Covid-19 escancara crise do capitalismo no Brasil, conclui João Pedro Stédile, em live da Frente Pela Vida

Exploração desmedida dos recursos marcaram a fala de João Pedro Stédile – Reprodução YouTube

Desastres fruto da exploração dos bens naturais coletivos como salvaguarda das elites internacionais; perpetuação das relações paroquiais e regionais que dão as cartas no Congresso desde a fundação da República; a expressão caricata e perversa de Bolsonaro como produto de um projeto conservador ultraliberal. Esses foram alguns pontos da análise de conjuntura que João Pedro Stédile compartilhou com a Frente pela Vida e maudiência na noite de terça, 2 de fevereiro, num exercício conjunto de análise de conjuntura diante das inúmeras crises que o Brasil e o mundo vivem na atualidade.

Para o economista, professor e uma das principais lideranças da coordenação do Movimento Sem Terra (MST), vivemos uma crise estrutural do capitalismo que se expressa de forma cada vez mais violenta e que tem escancarado as desigualdades nos países considerados subdesenvolvidos.

Ele explicou que o momento atual é grave em todo o mundo. “A forma do capitalismo organizar as forças produtivas da sociedade não está voltada para atender as necessidades da população. Por isso estamos formando uma desigualdade social de bilhões de seres humanos que não conseguem ter suas necessidades básicas”.

Sessenta milhões de trabalhadores adultos não estão sendo aproveitados, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2020), fazendo com que a crise sanitária seja um agravante de outras crises vividas no país. O professor afirmou que “as mazelas da crise aparecem com muito mais gravidade no Brasil”, mediante uma crise econômica que “eclodiu em 2014”. Para ele, “os capitalistas internacionais sabem que nesse território [Brasil] é um perigo investir”.

Destruição do meio ambiente afeta saúde pública
Stédile também abordou a crise do meio ambiente, que está em colapso. “Os capitalistas se aproveitam dos bens da natureza e cometem crimes como os de Mariana e Brumadinho. Fazem uso intensivo de veneno na agricultura. O agrotóxico mata a biodiversidade e afeta a saúde”. Ele lembrou que o processo de desregulamentação constante das normas e preservação ambiental geram danos à vidas das pessoas.

“Há também uma crise da soberania nacional. Nem o povo, nem a sociedade têm controle sobre os recursos do país. A Covid só expôs ainda mais a natureza da crise que já vivíamos. Vários países superaram a pandemia sem aprofundamento da crise econômica, mas aqui no Brasil foi diferente”.

O que fazer diante das crises que o Brasil vive?
A sessão teve coordenação de Lúcia Souto, presidente do Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes), que destacou a responsabilidade da Frente na construção de um Plano Nacional de Enfrentamento à Covid-19. “A frente fez uma jornada de lutas diante da catástrofe que o Brasil está enfrentando. É uma crise gravíssima. O governo declarou uma guerra à vida e à saúde da população brasileira”, afirmou Lúcia.

Gulnar Azevedo e Silva pautou o SUS na atividade – Reprodução YouTube

Segundo João Pedro Stédile, a Frente tem sido “vanguarda na conscientização do povo e orientação dos movimentos populares sobre o que fazer diante da pandemia”, ressaltando a bandeira da vacina para todas e todos, o auxílio emergencial e o fora Bolsonaro como pontos de unidade que devem ser estabelecidos em conjunto com as diferentes frentes em atuação na sociedade.

Após a explanação da liderança, a palavra foi aberta para as direções das entidades que compõem a Frente ali presentes. Gulnar Azevedo incluiu a defesa do SUS como um dos pontos de pauta para a construção desses consensos para ação em sociedade.

“Achei perfeita a proposta de trabalharmos vacina, auxilio e o Fora Bolsonaro. Colocaria a questão do SUS, pois para ter vacina a gente precisa de um SUS forte. Temos de bater nesta tecla, saber ouvir e trabalhar essas questões”, concluiu a presidente da Abrasco.

Clique e assista à sessão na íntegra

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