Campanha sobre obesidade chama atenção para falta de informação clara nos rótulos e marketing enganoso de alimentos não saudáveis

A Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, formada pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec, a ACT Promoção de Saúde, entre outras 20 organizações da sociedade civil lança nesta quarta (01º) a campanha de conscientização “Você tem o direito de saber o que come”. A ação chama atenção para o marketing enganoso e rótulos pouco claros de alimentos não-saudáveis e sua relação com escolhas alimentares que podem levar à obesidade.

A obesidade é a causa de doenças como diabetes tipo 2, doenças cardíacas e 13 tipos de câncer, conforme indicado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA)[1]. Em 2016, mais de 650 milhões de pessoas estavam obesas no mundo[2]. Nos últimos 35 anos, o número de pessoas com esta condição mais que dobrou entre as mulheres e quase que quintuplicou entre os homens no Brasil[3].

Estima-se, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que 1 em cada 3 crianças entre 5 e 9 anos apresentam excesso de peso no país. Entre adultos, a taxa de obesidade chega a 20% dos brasileiros[4]. A cada ano, são diagnosticados quase um milhão de novos casos de obesidade entre os brasileiros[5].

Diante deste cenário, a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável lança uma campanha de conscientização com a intenção de alertar a população sobre as reais características nutricionais de produtos ultraprocessados. Em uma metáfora, a campanha mostra os ingredientes em excesso de alguns alimentos que consumimos no dia a dia. Da caixa de suco que se diz “natural” cai açúcar refinado. Da caixa do bolo que se vende como “caseiro”, sai um tablete de gordura.

Em uma escala maior, a campanha busca conscientizar a população reforçando que o ambiente que fomenta o consumo excessivo de produtos não-saudáveis via publicidade massiva e rótulos atrativos é um dos principais responsáveis pelo aumento da população com excesso de peso.

“Informações ambíguas ou enganosas são uma violação ao direito humano à alimentação adequada e contribuem para escolhas alimentares que comprometem a saúde. Tomar consciência disso é fundamental para mudar a realidade”. diz Inês Rugani, professora do Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (INU/Uerj) e coordenadora do Grupo Temático Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva (GTANSC/Abrasco).

“A participação de toda a sociedade é muito importante para combater o marketing enganoso e a falta de informações claras nos rótulos dos produtos ultraprocessados. A Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável conta com parceiros e apoiadores que contribuem com trabalho e conhecimento para o sucesso da campanha”, diz Ana Paula Bortoletto, Líder do programa de Alimentação Saudável no Idec.

É importante destacar que, atualmente, encontra-se em discussão na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a revisão das normas de rotulagem nutricional. A Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável defende a adoção de uma rotulagem nutricional frontal de advertência inspirada no modelo do Chile, entre outras recomendações, conforme proposta apresentada à Agência pelo Idec e UFPR. Uma consulta pública deve ser aberta pela Anvisa até o final do ano para ampliar a discussão sobre esse tema e definir novas regras brasileiras de rotulagem nutricional. Conheça por dentro a campanha Rotulagem Adequada Já! e leia o documento de posicionamento para um novo modelo de rotulagem nutricional.

Sobre a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável: 

A Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável é uma coalizão composta por organizações da sociedade civil de interesse público, profissionais, associações e movimentos sociais com objetivo de desenvolver e fortalecer ações coletivas que contribuam com a realização do Direito Humano à Alimentação Adequada por meio do avanço em políticas públicas para a garantia da segurança alimentar e nutricional e da soberania alimentar no Brasil. A Aliança acredita que a alimentação que temos hoje é resultado da interação de elementos individuais e socioculturais. Portanto, a proteção e promoção da alimentação adequada e saudável depende da atuação nestas duas grandes dimensões, sempre articulada a ações de caráter estrutural.

Para outras informações, acesse o site e as redes sociais

Referências: 

[1] http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/comunicacao/posicionamento_inca_sobrepeso_obesidade_2017.pdf
[2] http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs311/en/
[3] http://ajcn.nutrition.org/content/100/6/1617S.long
[4] http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/junho/07/vigitel_2016_jun17.pdf
[5]  Duran AC, Claro RM, Schmidt MI, Duncan BB, Monteiro CA. Diabesity in Brazil: burden, trends, and challenges. Submitted.

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