Jean Pierre Leroy fala sobre direitos, justiça ambiental e políticas públicas em conferência no 2º Sibsa


Para falar sobre “Direitos, justiça ambiental e políticas públicas”, tema de sua conferência na abertura do 2º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente, em Belo Horizonte, o pesquisador Jean Pierre Leroy, da RBJA, defendeu a retomada do sentido de simbiose das sociedades na contemporaneidade, explicando que a saúde é o termômetro desse processo. “Se a saúde não vai bem, o mundo não vai bem”, enfatizou.

Além de separar os sentidos de desenvolvimento, citando processos como intervenções ambientais para construções de represas e sua relação direta com as populações envolvidas, Leroy afirmou que os direitos são arbitrários, principalmente aos que se referem ao território. “O Congresso que é dominado pelo agronegócio, quer se atribuir do direito e dever de definir onde haverá povos indígenas, autorizar. Mas os índios já existiam. É ainda mais arbitrário quando o Governo Federal atribui essa decisão aos Estados. Quando liberam, por exemplo, a construção de hidrelétricas indo contra à Constituição Federal”, disse.

De acordo com Leroy, justiça ambiental é uma luta travada para que ninguém entre na condição de atingido. “É um grito dos que não aceitam ser destruídos, eliminados, silenciados pela injustiça e pelo processo de desenvolvimento capitalista. Querem fazer de nós vítimas por um desenvolvimento ultrapassado que não tem futuro. Justiça ambiental é além do grito, uma afirmação de algo que interpela toda a sociedade que diz que não podemos mais pensar um futuro para a sociedade brasileira, sociedade humana, sem que o meio ambiente faça parte de nossa vida. Eu fico muito contente com isso. Há 20 anos se ouvia que os ambientalistas diziam que vai faltar água, que vai faltar aquilo. Hoje é o grito do povo que diz isso”, ressalta.

Leroy disse que atualmente está ocorrendo um repovoamento dos territórios. Aquelas localidades que foram esvaziadas estão voltando a se repovoar e isso exige uma nova dinâmica, outra dinâmica ambiental. “Nesse sentido, reforma agrária não é só uma coisa de assentamento.  É um grande projeto de reconstituição do território, da agroecologia, menos das minorias, é algo fundamental para as políticas, para a saúde. Sabemos que a agricultura familiar é capaz de dar comida à cidade. Não é a economia do pobre para o pobre. Não é uma autoeconomia só para quem vive na área rural. Sua potencialidade é muito maior”, enfatizou.  Para o pesquisador, as populações das cidades precisam assumir o valor do rural, que incorporem o rural como parte indissociável, dentro de um processo simbiótico. “Se a gente não realiza que o nosso futuro é ligado ao rural, por causa das águas, da alimentação, do clima, estamos fadados ao fracasso. Esse é o primeiro grande desafio”, afirma Leroy. O segundo desafio, segundo ele, é fazer com que as políticas públicas sejam construídas com a população. “Uma política que vem de cima para baixo tem pouca condição de dar certo. É preciso reavaliar a participação existente. Que tipo de escuta? Que tipo de participação está havendo? Que vozes falam?”, contestou.

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