Temer sanciona pulverização de agrotóxicos em áreas urbanas


O vice-presidente em função de presidente interino Michel Temer sancionou ontem a Lei nº 13.301/2016, que dispõe sobre medidas de controle do mosquito Aedes aegypti. No texto da lei, consta a “permissão da incorporação de mecanismos de controle vetorial por meio de dispersão por aeronaves mediante aprovação das autoridades sanitárias e da comprovação científica da eficácia da medida.” Ou seja, preparem seus guarda-chuvas, pois em breve vai chover veneno na sua cabeça.

+ Nota pública da Abrasco contra pulverização aérea de inseticidas para controle de vetores

Mesmo que a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, a Abrasco, o Consea, o Conasems, o Conass, a Fiocruz, o próprio Ministério da Saúde e tantas outras instituições tenham se posicionado contra, a sede de lucro falou mais alto. A proposta veio justo do Sindicato de Aviação Agrícola (Sindag), coincidentemente no mesmo ano em que a venda de agrotóxicos recua 20%.

A pulverização aérea para controle de vetores, além de perigosa, é ineficaz. Anos e anos de aplicação de fumacê serviram apenas para selecionar os mosquitos mais fortes, forçando o aumento nas doses de veneno e a utilização de novos agrotóxicos. Os efeitos na saúde da população exposta à pulverização aérea nas lavouras está extremamente bem relatado no Dossiê Abrasco.

A pulverização aérea é perigosa porque atinge muitos outros alvos além do mosquito. E justo por isso, é também ineficaz. O agrotóxico será pulverizado diretamente sobre regiões habitadas, atingindo residências, escolas, creches, hospitais, clubes de esporte, feiras, comércio de rua e ambientes naturais, meios aquáticos como lagos e lagoas, além de centrais de fornecimento de água para consumo humano. Atingirá ainda, indistintamente, pessoas em trânsito, incluindo aquelas mais vulneráveis como crianças de colo, gestantes, idosos, moradores de rua e imunossuprimidos.

Ainda que a lei aprovada exige a aprovação das autoridades sanitárias, sabemos que o atual ministério interino da saúde partilha dos mesmos interesses sujos, e não deve demorar muito a aprovar medidas, ou iniciar temerosos testes em populações feitas de cobaia.

Não reconhecemos este governo, e lutaremos até o fim para que o prejuízo da indústria de agrotóxicos não seja recuperado às custas da nossa saúde.

Assine aqui o abaixo-assinado eletrônico para marcar a sua posição contrária

Confira também as notas públicas do Conass / Conasems, a nota informativa sobre pulverização aérea e o controle de endemias do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, a nota do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e a entrevista de Luiz Claudio Meirelles (CESTEH/ENSP/Fiocruz e GTST/Abrasco).

 

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14 comentários sobre “Temer sanciona pulverização de agrotóxicos em áreas urbanas

  1. Mais uma vez, matéria da Abrasco se equivoca e induz clientes a interpretações erradas.
    Em primeiro lugar, considera “busca pelo lucro” tudo aquilo que vai contra suas convicções ideológicas. É incapaz de reconhecer que possa o setor da Aviação Agrícola ter também como motivação contribuir para a Saúde Pública, como é o presente caso, onde a entidade não propõe a aplicação em massa, mas, antes, gratuitamente oferecendo seus recursos para que o MS possa testar o método. Em segundo lugar, omite que a MP aprovada (pelo Congresso)e sancionada prevê exatamente que o método somente seja usado se previamente (re)testado e recomendado pelo MS. Tudo na boa técnica, cujo teste é aprovado por muitos outros setores técnicos, como Embrapa, UNESP, UFMG.A aplicação aérea não é ineficaz e muito menos perigosa. Tanto que é usada no controle de vetores em diversos países (Estados Unidos, Argentina, México, Cuba), sem problemas colaterais.
    A Nota dá a entender que o atingimento de casas e outros prédios DENTRO da cidade é desaconselhável, quando é exatamente o contrário: são eles os próprios alvos (como na aplicação terrestre), pois neles e ao seu redor é que se abrigam os mosquitos. Produtos próprios e doses adequadas, baixíssimas, é que proporcionam a segurança.
    Classificar de “interesses sujos” aqueles que pensam diferentemente do que pensam os articulistas, é antidemocrático e injurioso.
    “Não reconhecer o governo” é uma posição política, que não deveria contaminar o debate técnico, em prejuízo da Saúde Pública.

