Estigma e falta de informação após décadas de epidemia estão entre os desafios do HIV/Aids para as CSHS

Daniela Riva Knauth, da CCSHS/Abrasco  – Foto: Reprodução Abrasco

Muitos avanços foram obtidos nessas quatro décadas de epidemia de HIV/Aids, sobretudo no que se refere ao tratamento, com o avanço da sobrevida e diminuição da mortalidade das pessoas, e na oferta dos meios de prevenção, com mais estratégias disponíveis, e não restritas ao preservativo. No entanto, ainda restam muitas questões para dizer que a epidemia de HIV/Aids está controlada e, se possível, em declínio.

A área de Ciências Sociais e Humanas em Saúde foi fundamental no início da epidemia, uma vez que a doença atingiu um grupo de pessoas muito pouco estudado: os homens que fazem sexo com homens. O comportamento sexual desse grupo passou a ser explorado e estudado, e o conhecimento desenvolvido por essa área da Saúde Coletiva foi necessário para avanços e,  programas de prevenção direcionados a essa população e também na compreensão de como outros grupos  também afetados pelo HIV viviam essa experiência e que permitiram desenvolver estratégias de prevenção e assistência mais adequados.

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Outra questão é o estigma. Apesar de já termos tratamento que permite às pessoas viverem com melhor qualidade de vida e, por meio de medicação, controlar suas cargas virais, não transmitindo o vírus e tornando-se indetectáveis, o estigma associado à doença permanece. Este estigma da Aids é associado a estigmas já existentes sobre comportamento e orientação sexuais, práticas profissionais e, se apresenta como um desafio na adesão ao tratamento e no acesso ao diagnóstico. 

Por fim, uma outra questão fundamental diz respeito à informação. Parece paradoxal que, na era da internet, justamente os jovens, público que domina essa tecnologia, tem se mostrado com menos informações sobre sexualidade, em geral, e prevenção da Aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis. Esse é um desafio importante para a área de Ciências Sociais e Humanas em Saúde compreender como que, nessa era da informação, não circulem conteúdos e informações de qualidade vinculados ao tema.

* Daniela Riva Knauth é integrante da Comissão de Ciências Sociais e Humanas em Saúde da Abrasco pelo PPGE/UFRGS

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