Coalização de Lideranças de Saúde Pública alerta para má condução das ações do enfrentamento da pandemia por motivações políticas

Foto: Markus Spiske/Unsplash

A rápida propagação da variante Delta a nível mundial representa uma grave ameaça ao  controle da pandemia, destacando a necessidade crítica de uma liderança eficaz informada  pelas melhores evidências disponíveis, alertam os líderes de saúde pública global. 

Os membros da Coligação de Liderança em Saúde Pública, inaugurada no início deste ano  pela Federação Mundial de Associações de Saúde Pública (WFPHA), reuniram-se a 28 de junho para  partilhar atualizações sobre a pandemia da COVID-19 nos seus respetivos países. 

Nesta reunião, constatou-se que os imperativos políticos estão a impulsionar políticas  prejudiciais em alguns países, como a reabertura e a realização de grandes ajuntamentos, e  que a pandemia está a ser prolongada por iniquidades globais no acesso às vacinas contra a  COVID, bem como pela hesitação vacinal em muitos países.  

“Esta reunião destacou a necessidade urgente de tornar os governos responsáveis pela sua  escolha. Este não é o momento para complacência, nem para uma atitude relaxada”, disse o  Prof. Ricciardi, presidente da WFPHA e da coligação. 

O Professor K. Srinath Reddy, presidente da Fundação de Saúde Pública da Índia, disse na  reunião que, na Índia, a variante Delta Plus surgiu recentemente e ainda está a ser  estudada. O número de pessoas infetadas por esta variante é ainda pequeno. “A variante  Delta é ainda o vírus dominante. No entanto, a adição da mutação K.417.N na Delta Plus traz preocupações sobre a eficácia reduzida da vacina. Este aspeto está a ser examinado”,  disse. 

“No Canadá, a resposta à pandemia tem sido seriamente prejudicada pela falta de  conciliação política e de políticas, assim como pela má coordenação dentro e entre níveis  federais, provinciais e municipais, durante todas as fases. Tudo isto foi alimentado por  sistemas de informação deficientes, protocolos desatualizados e pela inexperiência dos  responsáveis, e agravado pela nomeação ou substituição de especialistas por burocratas em  agências importantes”, destacou o professor Alejandro Jadad, fundador do Center for  Global eHealth Innovation. 

“Nos países da América do Sul, a falta de liderança política também contribui para a  disseminação da COVID, especialmente em países como a Colômbia, o Brasil e o Chile”, disse  a professora Maria del Rocio Saenz, ex-Ministra da Saúde da Costa Rica. No seu próprio  país, as unidades de cuidados intensivos ficaram sobrelotadas e o sistema de saúde  continua sob grande stress, afirma. “Os grupos desfavorecidos são mais vulneráveis à  variante”, diz. “A pandemia destacou a importância de abordar as desigualdades subjacentes nos determinantes da saúde como a pobreza, a habitação e o acesso a  condições de vida saudáveis.” 

Em África, a terceira onda que começou no início de maio está a atingir intensamente, com  a lotação de macas em muitos países como a RDC, de acordo com o Dr. Jean-Marie  OkwoBele, ex-diretor do Departamento de Imunização e Vacinas da OMS. “É crucial que a  liderança da saúde pública ajudasse a promover mensagens baseadas em evidências que  ressoem nas comunidades locais”, afirma.  

O Dr. Okwo-Bele destacou a necessidade para que os líderes políticos, religiosos e outros  líderes comunitários influentes intensifiquem urgentemente os esforços para ampliar as  mensagens cruciais de saúde sobre a Covid-19. “A falta de ação sobre as iniquidades das vacinas e outras mais amplas está a impedir a recuperação de todos”, acrescentou. “Todos  os países e todas as pessoas irão beneficiar quando as desigualdades globais, nacionais e  locais forem abordadas.” 

Os delegados também levantaram preocupações sobre o potencial que o Campeonato  Europeu de Futebol tem para espalhar infeções de COVID por toda a Europa, com as  dezenas de milhares de pessoas de toda a Europa que irão visitar Londres dentro de poucos  dias. “Tememos que isso venha a ser um evento de dispersão para o resto da Europa”, disse  a Professora Bettina Borisch, CEO da WFPHA. “Precisamos de advogar junto de  organizações como a UEFA e a FIFA, que estão a pressionar os governos”. 

A coligação de liderança, liderada pelo Prof. Walter Ricciardi, presidente da WFPHA, está a  trabalhar com ministros da saúde de diferentes países e a convidá-los a unir forças para  reduzir as enormes disparidades em equidades, no que diz respeito ao fornecimento de  vacinas, entre outros. Os líderes estão prontos para apoiar o desenvolvimento e  implementação do Tratado de Pandemia Global proposto pela OMS.

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