Cidades sustentáveis e saudáveis: microcefalia, perigos do controle químico e o desafio do saneamento universal


A Abrasco manifesta-se através da atuação dos Grupos Temáticos de Saúde e Ambiente; Saúde do Trabalhador; Vigilância Sanitária; Promoção da Saúde e Desenvolvimento Sustentável e ainda Educação Popular em Saúde, sobre a epidemia de microcefalia. O documento pretende aprofundar reflexões, questionamentos e fazer proposições que possam orientar as políticas públicas na intervenção preventiva frente ao surto.

O crescimento exponencial da epidemia de dengue (em 2015, o Ministério da Saúde registrou 1,649,008 casos prováveis desta virose no país e houve um aumento de 82,5% dos óbitos em relação ao ano anterior). A expansão territorial da infestação pelo Aedes aegypti atestam o fracasso da estratégia nacional de controle. Com o surgimento da epidemia do zika vírus, com repercussões ainda mais danosas ao ser humano, urge a revisão de nossa política e do programa de controle da infestação dos Aedes visando impedir a ocorrência de epidemias por arbovírus.

Vários fatores estão envolvidos na causa dessa tragédia sanitária. Trata-se de um fenômeno complexo. Para a Abrasco, a degradação das condições de vida nas cidades, saneamento básico inadequado, particularmente no que se refere à dificuldade de acesso contínuo a água, coleta de lixo precária, esgotamento sanitário, descuido com higiene de espaços públicos e particulares – são os principais responsáveis por esse desastre.

Observa-se que a distribuição espacial por local de moradia das mães dos recém-nascidos com microcefalia (ou suspeitos) é maior nas áreas mais pobres, com urbanização precária e  saneamento ambiental inadequado. Nestas áreas, o provimento de água de forma irregular ou intermitente leva essas populações ao armazenamento domiciliar de água de modo inadequado, condição muito favorável para a reprodução do Aedes aegypti.

Associa-se a isto a debilidade do Sistema Único de Saúde – SUS e do Estado brasileiro para enfrentar este problema. Não há integração entre municípios, estados e União, o que impede a implementação de ações sincronizadas. Defendemos a constituição de estruturas de Vigilância à Saúde, em cada uma das 400 Regiões de Saúde, com unificação de recursos visando planejamento e gestão das ações tanto dos municípios quanto de estados e União.

O enfrentamento destas epidemias necessita de ações que atuem em curto e médio prazo: – Apoio e articulação de pesquisas voltadas para produção de vacinas, com prioridade para o zika vírus; estudos para produzir  conhecimentos da epidemia desta doença, definindo cientificamente seu modo(s) de transmissão, danos ao sistema nervoso, desenvolvimento em escala de testes clínicos, dentre outras inciativas . – Controle da infestação de Aedes, por meio do desenvolvimento de ações imediatas em larga escala de destruição de criadouros e  melhoria das condições sócio-ambientais de nossas cidades. É importante assinalar que estas intervenções urbanas precisam ser realizadas de forma contínua e sistemática, e não como campanhas sanitárias pontuais. O terceiro tipo de ação se refere ao cuidado preventivo e atenção à saúde das pessoas expostas ao risco e infectadas.

O Ministério da Saúde declarou  Estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, desencadeando a intensificação do controle do Aedes aegypti pelos mesmos métodos ineficazes e perigosos utilizados há 40 anos.  É preciso problematizar o uso de produtos químicos numa escala que desconsidera as vulnerabilidades biológicas e socioambientais de pessoas e comunidades. O uso de tais substâncias pela Saúde Pública não tem tido efetividade, não diminui a infestação pelo Aedes e provoca danos sérios às pessoas. Os compostos organofosforados e piretroides causam graves efeitos deletérios para o sistema nervoso central e periférico, além de provocarem náusea, vômito, diarreia, dificuldade respiratória e sintomas de fraqueza muscular. No Brasil, municípios e estados têm utilizado estes produtos de maneira desastrosa. Infelizmente, não se produziu ainda consenso sobre o uso destes produtos em Saúde Pública. Agências internacionais de Saúde Pública, como o Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda incluem o uso destes venenos, particularmente larvicidas e fumigação para diminuir a população de insetos voadores.

