Na Rede TVT, Gulnar Azevedo e Anaclaudia Fassa debatem editorial do Lancet e defendem o SUS

Gulnar Azevedo, professora do Instituto de Medicina da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (IMS/UERJ) e presidente da Abrasco, e Anaclaudia Fassa, docente da Faculdade de Medicina e do Programa de pós-graduação em epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (PPGE/UFPel) e diretora da Abrasco, concederam entrevista no dia 8 de maio à Rede TVT, no Programa Bom para Todos. O tema da entrevista foi a repercussão do editorial publicado pela revista Lancet, no dia 7, no qual a importante publicação inglesa, em análise sobre a Covid-19 no Brasil, apontou o presidente Bolsonaro como ‘grande obstáculo, como maior ameaça ao combate à pandemia no país’. O texto, que cita a Abrasco como entidade científica que contribui na luta contra a pandemia, foi tema de matéria produzida pela Abrasco na semana passada.

À TVT, a presidente da Abrasco explicou a importância da revista, ‘que segue o que a ciência está mostrando’. Gulnar Azevedo pontuou que os países que agem de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) estão lidando de forma mais competente com a pandemia, ao contrário do Brasil, e classifica como vergonha o editorial da Lancet. “Para nós brasileiros, com tantos pesquisadores, cientistas, sanitaristas trabalhando na questão, com nossa história de 30 anos do SUS, é uma vergonha a gente ler num editorial o que o Brasil está mostrando para o mundo”, afirmou Gulnar.

Anaclaudia Fassa reiterou dizendo que o editorial traduz o consenso da comunidade científica internacional em relação à importância das medidas do distanciamento físico e de uma coordenação de esforços no enfrentamento da epidemia. Ela afirmou que as mensagens transmitidas pelo governo são dúbias e prejudiciais. “O que a gente precisa agora é clareza nas informações e nas condutas que vamos tomar, e a defesa de todas as formas do distanciamento social e da ampliação das medidas mais restritivas em estados onde a situação é mais crítica”,  explicou a docente.

Ambas explicaram sobre a necessidade de medidas mais restritivas para o isolamento social e a adoção de lockdown em algumas regiões, pontuando as diferenças entre as ações, para evitar que as pessoas circulem, diminuindo assim o número de casos e evitando o colapso do sistema de saúde. Outro ponto abordado pelas abrasquianas foi o apoio do Estado às populações mais vulneráveis e a solidariedade aos que estão encontrando dificuldades neste suporte. Ao final, Gulnar Azevedo falou aos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros sobre a importância de termos, hoje, o SUS. “A gente está vendo o que está acontecendo. Imagina se não tivéssemos no Brasil um sistema de saúde que não atendesse a todos? Vamos fortalecer o SUS, sem ele, estaríamos muito pior”, finalizou a presidente da Abrasco.

Veja o editorial do The Lancet na íntegra e a matéria produzida pela Abrasco. Abaixo, o vídeo completo da Rede TVT.

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