    1. O argumento do cara é que vai ser analisado pelo Ministério da Saúde! kkkkkkkkkkkkkkkkk. Cara, a Coca-Cola é aprovada pelo MS, o MCDonalds também. DEIXA DE SER OTÁRIO e achar que é sabichão usando termos bonitinhos e etc. Vai te foder otário.

  2. Crise é sinônimo de oportunidade, esse bem poderia ser o lema desse governo interino.

    Sem escrúpulos, aproveita uma situação de risco de saúde para empurrar recursos públicos numa solução contestadíssima por entidades que pensam a saúde pública.

    E o pior, sugerida por uma entidade que lucra diretamente com a solução, e que não trata de saúde.

  3. Eduardo Araujo, então vou locar um avião para borrifar veneno na sua casa (somente a sua), com sua família dentro. Existem outras formas mais lúcidas e evasivas para combate ao mosquito e outras pragas. Pq será q todos os órgão, inclusive de governo, se manifestaram contrariamente? Se as suas afirmações possuem lastro, favor postar aqui.

    1. Ana Paula. Como você sabe, isso já acontece na minha casa e provavelmente na sua, ao usarmos (você usa?) os “aerossóis” que basicamente são os mesmos princípios ativos, ou muito semelhantes àqueles que hoje são aplicados em nossas casas pelos “fumacês” (passam em sua rua?), e o seriam por avião. E são usados porque foram testados e aprovados para tal finalidade. Mas quem pode adquirir aerossóis´mais caros e recomendados e os aplicam com parcimônia, seguindo a orientação dos fabricantes e do MS são uma minoria. Para uma imensa população menos esclarecida resta lançar mão do produto mais barato, que esteja ao alcance. Nas “vendas de esquina” é comum serem vendidos produtos “sabe-se-lá-o-que” os quais são aplicados sem qualquer orientação, pois às vezes nem rótulo eles trazem, ou as pessoas não os leem. A aplicação aérea, fiscalizada e organizada, é uma forma racional e controlada, e viria a aplicar apenas produtos aprovados pelo MS, nas doses corretas, sob responsabilidade técnica. Temos convicção que, assim, poderíamos recebê-la tanto na minha como na sua casa. Atenciosamente

      1. Comparar uma pequena quantidade de aerossol com pesticidas e herbicidas usados em lavouras é muita ingenuidade ou desonestidade intelectual…

        Primeiro que um eu posso escolher não usar…

        Vai militar em outro lugar Eduardo.

  4. Ana Paula. A quantidade de inseticida, adequado, que atingiria o interior das casas durante aplicação aérea seria menor do que a que o atinge através de aerossóis. Sem “ingenuidade” e “sem militância”. Para você ter ideia, a dose típica seria de 400 ml (um copo e meio) de produto, em CADA QUARTEIRÃO, aproximadamente.Sem riscos, portanto.
    Marcelo: o “fumacê” NÃO está proibido. Continua sendo usado em larga escala.

  5. Meu Deus, não podemos deixar isso acontecer, NÃO SABEM QUE ELES SEMPRE AVANÇAM DEFENDENDO UMA COISA, MAS O OBJETIVO SEMPRE SERÁ OUTRO? Nunca ouviram falar dos Rastros químicos? Ainda não saímos do massacre de bebês(zica) causado por eles mesmos, e já vem outro terror.é A AGENDA DA NOM- VÃO NOS DESTRUIR!!! A MON SANTO TRABALHA PARA ELES, NUNCA OUVIRAM FALAR?? MEU DEUS, COMO PODEMOS DEIXAR QUE ELES CUMPRAM TODOS OS DESÍGNIOS MALÍGNOS?? COMO PODEMOS SER TÃO IGNORANTES…, NÃO PODEMOS DEIXAR QUE ISSO SE CUMPRA…, ELES VÃO NOS DESTRUIR LITERALMENTE- É O CONTROLE DA POPULAÇÃO!!! NÃO DUVIDEM… AACCOOOORDDDEMMMMM!!!!!

  6. Os inseticidas e outros são necessários para combater as pragas, e não as pessoas. É muito triste tirar o direito da pessoa “não querer receber o inseticida na sua cabeça”. Eu não preciso receber agrotóxico, quem precisa é o mosquito.

  7. Aqui no estado do Espírito Santo, muitas pessoas, inclusive eu que raramente tenho problemas de saúde, estamos enfrentando uma tosse inexplicável, sem gripe, alguns evoluindo para pneumonia, penso que já estamos envenenados.