Preocupa-nos o uso intensivo de produtos químicos sabidamente tóxicos, como o Malathion, um verdadeiro contra senso sanitário. Este produto é um agrotóxico organofosforado considerado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) como potencialmente cancerígeno para  seres humanos.

No Estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, recentemente decretado pelo Ministério da Saúde, está sendo preconizado o uso de larvicida diretamente nos carros-pipas que distribuem água nas regiões do Agreste e Sertão do Nordeste. Alertamos que esta é a mais recente ameaça sanitária imposta pelo modelo químico dependente de controle vetorial.

A Abrasco questiona: por que não foram priorizadas até agora as ações de saneamento ambiental, estratégia que parece ficar ainda mais distante? O que de fato está sendo feito para o abastecimento regular de água nas periferias das cidades? Como as pessoas podem proteger a água para consumo? Por que apesar de muitas cidades terem coleta de lixo regular, ainda se observa uma quantidade enorme de lixo diariamente presente no ambiente? E a drenagem urbana de águas pluviais? E o esgotamento sanitário?

Nós, sanitaristas e pesquisadores da Saúde Coletiva, reivindicamos das autoridades competentes a imediata revisão do modelo de controle vetorial. O foco deve ser a eliminação do criadouro e não do mosquito adulto. Os Grupos Temáticos da Abrasco desenvolveram estudos e exigem a suspensão do uso de produtos químicos e outros biocidas (ver Nota Técnica), com profundas mudanças na operacionalização do controle vetorial mediante a adoção de métodos mecânicos de limpeza e de saneamento ambiental. É necessário proteger a qualidade da água para consumo humano e garantir sua potabilidade.

O amparo às famílias acometidas pelo surto de microcefalia deve ser dado mediante a uma política pública perene, , com especial atenção ao pré-natal. Uma agenda de pesquisa deve ser proposta prevendo ampla oportunidade para que grupos interdisciplinares possam aportar novos conhecimentos em uma perspectiva transparente e participativa.

Destaca-se que todas as medidas de controle vetorial devem ser realizadas com ampla mobilização social no sentido da proteção da Saúde Pública, priorizando-se as medidas de saneamento ambiental, e orientadas pelos princípios da Política Nacional de Educação Popular em Saúde.

Não pode ser adotado um discurso de responsabilização unilateral das famílias pelo controle do Aedes, eximindo o poder público de seu dever de realizar uma ampla reforma urbana em curto espaço de tempo: Cidades saudáveis e sustentáveis: este é o desafio urgente.

 

Rio de janeiro, 2 de fevereiro de 2016,

Abrasco – Associação Brasileira de Saúde Coletiva

Comments

comments

34 comentários sobre “Cidades sustentáveis e saudáveis: microcefalia, perigos do controle químico e o desafio do saneamento universal

  1. Tenho refletido muito sobre estas epidemias causadas por , dentre outras coisa, falta de educação e de higiene da população. Não se tem no Brasil a higiene necessária para o combate de doenças por classe social, idade ou raça. É geral. Pergunto, o Brasil investiu bilhões no Programa Mais Médicos mas os dados epidemiológicos são escandalosos para todos. Podemos pensar no fracasso do Programa ou na sua eficiência diminuindo os indicadores de tais doenças. Como estaríamos hoje sem este Programa que leva médicos às casas dos brasileiros falando de higiene, promoção e prevenção. Talvez a saúde pública não aguentaria a epidemia . Só conseguiremos combater tal doenças se mudarmos a atitude da população e o poder público veja a a promoção como economia de escala.

  2. Gostaríamos de nos associar a esta manifestação tão feliz e oportuna da ABRASCO.

    Há 5 anos defendemos que se assuma uma posição mais explícita em favor da incorporação da questão urbana na nas políticas de saúde coletiva, no Brasil.

    Em 2013 tivemos uma experiência com uma epidemia de Dengue em uma comunidade pequena que acompanhamos há 4 anos, a Vila Sossego, em Porto Alegre, e desde então temos defendido contra a ênfase na fiscalização de pratinhos de vasos como estratégia de erradicação do Aedes.

