Naomar de Almeida Filho fala sobre políticas públicas, desigualdades e esperanças

Vice-presidente da Abrasco e atualmente como professor visitante do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP), Naomar de Almeida Filho é o entrevistado da edição de julho do Boletim do Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS), do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA). Entre os temas abordados, o pesquisador falou sobre como a pandemia agudiza as desigualdades sociais e a frustrante resposta brasileira de enfrentamento à Covid-19.

Sobre o fortalecimento do SUS em um momento pós-pandemia, o professor considerou que o Sistema “conseguiu um certo fôlego em função das respostas que tem dado, porém ele continua sob ataque” e apontou que, sobre as respostas do governo federal à pandemia, “infelizmente o que tem sido feito tem reforçado essa desigualdade”.

A desigualdade não está só na saúde, mas também na educação. “A educação no Brasil é muito claramente uma reprodutora de desigualdades, isso faz com que esse passado colonialista, racista e patriarcal seja mantido como uma sociedade muito desigual e, mais recentemente, mais polarizada sob o ponto de vista político”, pontuou.

Esperança e ações da sociedade civil:

O professor também falou de esperança. “Então, esperança há pouca, mas estaria nas esferas de governo descentralizadas — municípios e estados — e nas possibilidades da sociedade, através de seus laços mais comunitários, poderem assumir um maior protagonismo”.

Outra dimensão da esperança são as ações das entidades da sociedade civil, dentre elas, a Abrasco, que lançou as sessões da Ágora Abrasco durante a pandemia. “Acho que (a Ágora) se estabeleceu muito bem, aproveitando essas tecnologias de presença virtual que estão realmente superando e ajudando a gente a ter uma socialização maior dos debates”, explicou.

A necessidade de catalisar um movimento para que a sociedade fosse capaz de exercer aquilo que o Estado não estava realizando tomou forma a iniciativa do Plano Nacional de Enfrentamento à Pandemia de Covid-19, liderado pelas entidades da saúde reunidas na Frente Pela Vida.

“Isso veio no bojo também de uma mobilização de entidades da sociedade civil muito representativas dos segmentos de pesquisadores, ativistas, militantes e ambientalistas, mas também de legalistas do setor jurídico e o setor religioso, que foi a Marcha pela Vida e a constituição da Frente pela Vida. A Abrasco está cumprindo o seu papel”, concluiu o vice-presidente da Associação.

Confira a entrevista na íntegra.

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