Ausência de políticas de saúde tem empurrado o HIV/Aids para a invisibilidade

Nêmora Barcellos, da CPPGS/Abrasco – Foto: Reprodução Abrasco

A Aids foi reconhecida como doença há quase 40 anos atrás. Hoje contamos 38 milhões de pessoas vivendo com HIV, e somamos, desde o início da epidemia, mais de 32 milhões de vítimas.

Fomos, nós brasileiros, pioneiros na busca de soluções para uma epidemia que segue ativa no mundo inteiro. Foram profissionais, pesquisadores e ativistas representando a sociedade civil que tiveram a coragem de mostrar a face da Aids à população e, aos poucos, construindo uma resposta sólida dentro do SUS. Falávamos dos determinantes sociais da infecção pelo HIV, falávamos de sua inseparável conexão com nossa natureza. Sexo faz parte de nossas vidas assim como o uso de drogas faz parte da história da civilização.

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Agora vivemos tempos de obscuridade:

Vemos maior engessamento das questões de comunicação e a exclusão da participação da sociedade civil na construção de campanhas. Não ocorreram mais campanhas nem outras ações focalizadas para determinados segmentos populacionais como gays, travestis, usuários de drogas, profissionais do sexo.

Comitês assessores têm sido pouco mobilizados, e houve, ao longo dos últimos anos, importante redução de encontros de gestão descentralizada aos moldes da Coordenação de Garantia da Equidade (COGE), do Ministério da Saúde.

A infecção pelo HIV, para os atuais gestores, continua sendo a infecção do outro e limitada à segmentos populacionais marginalizados na sociedade, embora em alguns locais do país o número de casos já caracteriza uma epidemia generalizada.

Subliminarmente, a Aids vem sendo empurrada para um espaço de invisibilidade. Ainda não temos a cura; e pesquisas são fundamentais para o avanço à resposta. É imperativo não a deixar se tornar mais uma doença negligenciada.

*Nêmora Tregnago Barcellos é integrante da Comissão de Política, Planejamento e Gestão da Saúde da Abrasco pelo PPGSC/Unisinos

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