    (ver http://www.sibsa.com.br/resources/anais/4/1441370268_ARQUIVO_DenguenaVilaSossego_SegundoSimposioBrasileirodeSaudeeAmbiente.pdf )

    Neste momento em que mais agentes de endemias e agentes comunitários de saúde do SUS estão sendo mobilizados, queremos insistir que eles, ao invés de fiscalizarem pratinhos, ajudem as populações locais a identificarem focos comunitários prováveis – locais com disposição inadequada de lixo, obras e habitações abandonadas, depósitos de sucata, e levem às populações locais informações sobre como mobilizarem os agentes públicos e políticos para o cumprimento do seu papel com relação ao saneamento urbano (nomes e telefones de instituições, bancadas de partidos, jornais…. Todos aprenderiam muito no processo.

    Cumprimentamos a ABRASCO por esta manifestação e desejamos que ela marque uma mudança de rumo na saúde coletiva brasileira. O SUS foi uma grande vitória do movimento sanitário, mas a saúde vai muito além do SUS, o que todos os participantes e contemporâneos daquele movimento, como o atual Presidente da ABRASCO – sempre souberam muito bem!

    Atenciosamente,

  3. A nota da ABRASCO finaliza chamando a mobilização e sublinhando a imprescindibilidade da educação popular em saúde.

    Há pelo menos três décadas trafego nesta estrada, junto a outras companheiras e companheiros. E na última década potencializamos nossas ações com a ONG Viramundo, o Curso de Educação em Saúde e Saneamento Ambiental da PUC-Rio e mais recentemente por meio do Sesc do Rio de Janeiro, com certezas acumulando-se com relação à abordagem participativa e inclusiva.

    No encontro da Alames em novembro passado, que antecedeu a Conferência Nacional de Saúde em Brasília, foi nossa a passagem da “Carta de Brasília” destacada adiante entre colchetes: Sobre a educação e a formação popular. Transformar e integrar radicalmente em favor dos interesses populares, os processos de educação, de investigação, de inovação e de formação, tanto nas instituições, como nos movimentos e organizações sociais, [privilegiando práticas e modos participativos amplos].

    A quem se interessar pela metodologia que empregamos salientando a educação em saúde e saneamento ambiental através de tecnologias de comunicação comunitária – fotovoz & vídeos participativos —, recomendo acessar o link http://www.viramundo.org ou http://yparhub.berkeley.edu/in-action/ypar-in-brazil/ (este último cedido pela UC-Berkeley em reconhecimento à nossa iniciativa genuinamente nacional).

  4. Enfim, como era de se esperar a ABRASCO não seria ser omissa diante da grave situação epidemiológica em que a população Brasileira foi primeiramente atingida. É muito grave o atual quadro epidemiológico como também suas conseguencia:a espoliação do agravo, abstinência ao trabalho, consumo maior de medicamentos e serviços de saúde já precários e pode até influenciar no controle da natalidade das atuais gerações.Tudo resultado de uma política pública existente há mais de 30 anos, equivocadas e propositalmente direcionadas a todas instituições.

  5. Medidas educacionais sobre higiene ambiental e espaços físicos residenciais, escolares, comerciais e sociais são direitos e deveres de todos os cidadãos. Lixos e água presentes aleatoriamente nas ruas, quintais, e propriedades públicas e também privadas, demonstram que o problema com o mosquito e com a zika “não é um problema relacionado à pobreza”. É um problema acentuado pelo desvio de dinheiro público, que deveria ser aplicado visando a qualidade de vida dos cidadãos brasileiros, minimamente, propiciando–lhe água potável, saneamento básico, educação sanitária nas escolas (orientação de base p as crianças, pais e professores), orientando e fomentado novos cidadãos formadores de opinião sobre esses temas e suas consequências.

  6. A construção de conhecimento depende da qualidade da informação coletada, principçamente, pela Vigilância Epidemiológica. Nos últimos anos assistimos a um desmonte do sistema de informação. Pessoas moram em cidades, a informação que vem sendo disponibilizada só se refere ao país e estados deixando a impressão de que é intencional disponibiliza-la dessa forma.

  7. Sou Enfermeira do ESF Santa catarina(Natal-Rn) da SMS. Especialista em Saúde da Família.Estou Muito feliz que a ABRASCO Tenha publicado esta nota, que condiz com meus estudos na prática. Estou muito preocupada com o foco que as medidas do Ministério da Saúde tem tomado como políticas públicas. Ineficaz e Prejudicial a Saúde Humana e ambiental. Sem falar com o número de ACS de de endemias afastados de suas funções pelo uso de produtos químicos prejudiciais a sua saúde no exercício de suas funções.

