Reunião plenária da Abrasco: balanço positivo e sentimento de dever cumprido

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Orgulho de se saber parte de uma entidade que tem contribuído significativamente com o enfrentamento da pandemia de Covid-19, divulgando a ciência e lutando incansavelmente pelo fortalecimento do SUS. Essa foi a marca da reunião plenária da Abrasco, realizada no último 23 de julho com a participação de cerca de 160 abrasquianos e abrasquianas. Na reunião foram relatadas as principais atividades desenvolvidas pela gestão 2018-2021 e foi reforçada a convocação para as eleições da nova diretoria e conselho, que acontecem de 26a 29 de julho, dessa vez 100% online.

Gulnar Azevedo, presidente da Abrasco, destacou o caráter compartilhado e participativo de todos os integrantes da diretoria e do conselho não só nos posicionamentos políticos como também na definição de estratégias de comunicação e divulgação. Foi intensa no período a atuação científica da entidade que, além de todas as atividades dos Fóruns de Graduação e Pós-Graduação, realizou as oficinas preparatórias para 4º Congresso de Política, Planejamento e Gestão da Saúde (PPGP) e o ciclo de debates Pré-Congresso de Epidemiologia, bem como os dois congressos (8º CSHS, em João Pessoa, em 2019; e 4º CPPGP, virtual, em 2021) e um simpósio (8º SIMBRAVISA, em Belo Horizonte, 2019).

Foi destacada também a realização das 114 edições das Ágoras Abrasco, cujas sessões relacionaram questões científicas, políticas, sociais e culturais sobre a pandemia de Covid-19 e tiveram ampla participação e debate. Por fim, a fala de Gulnar ressaltou como importante atuação política da Abrasco, a construção junto com outras entidades nacionais de saúde da Frente pela Vida e suas principais ações.

“Se vivemos e desenvolvemos todas essas ações foi porque vocês as fizeram junto conosco, nos apoiando, respondendo a nossas convocações. Resistimos e avançamos mesmo nesse difícil cenário e queremos uma Abrasco que continue resistindo e avançando”, ressaltou a presidente.

+ Confira a apresentação de Gulnar sobre as atividades da Abrasco triênio 2018 – 2021

Em seguida, Reinaldo Guimarães, um dos vice-presidentes, ressaltou a atuação da Associação no campo da ciência e tecnologia, e que foi capturada em todas as dimensões pela busca de respostas à Covid-19. “A única dimensão que sobrenadou no período só diz respeito à pandemia e toda a crueldade decorrente do governo federal. Nossa atuação foi no sentido de opinar e tentar orientar gestores e também o público”, disse Reinaldo Guimarães, referindo-se ao Plano Nacional de Enfrentamento da Pandemia de Covid-19, encampado pela Frente Pela Vida e com grande participação das lideranças de todos os grupos, comissões e fóruns da Associação.

Uma gestão e olhar femininos que fizeram a diferença: Na sequência, coordenadores dos grupos temáticos e integrantes das Comissões fizeram apontamentos sobre o trabalho desenvolvidos e avaliações da gestão. A competência da condução da direção da Associação e, principalmente, da escuta, do olhar e da disposição de Gulnar Azevedo foram marcados em todas as falas.

Alexandre Kalache, da coordenação do GT Envelhecimento e Saúde Coletiva, abriu a rodada, ressaltando a antevisão do GT de que, no Brasil, a pandemia teria uma face idosa, negra e feminina, gerando uma taxa de mortalidade rejuvenescida. 

Marcelo Fornazin, do GT Informação em Saúde e População, destacou que as contribuições do grupo em notas e documentos, como o Plano Diretor da área (3º Pladitis) e sobre o apagão dos dados do Ministério da Saúde, provocaram, além do senso de responsabilidade, a alegria de ser abrasquiano. “Ficamos felizes de pegar jornais e ligar a TV e vermos sanitaristas falando e defendendo o SUS”.

Para Ana Lucia Pontes, foi uma grande conquista o fortalecimento dos laços com diversos movimentos sociais, com destaque para o indígena. “As relações que estreitamos nesse um ano foram intensa e genuínas, marcadas pela atenção à escuta, com acolhimento, apoio e confiança. Te agradeço, Gulnar, por todo esse apoio dado à coordenação do GT Saúde Indígena. Poder ser uma voz pública é gratificante e dá sentido para o nosso trabalho, apesar dos tempos sombrios”.

