Pela ciência, continuaremos marchando

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A boa notícia é que o movimento apenas começou. Mais de 500 cidades em todos os continentes marcharam em prol da ciência, colocando, lado a lado, estudantes, professores, cientistas, pesquisadores e a sociedade civil organizada, alertando aos governantes e tomadores de decisão, do imperativo de resguardar, amparar e sustentar as instituições de Ensino e Pesquisa de todo o planeta. No Brasil tratou-se também de reafirmar uma tradição de associar ciência e projeto nacional emancipador.

Mulheres e homens admiráveis tais como Bertha Maria Júlia Lutz e Edgar Roquette-Pinto, pesquisadores deste Museu Nacional, entre tantos outros, contribuíram e persistiram na defesa incondicional da necessidade do país investir, a longo prazo, em pesquisas que resolvam os problemas que inibem o desenvolvimento humano. Março passado deixou todos aqueles que compreendem o papel estratégico da ciência no projeto nacional, preocupados com o grave corte no orçamento destinado ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), considerado o mais drástico das últimas décadas. Os dirigentes do país justificaram suas atitudes com base na crise econômica e seus reflexos na alta recessão, além do baixo crescimento do produto interno bruto. Entretanto, os cortes nesta área inviabilizam a retomada do crescimento em bases sustentáveis.

Não bastasse isso, seguem em curso projetos de emendas constitucionais e projetos de lei que desmontam e agridem conquistas essenciais da sociedade brasileira tais como as reformas previdenciária e trabalhista. A eles se somam mais de uma centena de medidas contrárias a um importante conjunto de políticas públicas nos campos da saúde, da educação, da assistência social, do meio ambiente, da habitação, do saneamento e da segurança alimentar.

A Abrasco, sociedade civil que reúne pesquisadores, cientistas, professores, estudantes e movimentos sociais em defesa da saúde coletiva se soma a este movimento. Devemos continuar a marcha em defesa de um país desejoso de investir em seus cientistas, confiante no valor imaterial, no valor intangível dos bens do conhecimento, base para um país soberano e efetivamente democrático. Esse, em uma inter-relação entre povos, sem fronteiras, instigados por um conhecimento cada vez mais complexo, profundo, progressista, desde a natureza física, biológica, social e cultural, rumo a uma sociedade de bem estar e de bem viver.

 

São Paulo

“Em São Paulo não foi uma marcha, mas uma concentração, no Largo da Batata, em Pinheiros, com toques de “Feira de Ciências” pois várias instituições montaram tendas e pesquisadores faziam difusão cientifica. Pessoas fizeram filas em várias delas e na sessão de perguntas e respostas, muitas questões relacionadas à Zika, microcefalia.  Ao fundo da Praça uma tenda com os discursos e algumas manifestações dos populares presentes. O discurso da Helena Nader, presidente da SBPC, deu um pouco o recado dos cortes de verbas, das conquista da ciência brasileira, e dos riscos para o futuro e para a democracia dos cortes e precarização das instituições de pesquisa e de ensino, e Walter Coli, foi contundente contra o Governo de São Paulo e cortes na Fapesp. Mas falou também sobre o obscurantismo, fundamentalismo religioso… Outros discursos foram mais sobre a necessidade de difundir ciência, o método científico e comunicar melhor com a população. Acho que é importante se manifestar, a despeito de muitas diferenças” resumiu a professora Maria Amelia Veras, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e atualmente coordenadora da Comissão de Epidemiologia da Abrasco.

Salvador

“Aqui, em Salvador, houve uma pequena concentração em frente à reitoria da Universidade Federal da Bahia – UFBA. A presença de colegas da Saúde Coletiva foi marcante, e combinamos que, em maio, organizaremos uma atividade que possa vir a ter maior impacto”, anunciou o professor Luis Eugenio de Souza, ex-presidente da Abrasco e coordenador do Comitê de Ciência e Tecnologia da Abrasco.

Brasília

“Aqui em Brasília participaram quase 200 pessoas, incluindo muitas crianças: muito envolvimento de docentes da Saúde Coletiva, mas poucos alunos. A Faculdade de Saúde e a Saúde Coletiva estiveram à frente da organização”, registrou Leonor Pacheco, membro da diretoria da Abrasco e ainda do GT Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva da Associação.

“A Marcha Pela Ciência, saiu do Museu da República em Direção ao Congresso Nacional. Uma parada em frente ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, para cantamos o Hino Nacional, constatando que ‘um filho teu não foge à LUTA, Pátria Amada Brasil’… No Congresso Nacional, estudantes, professores, pesquisadores, amigos da ciência, gritaram em uma só voz:
‘Não, Não, Não, aos cortes da Ciência’. Vários cartazes diziam: Sem Ciência não há vida e sem financiamento não há Ciência!; Pela Autonomia e Soberania das nossas Pesquisas; e ainda A sociedade pode acumular riqueza, mas sem a ciência permanecerá pobre. O ponto alto da Marcha, para além das falas das entidades presentes: SBPC, CEBES, ABRASCO, FIOCRUZ, Ibama, ANPG, foram os pais com seus filhos, as crianças desenharam em papel o seus sonhos para o futuro da ciência. Outro ponto alto foi a Homenagem que fizemos aos grandes cientistas brasileiros e do mundo, entre eles: Nísia da Silveira, Osvaldo Cruz, Sigmund, Freud, Carlos Chagas. Foi uma festa da Democracia. A luta só começou, 28 de abril vem aí, Junt@s outra vez!”, convida *Maria Fátima Sousa, professora do Departamento de Saúde Coletiva, da Faculdade de Ciências da Saúde, da Universidade de Brasília e associada Abrasco, já antecipando a greve geral marcada para 28 de abril, contra as reformas previdenciária e trabalhista.

Rio de Janeiro

Sob chuva, cerca de 150 pessoas participaram da Marcha Mundial pela Ciência no Rio, em frente ao Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Elas protestaram contra os cortes no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), que chegam a 44% e resultam na redução de bolsas acadêmicas e de investimentos em pesquisas e em laboratórios. Guilherme Franco Netto, da diretoria da Abrasco e membro do GT Saúde e Ambiente, representou a Associação, juntando-se ao coro que pontuava “Ciência não é gasto, é investimento” com tesouras gigantes, numa crítica aos cortes.

A Marcha pela Ciência reuniu mais de 500 cidades no globo. No Brasil, participaram cerca de 25 municípios. A sede mundial da Marcha foi em Washington, nos Estados Unidos, onde o movimento se originou, leia aqui o agradecimento feito pela marchforscience.com que anuncia: The March is just the beginning. Join the movement.

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