  8. Parabéns pela divulgação desta matéria e também pela iniciativa de encarar o problema com a seriedade devida.
    Sou enfermeira num município do interior do Paraná e percebo que as medidas são ineficientes e que nossas necessidades são outras, apontadas corretamente pela publicação.
    Sugiro que vocês façam resumos ou matérias pontuais para divulgação em sites e redes sociais, como facebook e whatsapp.
    Parabéns!

  9. Excelente reflexão,muito além de cuidarmos somente do mosquito,mas também do meio em que vivemos em nossas cidades: saudáveis? sustentáveis?
    Quem dera tivéssemos este legado.
    Obrigada.
    Rosivani Libanori Fragoso
    Coord/EnfªCTA/SAEEdgard Pita-Barreiras

  10. Prezados.
    É preciso discutir as definições de caso de microcefalia associada à Zika. Está muito confuso o entendimento.
    Suspeito, confirmado de microcefalia, confirmado microcefalia por agente infeccioso (Z-STORCH1), confirmado por Zika.

    No protocolo da SVS MS de 22/01/2016
    Caso notificado como microcefalia:
     RN com menos de 37 semanas de idade gestacional, apresentando medida do perímetro cefálico abaixo do percentil 3, segundo a curva de Fenton, para o sexo (anexo 1) OU
     RN com 37 semanas ou mais de idade gestacional, apresentando medida do perímetro cefálico menor ou igual a 32,0 cm ao nascer, segundo as referências da OMS (anexo 3 e 4).
    • Caso confirmado de recém-nascido com microcefalia relacionada à infecção congênita:
     Por critério Clínico-radiológico: caso notificado de RN como microcefalia E que apresente alterações sugestivas de infecção congênita por qualquer método de imagem E/OU
     Por critério Clínico-laboratorial: caso notificado de RN como microcefalia E que apresente diagnóstico laboratorial específico e conclusivo para vírus zika ou para qualquer outro agente infeccioso (Z-STORCH1), identificado em amostras do RN ou da mãe.
    • Caso descartado de microcefalia relacionada à infecção congênita: Caso notificado como microcefalia com resultado normal (sem alteração sugestiva de infecção congênita) por qualquer método de imagem OU por critérios clínicos após investigação.

    No Boletim INFORME EPIDEMIOLÓGICO Nº 11 – SEMANA EPIDEMIOLÓGICA (SE) 04/2016 (24 A 30/01/2016) MONITORAMENTO DOS CASOS DE MICROCEFALIA NO BRASIL
    Caso Confirmado é:
    Apresentam alterações típicas: indicativas de infecção congênita, como calcificações intracranianas, dilatação dos ventrículos cerebrais ou alterações de fossa posterior entre outros sinais clínicos observados por qualquer método de imagem ou identificação do vírus Zika em testes laboratoriais.

  11. A incompetência dos nossos gestores não apenas na demonstrada ineficiência no combate, mas também em atribuir toda a responsabilidade para a população que como citado no documento da ABRASCO vive com abastecimento irregular de água, e sem o saneamento básico completo (esgoto, água encanada e coleta de lixo).

  12. Congratulo pela lucidez do texto.
    Enquanto não se compreender a importância do DSS e que saúde é o resultado de corresponsabilidade de povo e governo, continuaremos sendo massacrados por situações bestiais como essa.
    Mais uma vez, Parabéns pelo ótimo artigo!

  13. Excelente e necessária esta iniciativa da Abrasco no sentido de cobrar do poder público a prática das cidades saudáveis e de não permitir a responsabilização unilateral das famílias pela epidemia!

    Faltou se posicionar- a meu ver integrar- sobre pesquisa/informação fetal precoce e direito ao aborto.

  14. Parabéns Abrasco,

    Que historicamente participa e preocupa com a saúde da população Brasileira, precisamos esclarecer e defender a saúde pública e enfrentar o debate de cidades saudáveis e sustentáveis a construção é coletiva e queremos fazer parte deste time multiplicando e levando informações, obrigado pela nota.

