IEA renova conselho diretivo, tendo abrasquiana Karina Ribeiro como candidata

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É chegado o momento da renovação da diretoria da International Epidemiological Association – IEA, entidade responsável pela difusão da epidemiologia e organização de seus fóruns internacionais. A associação, que já teve direção do brasileiro Cesar Victora e atualmente é presidida por Valerie Beral, professora da Universidade de Oxford, se prepara para mais o 21º Congresso Internacional de Epidemiologia, a ser realizado, em Saitama, Japão, e define até março sua nova composição diretiva. Para a presidência, foi apresentado o nome de Miquel Serra Porta e, para a vaga do Conselho para América Latina e Caribe, Karina de Cássia Braga Ribeiro.

Graduada em Odontologia pela Universidade Federal de Uberlândia (1991), com formação pós-graduada dedicada aos estudos das neoplasias [mestrado (1999) e doutorado (2001) em oncologia pela Fundação Antônio Prudente;  dois pós-doutorados (2005-2006/2007-2009) pela Universidade da California – Berkeley], Karina é professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e diretora adjunta da divisão de epidemiologia da Fundação Oncocentro, de São Paulo. Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em epidemiologia do câncer, atuando principalmente nos seguintes temas: câncer infantil, registros de câncer e câncer de cabeça e pescoço. Karina participou da comissão organizadora do VIII Congresso Brasileiro de Epidemiologia, realizado em 2011, em São Paulo.

“A IEA deu um salto em direção a uma representação verdadeiramente mais global e democrática durante a gestão do Cesar e isto incentivou brasileiros a participarem mais ativamente desta Associação. A vivência dos epidemiologistas brasileiros tem ajudado e inspirado o resgate de uma epidemiologia atrelada à Saúde Pública”, destaca a professora.

A candidatura de Karina visa ocupar e dar continuidade ao trabalho de Rita Barradas Barata, professora também da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, presidente da Abrasco na gestão 1996-2000, e atualmente diretora de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (DAV/Capes). “As atividades mais importantes que desenvolvi pela IEA enquanto conselheira da região da América Latina e Caribe incluíram iniciativas para ampliar os associados em países onde ainda não havia membros; possibilidade de filiação dos epidemiologistas cubanos com isenção de anuidade; apoio às atividades científicas do Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva; Congresso Internacional de Epidemiologia Ambiental; d a seção de epidemiologia do Congresso da Associação Americana de Saúde Pública; e do Congresso de Epidemiologia das Américas. Nos dois últimos, em parceria com a Conselheira para a América do Norte, professora Nancy Krieger, discutimos as condições de produção de pesquisas epidemiológicas e a atuação da epidemiologia latino-americana. Apoiamos ainda a realização de um workshop em Epidemiologia Social na Guatemala. Além disso, questões epidemiológicas relevantes para a região, como as epidemias de chigungunya e zika vírus foram objeto do Epiblog da região”.

A docente destaca também a importância da escolha do presidente eleito. “Na IEA, a diretoria conta com a participação do ex-presidente, do presidente e do presidente eleito, que assumirá o mandato efetivo em três anos. O atual presidente eleito é Henrique Barros, professor da Universidade do Porto, conhecido nosso por participar frequentemente dos congressos da Abrasco, bem como pela recepção aos epidemiologistas brasileiros nos congressos europeus e ibéricos”, argumenta Rita. Henrique Barros é um dos convidados do X Congresso Brasileiro de Epidemiologia, e oferecerá o minicurso “Métodos Epidemiológicos para Avaliar Populações de Difícil Acesso”, no dia 8 de outubro, das 8 às 17h”, junto com a também pesquisadora portuguesa Paula Meireles.

No WCE 2017, Henrique assumirá a efetividade da direção da IEA e dará condução ao novo conselho, a ser coordenado sob liderança de Miquel Serra Porta, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Autônoma de Barcelona e pesquisador do IMIM – Hospital Del Mar, também sediado na cidadã catalã. “Miquel Porta participa ativamente da IEA, tendo sido já conselheiro regional pela Europa e é um árduo defensor de uma epidemiologia mais inclusiva e integrada”, reforça Karina. Os sócios brasileiros da IEA deverão receber a cédula eletrônica encaminhada Peter Kralka, da estrutura da IEA, ainda em fevereiro e votar nos candidatos. Dúvidas devem ser sanadas pelo e-mail peter.kralka@ieaweb.org.