Na mesma linha, Edna Araújo, da coordenação do GT Saúde da População Negra, ressaltou a diretoria que se encerra por ser uma gestão histórica que teve uma mulher à frente e com um pouco mais de diversidade. “A Abrasco se colocou como uma instituição que denuncia o racismo, colocando-se assim junto ao Fundo das Nações Unidas das Populações (UNFPA) e à Anistia Internacional, parcerias com uma grande repercussão para a produção de conteúdo. Sentimo-nos muito acolhidos, uma deferência com a população negra”

Isabela Santos, que assumiu este ano a coordenação da Comissão de Política, ressaltou que o crescimento da instância, passando de 21 para 37 representantes, foi fruto tanto do trabalho da Comissão anterior, do Congresso da área e da força da Abrasco. “Vimos um trabalho com um pulso político e feminino, e isso foi fundamental para dar vazão à produção do nosso campo e sua incidência na sociedade. As notas e posicionamentos andaram com celeridade; os processos de trabalho aconteceram, mostrando que é possível um SUS como de fato como está na Constituição, e não apenas o SUS dos acordos possíveis”.  

Lígia Kerr, presidente do Congresso Brasileiro de Epidemiologia, ressaltou que a atual gestão conseguiu materializar o que se propôs: fazer a Abrasco crescer com inclusão. “Saiba, Gulnar, que isso é resultado das suas ações, da sua sensibilidade aos temas emergentes e da sua disponibilidade, que permitiu uma melhor representatividade das áreas, gêneros, cores e regiões”.

Representante do GT Visa, Gisele Tófolli leu uma nota de congratulações e agradecimento a Gulnar Azevedo e Silva, aprovada por aclamação por todos os presentes e que expressa elementos também apontados nas falas de Estela Aquino, Luiza Garnelo, Julia Nogueira, Monica Nunes, Keila Brito, Ines Rugani, Jandira Maciel, Marilene Nascimento, Naomar de Almeida Filho e Marta Verdi.

Uma história coletiva que se renova: “Agradeço demais todas essas palavras. Fiz porque tem tanta gente comigo, uma diretoria parceira e uma Secretaria Executiva que chegou junto. O que fizemos foi fruto de 40 anos de Abrasco, uma Associação que traz históricas contribuições de todo o nosso campo. Algumas dessas pessoas partiram nestes dois últimos anos, como Antonio Ivo de Carvalho, Ruben Matos, Hesio Cordeiro, entre outros. Por aqueles que se foram e pelos que virão, é por eles que temos de continuar. Desejo tudo de bom para quem está entrando”, agradeceu Gulnar, emocionada, que passou a palavra a Rosana Onocko, presidente da chapa única candidata à nova gestão.

“É uma imensa responsabilidade seguir o leme após a gestão da Gulnar, da qual eu e muitos fazemos parte. Nossa nova composição traz pessoas de várias regiões, num compromisso de sustentar essa atividade e energia que conseguiu trazer para a nossa Abrasco. São eixos de continuidade, com atualização em termos de conteúdo”, ressaltou a docente, convidando os presentes e o conjunto da comunidade abrasquiana a ler o Programa da chapa. “Estamos todos com muita disposição para os desafios que virão e, da minha parte, há toda a vontade e a dedicação de trabalhar com esse coletivo maravilhoso que conseguimos juntar”, concluiu Rosana.  

Ao final, foi ainda aprovada a redação de uma Carta de Felicitação a Nísia Trindade pela alta condecoração de Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra, concedida pelo governo francês em reconhecimento a atuação da presidente da Fiocruz no mundo da ciência e da saúde; o chamamento para as eleições e para a Assembleia Geral, a ser realizada na sexta-feira, dia 30, e para as mobilizações ocorridas no sábado, 24. “Podemos seguir acreditando que o Brasil vai mudar, mas não vai ser fácil. Para isso ser real, é grande e fundamental o papel da Abrasco e das demais entidades da ciência e da Saúde Coletiva”, encerrou Gulnar.

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