Impeachment preocupa setores da saúde, educação e meio ambiente


A opinião do presidente da Abrasco, professor Gastão Wagner de Sousa Campos, sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, foi publicada no jornal O Estado de Minas, desta segunda-feira, 7 de dezembro. Confira o texto na íntegra:

A possibilidade de o país parar por uns meses e a instabilidade política gerada pelo processo de impeachment preocupa representantes de setores estratégicos no país, entre eles, educação, saúde e meio ambiente. O clima de apreensão maior está na saúde por causa da necessidade de se controlar a proliferação do Aedes aegypti em todo o país. Além da dengue e da chikungunya, o mosquito é vetor de transmissão da febre zika, que está provocando uma geração de bebês com microcefalia, especialmente, no Nordeste brasileiro.

O presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, Gastão Wagner, defende que o processo de impedimento da presidente não pode interferir nas ações do Ministério da Saúde, pois a pasta é o motor do Sistema Único de Saúde e a situação já está grave o suficiente. Wagner ressalta que há uma certa autonomia de custeio nos pagamentos aos hospitais, mas ele teme uma irregularidade nos repasses dos ministérios da Fazenda e do Planejamento. “Já está complicado em relação a novos investimentos e expansão da rede, mas não é concebível que a pasta até a crise política acabar, porque o dano à sociedade é muito grande.”

Para Wagner, a maior preocupação é com o atual surto de microcefalia causado pelo zika vírus. O especialista comenta que, mesmo com o sistema de saúde funcionando a pleno vapor, o desafio de combate ao mosquito é imenso. “Temos que mudar o padrão de enfrentamento à dengue e as outras doenças, porque o sistema de controle está fracassado. Se instituirmos um padrão letárgico no enfrentamento, a tendência é de que essa tragédia aumente.”A diretora-executiva do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), Ana Maria Costa, concorda que o momento é de muita preocupação e uma possível parada é temerária. “Não podemos dizer às pessoas ‘olha, ninguém fica doente até os políticos se resolverem, tá?’. As coisas não funcionam assim.”

Especialistas também temem que aconteça um retrocesso na educação. O professor da Universidade Católica de Brasília Célio da Cunha comenta que, nos últimos anos, o setor teve uma evolução em termos de orçamento e obteve muitas conquistas com programas como o Ciência sem Fronteiras e o Pronatec. “Toda essa crise afeta esses programas e iniciativas que estavam contribuindo com o desenvolvimento da educação. Até superarmos isso, tudo fica prejudicado.”

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