Gastão Wagner participa das conferências estaduais do RJ e do RS


Na reta final do prazo das etapas intermediárias para a 15ª Conferência Nacional de Saúde (15ª CNS), Gastão Wagner de Sousa Campos, presidente da Abrasco, participou de duas conferências estaduais: no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro.

Realizada de 18 a 20 de setembro no Estádio Araújo Vianna, em Porto Alegre, a sétima conferência estadual gaúcha contou com cerca de 2.500 participantes, entre delegados e convidados. Na manhã do dia 19, o presidente da Abrasco fez uma palestra sobre Gestão do SUS e Modelos de Atenção à Saúde, refletindo sobre o presente e o futuro do sistema. As propostas aprovadas pela 7ª Conferência Estadual de Saúde do RS já estão disponíveis para consulta.

Os principais eixos abordados por Gastão Wagner na capital do sul também compuseram sua fala na conferência fluminense, realizada de 01º a 04 de outubro, no estádio do Maracanãzinho, na cidade do Rio de Janeiro. A mesa de abertura contou também com a participação de Valcler Rangel, vice-presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em representação do Ministério da Saúde; Haroldo Pontes, assessor técnico do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Marcelo Pires de Mendonça, da Coordenação Geral da Secretaria Geral da Presidência da República; além de parlamentares estaduais, autoridades sanitárias locais e de Felipe dos Santos Peixoto, secretário estadual de saúde.

O presidente da Abrasco falou para mais de quinhentos participantes e serviu-se de uma conhecida metáfora para situar o atual momento do sistema de saúde brasileiro. “Tenho dito que o SUS é um copo com água meio cheio. Cabe a nós encher a outra metade. Mas ela também pode ser esvaziada. E é o que tem acontecido. O SUS tem sido esvaziado, tem sido atacado e nós temos de defendê-lo”.

Gastão Wagner centrou sua fala no direito à Saúde, que passa necessariamente por um orçamento que estenda a qualidade já alcançada e reconhecida das ações e práticas de ponta do SUS à maioria da população, com aplicação determinada pela necessidade, integralidade e participação social. “Quando a gente pedir mais recursos para o SUS, a gente tem de dizer onde e para que a gente quer utilizar esses recursos, para a gente não ficar pedindo dinheiro para ser escoado para a privatização, para os caixas dois. […] Vamos lutar pôr mais recursos dizendo onde vamos investir, em cada município, em cada região, separando por hospital, por maternidade, por clínica, por CAPS, por programa”.

Ele criticou o uso político dos cargos do setor e da nomeação de gestores sem compromisso com a política constitucional de saúde e apresentou sua proposta de regionalização e de carreira única, conhecida como SUS Brasil, “uma autarquia pública única, organizada pelas regiões de saúde e que metade dos investimentos – sejam municipais, estaduais e federais – tenha o planejamento feito nas regiões, coordenadas por Conselhos Regionais de Saúde, pelos secretários, pelo Ministério da Saúde, por profissionais de saúde e com metade da representação composta por usuários. Dessa forma, vamos poder dizer quais recursos estão faltando para Atenção Primária, onde está faltando leito. Assim, nos tornamos mais solidários e paramos de brigar entre a gente.”

Abordou também pontos polêmicos que precisam constar dos debates das conferências, como enfrentamento à violência com inteligência e a descriminalização das drogas e regulação do consumo. Ao final, Gastão convocou a todos a serem ativistas do SUS e, por consequência, da vida. “Temos de ganhar a sociedade e mostrar que a política tem de estar a favor do ser humano”, desejando a todos uma boa conferência.

+ Acesse aqui a fala de Gastão Wagner na íntegra

Para todas as conferências: Além de ambas as participações, Gastão gravou um depoimento em vídeo para a Comunicação da 15ª Conferência Nacional de Saúde. Ele fala de temas como financiamento do SUS, Saúde e Democracia e o Trabalho em Saúde, e destaca que há uma contra-reforma sanitária promovida pelo mercado e pelas forças políticas neoliberais, que se concretiza nas propostas contrárias às bases do SUS que tem ganhado cada vez mais espaço no Congresso Nacional. Confira o vídeo na íntegra.

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