Início da 16ª gestão e rumo aos 42 anos da Abrasco – discurso de posse de Rosana Onocko Campos

Prezados abrasquianes, abrasquianas e abrasquianos:

Quero começar estas breves palavras me referindo a dois sentimentos com os quais tenho aprendido a andar a vida: alegria e gratidão.

Não imaginam a alegria imensa que sinto por estar em este lugar hoje, assumindo a responsabilidade da presidência de nossa Associação. Defender a alegria tornou-se revolucionário nos tempos que correm.

Gratidão a todos meus mestres (muitos dos quais estão aqui hoje) como o Prof. Nelsão, o Prof. Fito Chorny e a Profa. Ana Malik, nas pessoas deles vai a minha gratidão enorme a todos os grandes mestres que a Saúde Coletiva Brasileira me brindou ao longo destes anos.

Tenho consciência de que pegamos o leme da nossa gloriosa instituição em tempos difíceis, de mares tenebrosos. Mas, como disse o poeta “navegar é preciso”; e sei que constituímos nesta nova diretoria uma equipe extraordinária, motivada e diversa para poder chegar a bom porto.

Seremos a terceira gestão da Abrasco a trabalhar com uma vice diretoria ampliada de 10 pessoas e um Conselho também de 10 instituições. Procuramos compô-la trazendo o máximo possível de diversidade: de gênero, racial, geográfica. A diretoria que inicia seus trabalhos hoje buscou articular a sabedoria e expertise de alguns abrasquianos mais experientes com a pujança, energia e criatividade de jovens e novos pesquisadores e professores de nosso campo. Penso que isso reflete, também, a vitalidade da Saúde Coletiva como um campo vivo e sempre renovado.

Abrasco nunca se furtou à luta e sempre defendeu e defenderá a democracia, a justiça social e o direito à saúde. Nisso, ela se junta a outras entidades da sociedade civil que tem dado mostras de coragem e articulação nos tempos infames que vivemos. Mas, dentre todas elas – nossas grandes parceiras, a Abrasco tem uma característica preciosa que deve ser preservada e que é sua especificidade de representação de um campo – o da Saúde Coletiva – que aglutina o melhor do pensamento científico e um grande engajamento de milhares de profissionais e trabalhadores da saúde, todos unidos na defesa da saúde e dos direitos do povo brasileiro.

Abrasco tem hoje mais de 2000 associados, 3 Comissões de áreas (Ciências sociais, Política, Planejamento e gestão e Epidemiologia); 2 comitês (Ciência e tecnologia e Relações Internacionais); 21 Grupos de trabalho; 3 Fóruns e 2 Revistas.  Essa estrutura interna vem se consolidando ao longo dos anos e tenho certeza de que sem ela a precisão e a prontidão de resposta de nossa associação (demonstrada claramente  nos últimos tempos) não poderia ser conquistada.

Abrasco conta também com uma equipe técnico-administrativa excelente. Na administração, na Secretaria Executiva e na Comunicação, eles deram mostras de grande competência e dedicação, manejaram brilhantemente a obrigatória transição brusca do modo presencial para o virtual que nos trouxe a Pandemia (exemplos disso foram o Congresso de Políticas e esta última eleição, primeira da Abrasco a ser totalmente virtual). Eles serão fundamentais nos próximos três anos.

Me referia há pouco aos mares tenebrosos e acho que precisaremos nos manter muito atentos e bem apetrechados na defesa da Ciência e Tecnologia e na defesa das Universidades Públicas.

Na nossa gestão “Resistir e avançar 2.0” vamos realizar, já a partir da segunda feira, um intenso trabalho de organização e planejamento de nossas ações. Queremos estimular um trabalho interno de interseccionalidade com maior articulação dos GTs, GTs e Comissões para produzirmos respostas temáticas à altura dos desafios que o Brasil nos apresenta. Dentre alguns deles pensamos: enfrentamento do tema da inclusão social (racial, de gênero, de idade e de discapacidade); enfrentamento da desigualdade regional brasileira com foco nos desafios ambientais  e da Amazônia e enfrentamento da violência (policial e institucional). Esses são alguns dos temas interseccionais que pensamos e que iremos aprimorando ao longo deste primeiro mês de diagnóstico e planejamento.

E com isto quero trazer um terceiro afeto que também acho revolucionário em tempos tenebrosos: a esperança.

A pandemia vai passar, este governo infame vai passar e nós precisaremos estar prontos, com soluções a oferecer para reconstruir sobre as ruínas.

O presente que habitamos é um tempo de violências, e, pelo tanto traumático. Em momentos assim  – quem trabalhamos no campo da subjetividade sabemos – cria-se uma espécie de estado confusional. Ali recuperar a capacidade de pensar e refletir torna-se estratégico.

A enxurrada de barbaridades a que assistimos todo dia destina-se a impedir nossa capacidade de pensar, de sonhar, de criar. A ela vamos contrapor o desenvolvimento de “um lugar e um tempo” – como dizia Winnicott –no qual possamos pensar e inventar soluções para os mares mais calmos que aguardam nosso braço pela frente. Porque – parafraseando o poeta – “a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista deve continuar”

Salve a esperança! Viva Abrasco! Obrigada a todos pela confiança!

Rosana Onocko Campos

30/7/21

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