Rede APS apresenta primeiros resultados de pesquisa na Ágora Abrasco

A Rede APS da Abrasco completa este ano 10 anos de construção. Diante do cenário de pandemia de Covid-19, a Rede não poderia ficar parada e, mesmo sem recursos extras, elaborou uma grande pesquisa “Desafios da Atenção Básica no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no SUS”. O projeto que se propôs a identificar os principais problemas e as estratégias de reorganização da Atenção Primária à Saúde no enfrentamento da Covid-19 nos municípios brasileiros. A apresentação dos primeiros resultados da pesquisa foi realizada no colóquio Como a APS está enfrentando a pandemia de Covid 19 no Brasil: resultados da pesquisa nacional no dia 4 de agosto.

A professora da Faculdade de Saúde Pública (FSP/USP), Aylene Bousquat, fez a apresentação dos resultados. O debate contou ainda com a participação de Maria José Evangelista, assessora técnica do Conass, Cristiane Martins Pantaleão, vice-presidente do Conasems, Mónica Padilla, coordenadora da Unidade Técnica de Capacidades Humanas para a Saúde da OPAS/OMS. A coordenação ficou por conta de Lígia Giovanella, professora da ENSP/Fiocruz e da Rede de Pesquisa em APS/Abrasco.

Apresentação da pesquisa traz informações importantes

Aylene Bosquat começou falando sobre as dificuldades de lidar com uma pandemia desconhecida e que necessita de respostas rápidas: “Essa pandemia é um desafio sem precedentes para os sistemas de saúde e para a ciência e cobra respostas rápidas e diversas para todos os setores”. Por conta disso, a pesquisa promovida pela Rede APS teve como alvos gestores e profissionais de saúde com um questionário construído em quatro eixos: vigilância em saúde; cuidados aos usuários com Covid-19; continuidade do cuidado ofertado pela APS; e apoio social. No total, foram 2566 participantes, sendo 26% de gestores, de 1001 municípios em todo os estados e no Distrito Federal.

Aylene relatou: “Uma das questões era avaliar estrutura para atividades remotas. Menos da metade respondeu que tem internet boa, que é uma parte fundamental para o trabalho. Outra questão é o celular, apenas 28% das UBS indicam ter disponibilidade de celular”. Dentre as questões apontadas como fundamentais de estrutura para que a APS consiga cumprir o seu papel estão melhorias em: internet e celular para equipes; oxímetros; termômetros infravermelhos; oxigênio; acesso a RT-PCR (testes); e EPIs. A educação permanente também foi apontada como um dos pontos que devem ser mais cobrados junto aos gestores. Por fim, Aylene aponto ainda os pontos positivos e os desafios. De positivo, foram citados: potencialidade do trabalho; mudanças de rotina em tempo muito curto (evidenciando o comprometimento dos trabalhadores); incorporação dos usuários com quadros críticos mais complexos. Dentre os desafios estão: a garantia de continuidade de cuidados; ampliação das ações de vigilância em saúde; ampliação das ações de apoio social.

Falta liderança nas ações e também investimento

Maria José Evangelista iniciou sua fala criticando a falta de liderança por parte do governo federal na pandemia de Covid-19. Segundo ela, a crise sanitária e humanitária agrava a crise econômica e social, “mas aqui tem a desnecessária crise política, que se agrava e que por conta dela passamos por situação difícil que são as mudanças de ministério”. E reforçou: “A sensação é de que a gente ficou num barco à deriva. Numa situação desse precisamos de liderança, governança e não temos”. Maria José destacou ainda que a estratégia adotada pelo poder público foi ressaltar a lógica hospitalar com investimento em hospitais de campanha e UTIs e as unidades de atendimento ficaram em segundo plano: “Era para todo mundo ir pra casa e muita unidade fechou. A vigilância que tinha que ser feita na atenção primária não foi feita. Ficamos só contando as pessoas que adoeciam, iam para o hospital e morriam”.

Representando a OPAS/OMS, Mónica Padilla destacou a velocidade da pandemia e busca rápida por respostas. Além disso, o protagonismo dos profissionais de saúde e o autocuidado da população também foram colocados como pontos importantes. Mónica destacou ainda um novo olhar sobre a política diante das ações diante da pandemia: “A dimensão política também aparece como elemento de proteção e vimos isso nas respostas ao redor do mundo. A confiança, elementos de coesão social ficam identificados como elementos de proteção que estão longe da saúde mas fazem parte dela”. Diante dos resultados da pesquisa, ela criticou as políticas de teto de gastos que têm sido adotadas em países como Brasil, tendo em vista a necessidade dde investimentos na área da saúde e social.

Assista a íntegra do colóquio no TV Abrasco:

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