  15. Parabéns pela reflexão!

    Sábias constatações!
    Enquanto o poder público não compreender a importância de se investir em ações para solucionar a causa do problema vamos continuar poluindo o meio ambiente, as fontes de água e matando os animais com o uso indiscriminado do fumacê.Agora é a microcefalia e o que será que virá depois?

  16. Muito lúcida a manifestação da ABRASCO.

    A nossa abordagem à problemática dengue-zika e assemelhados é totalmente ineficaz. Cerca de apenas 60% dos domicílios tem esgotamento sanitário no Brasil. A coleta e destinação do lixo na cidades ainda é uma tragédia. A questão do acesso à água ainda é um flagelo, principalmente no Nordeste.

    Afora tudo isso, há o fato de, por se tratar de um país tropical, sermos habitat natural de insetos, entre os quais, o aedes. Ou seja, a tendência é que nunca possamos exterminá-los.

    Mas esse cenário só reforça o fato de que nosso problema maior nessa área é nosso atraso em ciência/ tecnologia.
    Os gringos ja estão ai brigando pra produzir a vacina pra zika. Ja a nós resta apenas ficar barganhando retendo as amostras pra tentar compartilhar as patentes…

    Detalhe: O zika ta sendo transmitido pela via sexual.
    E hoje foi divulgado que encontraram o virus na saliva e na urina. Ou seja, cada vez fica mais demonstrado que nao se resolve questões de doenças infectocontagiosas correndo atrás de mosquitos.

    Além de prover cidades sustentáveis, nosso esforço deveria ser concentrado em pesquisa. Esforços centrados apenas no trabalho braçal dos agentes de endemias representa muito pouco enquanto estratégia de uma nação.

  17. Parabéns ABRASCO! É preciso defender o debate de cidades sustentáveis e saudáveis.
    Quero dizer da importância de todo o texto, destaco aqui alguns tópicos importantíssimos “…reivindicamos das autoridades competentes a imediata revisão do modelo de controle vetorial. O foco deve ser a eliminação do criadouro e não do mosquito adulto”. Sabemos isto há muito twmpo pelas evidências pelo mundo. Porque insistimos em não fazer!

    Excelente a finalização do texto:”Destaca-se que todas as medidas de controle vetorial devem ser realizadas com ampla mobilização social no sentido da proteção da Saúde Pública, priorizando-se as medidas de saneamento ambiental, e orientadas pelos princípios da Política Nacional de Educação Popular em Saúde.
    Não pode ser adotado um discurso de responsabilização unilateral das famílias pelo controle do Aedes, eximindo o poder público de seu dever de realizar uma ampla reforma urbana em curto espaço de tempo: Cidades saudáveis e sustentáveis: este é o desafio urgente.”
    Parabéns.

  18. O aedes aegypti está obrigando ao SUS se repensar, após sairmos da recente XV CNS, o vírus Zika resolveu pautar o Brasil primeiramente e em seguida o Mundo.
    A ABRASCO com seu chamado toca num erro que estamos cometendo, que é nossa desarticulação entre os diversos setores do SUS, como profissional de Vigilância Sanitária do Alto Tietê, tenho uma preocupação pois no meu ponto de vista temos uma atuação pífia, e desarticulada com o Zoonoses e Vigilância Epidemiológica.
    Em trabalho feito pelo CVS/SAMA, que após avaliar as fichas de procedimentos do SIVISA, constatou que 39% dos criadouros estavam em fabricas, shoppings e áreas de lazer, e outros locais como eco-pontos,recicladores e terrenos detinham outros 32%.
    Uma reflexão minha em particular é que podemos estar tendo Dengue Ocupacional, pois existem muitas industriais que possuem grandes áreas com a presença de criadouros, e tem alguns trabalhadores oriundos municípios vizinhos, principalmente nos áreas metropolitanas industriais, e não vemos essas notificações.
    Nos Shoppings que é um polo de circulação de muitas pessoas, deveria ser uma outra preocupação.
    Na região metropolitana de São Paulo existem muitas chácaras de lazer, e que algumas estão abandonadas por seus proprietários, que em muitas dessas situações não tem residência neste município, e aí mostra a necessidade de se ter uma articulação com o Cadastro Municipal, para que se efetive as notificações aos seus proprietários.
    A vinda da Medida Provisória da Dengue, deve estar obrigando os gestores do SUS, a sair de um certo imobilismo e serem um pouco mais pro-ativo.

