Novos diretores de unidades da Fiocruz pontuam SUS e democracia

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Esta semana vários diretores assumiram unidades da Fundação Oswaldo Cruz para a gestão 2017-2021, sempre pontuando a luta pelo fortalecimento do Sistema Único de Saúde – SUS e destacando a importância da democracia interna da Fundação, por meio dos processos eleitorais. Hermano Castro, um dos coordenadores do GT Saúde e Ambiente da Abrasco, foi reconduzido ao cargo de diretor da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca – ENSP e Rodrigo Murtinho de Martinez Torres, membro do GT Comunicação e Saúde da Abrasco, recebeu o cargo de diretor do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde – Icict sucedendo a Umberto Trigueiros Lima.

Houve ainda transmissão de cargo no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira – IFF de Carlos Maciel para Fábio Russomano; transmissão de cargo de diretor do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas – INI de Alejandro Marcel Hasslocher Moreno para Valdiléa Gonçalves Veloso dos Santos. No Instituto de Tecnologia em Fármacos – Farmanguinhos, houve a cerimônia de posse do 9º diretor da unidade, Jorge Souza Mendonça. Na Fiocruz Bahia houve transmissão do cargo de Diretora à pesquisadora Marilda de Souza Gonçalves.

A Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio – EPSJV também tem nova direção a partir deste mês. Anakeila de Barros Stauffer irá comandar a Escola até 2021. A cerimônia de transmissão de cargos na EPSJV foi realizada no dia 2 de junho, juntamente com a posse dos novos vice-diretores da escola.

Na cerimônia de recondução ao cargo de direção da ENSP, Hermano Castro pontuou a conjuntura – “Ao me reeleger, a ENSP faz uma aposta num determinado modelo de gestão, mas a conjuntura atual é diferente de quaro anos atrás. A Fiocruz precisa estar unida para enfrentar o que está lá fora. O futuro é duvidoso. A cada dia sofremos mais agressão aos direitos trabalhistas.” Ele ressaltou que o novo mandato vai ser marcado por três princípios: defesa do SUS, transparência pública e defesa da democracia participativa.  A cerimônia contou ainda com a conferência O Desafio da Conjuntura e a Saúde no Brasil, com a professora e pesquisadora da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas e cientista política Sonia Fleury, coordenada pelo pesquisador Paulo Amarante, que a elogiou por ter trazido para a saúde coletiva a reflexão profunda da área de Ciência Política. Amarante brincou com Sonia lembrando o título de musa da 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986, que ela ganhou. A palestra de Fleury foi uma injeção de ânimo para os descrentes da política brasileira.

“O que dizer sobre a conjuntura nacional?”, perguntou Sonia e, ao mesmo tempo, respondeu: “Não tenho bola de cristal. Não está fácil ser analista de conjuntura.” Para Fleury, o que separa a direita da esquerda é a Campanha “Nenhum direito a menos” porque as “Diretas Já” e o “Fora Temer” são defendidos pelos dois lados. Na opinião dela, é necessário conquistar o centro, “porque o Brasil não é, e nunca foi, de esquerda.” Mas chamou a atenção no sentido de não podermos reproduzir nas instituições o discurso fragmentário que está na sociedade. “Faço votos que consigamos nos unir aqui. A Ciência tem a capacidade para transformar a realidade, torná-la mais justa. Temos que construir bases de coalizão para fazer frente a essa realidade.” Ela salientou, no entanto, que o debate coletivo tem a função também de aporte emocional, para diminuir a descrença da política nacional. “Se desacreditamos dela, o que nos sobra?” E acrescentou: “ Política é o lugar que tem regras e valores; é o que nos faz diferente como humanos, caso contrário, é a barbárie. Temos que juntar forças para que não seja desmontado o capítulo da Ordem Social da Constituição Federal de 1988 (seguridade social, saúde, previdência social, assistência social, educação, cultura, desporto, ciência, tecnologia e inovação, comunicação social, meio ambiente, índios, e família, criança, jovem e idoso), como vem acontecendo, pois ele foi uma grande conquista.”

Ao encerrar, Fleury alertou para a “3ª Reforma Sanitária” em curso. A 1ª criou o Sistema Único de Saúde, e a 2ª introduziu as organizações sociais no sistema. Para ela, essa “3ª Reforma”, que o governo João Doria já está fazendo em São Paulo, é a criação do Sistema Nacional de Saúde, unindo a rede pública e privada, dando maior poder de decisão ao setor privado para desenhar a Política Nacional de Saúde. Essa reforma, disse ela, quer, na verdade, acabar com a Reforma Sanitária, que começou nos anos 1970, e cujo resultado foi garantir, na Constituição, por meio de emenda popular, que a saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado. Então, “não basta resistir, temos que atualizar o projeto nacional desenvolvimentista, soberano, sustentável, universal e inclusivo. É um enorme desafio a construir.”

Na cerimônia de posse da nova diretoria do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde, Rodrigo Murtinho reafirmou a missão do Icict na defesa e promoção da comunicação e informação para a saúde, Murtinho enumerou os três pilares de seu programa: fortalecimento institucional, gestão participativa e defesa de direitos. Dentre suas propostas, Murtinho pretende realizar uma avaliação do ambiente institucional e das condições estruturais.

Para a gestão participativa, Murtinho ressaltou a importância das instâncias colegiadas de tomada de decisão, citando as vice direções, câmaras técnicas e conselho deliberativo, mas destacou a participação coletiva. “Encontramos pessoas mobilizadas, interessadas e dispostas a colaborar com a construção da nossa unidade”, declarou. “Todos, absolutamente todos, são fundamentais para que o Icict avance em seu projeto, cumpra seu papel institucional e fortaleça a atuação da Fiocruz como instituição pública e estratégica de Estado”.

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