Para Karina, a perspectiva da atuação internacional só reforça os laços com a epidemiologia brasileira, que se prepara para seu X Congresso Brasileiro de Epidemiologia, a ser realizado de 07 a 11 de outubro, em Florianópolis. “Estamos vivendo a expansão da febre amarela, tivemos o problema do Zika e temos as doenças crônicas como diabetes, câncer e cardiovasculares como as principais causas de óbito no país. Todos estes problemas estão diretamente relacionados ao funcionamento do SUS e serão tema do nosso congresso brasileiro”. Confira abaixo a entrevista na íntegra:

Abrasco: Quais pontos que a IEA vem promovendo no debate internacional da epidemiologia que devem ser também debatidos pela comunidade científica da Saúde Coletiva e, em especial, a comunidade da epidemiologia?
Karina Ribeiro: A IEA, desde sua criação em 1954, tem um forte caráter educacional, que talvez seja o aspecto mais importante da associação. Esta missão de “educar em Epidemiologia” e de “treinar em Epidemiologia” tem sido desenvolvida nos Congressos da IEA e nas Atividades Regionais.
Nos últimos 10 anos (iniciando na gestão do Neil Pearce e continuando na gestão do Cesar Victora), a associação tem expandido as suas atividades, com atenção especial aos países em desenvolvimento e aos problemas que assolam estes países.

Abrasco: A senhora tem uma interessante inserção internacional em sua formação científica. Como vê o processo da internacionalização da ciência brasileira?
Karina Ribeiro: Eu acredito que a internacionalização da ciência já é uma realidade vivida por nós. Na Saúde Coletiva, é evidente o aumento do número de publicações e do impacto das mesmas no cenário mundial. A formação de redes de pesquisa tem permitido o avanço em diversas áreas. A epidemiologia brasileira é mundialmente reconhecida e alguns de nossos pesquisadores e professores dos programas de pós-graduação estão entre as pessoas mais influentes no cenário mundial. No meu caso, considero que as duas experiências internacionais mais longas que tive serviram para mostrar o que havia de bom nos outros paíse, mas, principalmente, para valorizar algumas das coisas que eu já tinha aprendido aqui. Esta diversidade na formação é boa, agrega conhecimento e desenvolve o senso crítico dos pesquisadores, além de estabelecer pontes.

Abrasco: Já tivemos um brasileiro, o professor Cesar Victora, como presidente da entidade. Qual a importância da participação da comunidade científica brasileira nas eleições da IEA?
Karina Ribeiro: A comunidade brasileira é muito importante. A IEA deu um salto em direção a uma representação verdadeiramente mais global e democrática durante a gestão do Cesar e isto incentivou brasileiros a participarem mais ativamente da IEA, inclusive por causa da parceria com a Abrasco. A vivência dos epidemiologistas brasileiros tem ajudado e inspirado o resgate de uma epidemiologia atrelada à saúde pública, uma epidemiologia que vem da população e volta para a população.

Abrasco: Neste ano a Abrasco realiza o X Congresso Brasileiro de Epidemiologia. Que debates devem ser travados pela comunidade da epidemiologia brasileira neste evento que, como já traz em seu título, quer pensar a epidemiologia a serviço do SUS?
Karina Ribeiro: São muitos os debates! Estamos vivendo a expansão da febre amarela, tivemos o problema do Zika e temos as doenças crônicas como diabetes, câncer e cardiovasculares como as principais causas de óbito no país. Todos estes problemas estão diretamente relacionados ao funcionamento do SUS e os debates vão desde pensar como equipes de Saúde da Família podem melhor atuar no enfrentamento destes problemas até o estabelecimento de redes de cuidados continuados integrados, já que o número crescente de idosos no país de complexa situação socioeconômica e familiar põe uma marca importante no perfil epidemiológico, e que deve ser olhada com carinho.

Abrasco: Quais as credenciais que o pesquisador Miquel Porta apresenta para a candidatura à presidência da IEA?
Karina Ribeiro: Miquel Porta é um pesquisador bem conhecido e tem todas as credenciais para ser presidente da IEA. Ele tem colaborações científicas em diversos países, incluindo o Brasil. Coordena o grupo de pesquisa em Epidemiologia Clínica e Molecular do Câncer do IMIM-Hospital del Mar, em Barcelona, além de ser professor de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Autônoma de Barcelona. Miquel Porta participa ativamente da IEA, tendo sido já conselheiro regional pela Europa. Além disso, é atualmente o editor do Dicionário de Epidemiologia e um árduo defensor de uma epidemiologia mais inclusiva e integrada.

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