  19. No seu livro O Futuro Roubado (Ed LBM, 1997), a Dra Theo Colborn da Universidade de Wisconsin juntamente com Dianne Dumanoski e John Peterson Myers, alertavam dos efeitos nocivos que os agentes químicos sintéticos que mimetizam hormônios ativos podem causar ao sistema reprodutor, no sistema nervoso e no cérebro, além de comprometer o sistema imunológico. A edição brasileira conta com prefácio de José Lutzemberger, que cita a epopeia da luta dos agrônomos brasileiros na questão dos venenos agrícolas. Estudos de animais contaminados mostram alterações comportamentais na reprodução e no cuidado da prole, até de aumento da vulnerabilidade a tumores malignos e a doenças infecciosas, com alterações no sistema imunológico.
    É sabida a força da indústria produtora de agrotóxicos, inseticidas e substâncias químicas variadas: mais de 600 agrotóxicos em uso.
    Os organoclorados têm sido atacados pela sua persistência e pela frequência com que causam problemas à saúde humana e ao meio ambiente.
    “Apesar da maioria dos países industrializados terem imposto restrições, nos anos 70, aos agentes químicos mais notórios desta categoria, nos países em desenvolvimento, onde os produtos são usados para controle de insetos que ameaçam a saúde pública e as plantações, seu uso está aumentando.
    Em 1991, os estados Unidos exportarem pelo menos 1,8 milhões de quilos de agrotóxicos cujo uso havia sido banido, cancelado ou voluntariamente suspenso neste país, inclusive 96 toneladas de DDT.”
    O Brasil provavelmente foi e continua sendo um grande comprador e consumidor desses venenos.
    Agora, com as epidemias de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, políticas inadequadas continuam escolhendo soluções mais fáceis e mais pesadas aos grupos mais vulneráveis. E despejando quilos de venenos, em fumacês e no tratamento da água, inclusive na água de beber (!), como denuncia a recente Nota Técnica da Abrasco. Venenos caros que esgotam os recursos orçamentários necessários para sustentar outras medidas mais adequadas e que atingem os que não são o alvo – os seres humanos – e só estimulam os mosquitos a encontrarem outras formas de resistência.
    Realmente, o combate aos criadouros, através da conscientização de todos e a exigência de políticas de saneamento básico precisam ser os pontos de ataque – a serem assumidas pela comunidade esclarecida e cobrada dos governos.
    Felizmente temos corpo técnico capaz de dar o alarme. Parabéns aos grupos da Abrasco que realmente se importam com a efetividade das propostas e com a saúde da população, e não se calam diante de políticas feitas por assessores de comunicação e sob pressão de resultados imediatos que não são tecnicamente protetores, mas constituem mais agressão à saúde humana.
    E deixarão químicos que persistirão no meio ambiente, na água, na terra, nos rios, nos mares, nos seres vivos, em nós todos, muito além da Olimpíada (…do próximo século, se houver).

  20. Muita oportuna e competente esta contribuição da Abrasco. Trata-se, efetivamente, de mais uma tragédia social causada por este modelo de desenvolvimento econômico fundamentado no consumismo.Apostamos em governos ditos de esquerda que se venderam (ou já eram vendidos?) aos interesses do capital. Ao lado dessas mortes, sequelas e sofrimentos terríveis, temos o genocídio das motocicletas, que preservaram a economia do ABC paulista, mas que trucidaram e continuam aniquilando milhares de jovens.

  21. Muitas políticas sanitaristas são aplicadas como um processo e ideologia de higienização social, e logo, como criminalização da pobreza. Basta ver o histórico da Revolta da Vacina no Rio de Janeiro. A história nos ensina.

  22. Parabéns pela iniciativa, estamos com vocês, a população merecem uma informação mais esclarecedora sobre os fatos e os encaminhamentos devidos tomados.

    Com certeza é necessário um controle mais natural do Mosquito Aedes Aedes aegypti. Estamos criamos um projeto de divulgação do combate do mosquito de maneira natural e sustentável, com incentivo da plantação de semente de crotalaria.

    Conte conosco para divulgação dos trabalhos.