Nordeste brasileiro, principalmente na faixa litorânea, desde o Século XVIII, é uma área endêmica da esquistossomose? Por que ali existe um contexto que favorece a esquistossomose: É o clima, é a questão do saneamento e habitação, junto com a pobreza, a falta de acesso aos serviços de saúde, é tudo isso junto!” , explica Barcellos.

Acesse aqui o site do simpósio

A programação conta com a participação de Pedro Luis Tauil, professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), que proferirá a Conferência de Abertura. A Mesa redonda “Dinâmica dos sistemas ambientais e a saúde” terá a participação de Paulo Nossa (Universidade de Coimbra), Gilberto Pucca (MS/SVS) e ainda de Guilherme Franco Netto – membro do Concelho Deliberativo da Abrasco. A editora da revista Ciência & Saúde Coletiva, Cecília Minayo, participará da Mesa redonda “Acesso e acessibilidades ao sistema de saúde”, juntamente com Maurício Monken (Fiocruz) e Umberto Pessoto (Instituto de Saúde de São Paulo).

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