Movimento da Reforma Sanitária debate participação popular


Dia 30 de maio, o auditório João Yunes, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, recebeu o Fórum Ampliado do Movimento da Reforma Sanitária. Mesmo numa instituição em greve, o Fórum contou com a participação de estudantes, professores, representantes de sindicatos e de entidades interessados na defesa do SUS e na luta pelo direito universal, equânime e gratuito à saúde.

Nas ideias trazidas para o debate, muito se falou sobre os novos desafios que se impuseram e as forças contrárias a existência de um sistema público de saúde que têm se articulado para conquistar maior espaço para os seus interesses.

Também esteve em pauta a atuação dos movimentos populares de junho de 2013 que foram às ruas para exigir melhor qualidade dos serviços públicos e mais bem estar social. Além da proximidade das eleições de 2014 – que constituem um momento de alta relevância para debater e exigir dos candidatos mais avanços na saúde, e também uma nova agenda para a saúde do país, tornando-a pauta e compromisso dos candidatos durante as próximas eleições.

Nas intervenções, Luis Eugenio Souza (presidente da Abrasco) abordou as peculiaridades nas mais recentes manifestações populares, ‘Estamos diante de uma crise de representatividade mesmo nas greves, é um agir sem comando, e pergunto com quem temos que dialogar? No caso da saúde em particular, vemos mais uma vez um ataque muito forte às parcerias do desenvolvimento produtivo. Precisamos debater com urgência o problema do repasse de recursos para a saúde nos estados’, avalia Eugenio.

Nelson Rodrigues dos Santos (Idisa – Instituto de Direito Sanitário Aplicado) lembrou que é preciso aceitar que estamos num processo sério de busca, mesmo com toda a experiência e acumulo de intervenção, no Movimento da Reforma Sanitária ‘temos que ser extremamente criativos para enfrentarmos com competência esses desafios. Pergunto se o Estado neo liberal está fragmentando a sociedade? Estou inclinado a participar desta vertente que diz que o Estado está se esgotando. É a minimização das políticas públicas e a maximização do direito do consumidor, estaremos pregando no deserto?’ questiona Nelsão.

Ana Maria Costa (Cebes – Centro Brasileiro de Estudos de Saúde) chamou a atenção para a participação dos alunos de graduação em saúde coletiva ‘estamos mobilizando os alunos de graduação, juntamente com os movimentos sociais. Deveríamos pensar em perder nossa identidade interna de reforma sanitária para abraçar outros movimentos’ enfatiza. Uma aproximação com as lideranças foi o tópico levantado por Paulo Capucci ( APSP – Associação Paulista de Saúde Pública) ‘identificar os espaços, fazer parte, explorar um pouco que perspectivas as representações têm hoje no contexto. Eu defendo que radicalizemos esta palavra de ordem, que adotemos uma palavra que mobilize as pessoas, que mobilize a questão da saúde em nosso país’, reflete Capucci.

Universidades militantes

Sobre a relação com os movimentos sociais, Carlos Botazzo (Comissão Nacional da Verdade/ APSP) sugeriu 3 compromissos para o Movimento da Reforma Sanitária: a necessidade da Academia para buscar a formação de lideranças populares na saúde, e que o Movimento se una à essas lideranças; sobre a produção do conhecimento, Botazzo avaliou que as agendas de pesquisa precisam levar em conta as necessidades populares, aquilo que movimentos sociais estão demandando; e por fim sugere ‘Que a gente abra as universidades, e que, não só, acolhamos esses militantes populares como também saiamos para a rua, em aulas públicas’

O Fórum contou ainda com a participação de Rosa Maria Marques (Abres – Associação Brasileira de Economia da Saúde) e Regina Parizi (SBB – Sociedade Brasileira de Bioética). E foi recebido pela professora Marilia Louvison (APSP).

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