Abrasco tem mais de 60% de representatividade feminina nas instâncias de pesquisa

O surgimento do movimento feminista vem lá do período da Revolução Francesa. Movimento este que fez muitos estudiosos ingleses quebrarem a cabeça para entender por que surgiu e persistia. Tanto que o movimento se desenvolveu e se ampliou ao longo dos anos, especialmente a partir do final do século XIX, com a luta das sufragistas, para garantir o direito ao voto para as mulheres. Desde então, elas vêm atuando de forma cada vez mais influente em vários setores da sociedade. Na Associação Brasileira de Saúde Coletiva, por exemplo, entre três Comissões, dois Comitês, dois Fóruns e 16 Grupos Temáticos, no total de 23 instâncias: 15 são coordenadas por mulheres.

A Abrasco tem observado essa evolução com o passar das décadas. Hoje temos mais de 60% de participação das mulheres na coordenação das instâncias de produção científica da Associação. Segundo Daniela Riva Knauth, coordenadora do GT Gênero e Saúde, a participação nas diferentes instâncias e fóruns da Abrasco é reflexo da inserção política e acadêmica das mulheres no país. Para ela, na área da Saúde, as mulheres têm ocupado espaços para além do tradicional espaço do cuidado, desenvolvendo atividades de pesquisa, docência e profissional nos vários campos. “A presença das mulheres na área da saúde coletiva implica em dar visibilidade para questões que muitas vezes são consideradas menores no âmbito da saúde pública, como aquelas que dizem respeito ao estresse decorrente da dupla jornada de trabalho, violência doméstica, saúde sexual e reprodutiva. A recente epidemia do Zika vírus é exemplar neste sentido, visto que as mulheres são as maiores vítimas, tanto por terem a saúde do feto comprometida, quanto por serem as principais responsáveis pelo cuidado destes bebês que nascem com as complicações geradas pelo vírus. Assim, considero que participar de uma associação comprometida com a saúde da população e poder chamar atenção para as questões que dizem respeito às mulheres e às desigualdades de gênero é um privilégio e um compromisso”, ressaltou.

Para a Professora Tatiana Engel Gerhardt, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenadora da Comissão de Ciências Sociais e Humanas em Saúde da Abrasco, estar ao lado de um grupo tão seleto de mulheres batalhadoras e guerreiras é uma honra – “Representa fazer parte de um espaço vigilante as principais transformações sociais e onde é possível ter lutas constantemente renovadas em defesa dos direitos sociais e políticos das mulheres, nos mais variados âmbitos que vão desde os direitos sexuais, reprodutivos, até a luta contra o racismo, a discriminação, as violências, passando pelas possibilidades que temos ainda, enquanto mulheres, de nos posicionarmos frente ao crescente conservadorismo, e até mesmo ao fundamentalismo religioso. Ter em comum o partido do justo, da equidade, da diversidade social, seja na produção do conhecimento, no ensino ou na militância no campo da Saúde Coletiva, é um privilégio, pois há ainda muito a ser feito em relação ao que queremos ser como sociedade. E aí penso que há sensibilidade por essas causas tanto nesse grupo de mulheres quanto na ABRASCO como um todo”, explicou Tatiana.

Daniella Guimarães de Araújo, coordenadora do GT Vigilância Sanitária, disse que “participar dessa luta na Saúde coletiva é trabalho para corações largos. Dedicados, competentes e seguros na arte de proteger a Vida. Acredito que nossa feminilidade guia, intui e aproxima o mais humano em nós ao mais humano de todos. Uma bela maioria de mulheres que nunca será demasia”, ressaltou Daniella.

Para Inês Rugani, coordenadora do GT Alimentação e Nutrição em Saúde – “participar da Abrasco no GT ANSC é uma das ações que concretizam minha forma de estar na vida: articular atuação profissional e militância em busca de uma sociedade mais igualitária, solidária, democrática e libertária”, Rugani é professora associada do Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (INU/UERJ) e bolsista Pró-Ciência dessa universidade e uma das fundadoras do Grupo de Temático Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva da Abrasco.

A participação da mulher “representa um espaço de resistência e de luta pela equidade”, disse Veruska Prado, coordenadora do GT Promoção da Saúde. “Em um mundo dividido, colaborar com a coordenação de um GT no âmbito da ABRASCO, sendo mulher, é uma ação de resistência e de luta. As mulheres estão em todos os locais e ocupações de trabalho, mas tendem a ser e a ter o seu trabalho, por vezes, invisibilizado. A atuação em prol de ampliar a participação de mais mulheres, de diferentes idades, credos, orientação sexual, de mais negras em espaços de divulgação e debate sobre a ciência é ainda necessária atualmente”, pontuou.

“Auxilar na coordenação do GT Informações em Saúde e População é contribuir para a disseminação de um campo de saber na saúde coletiva, que geralmente é conhecido e vivenciado institucionalmente como uma ferramenta gerencial: a informação em saúde. Ainda há muito a caminhar nessa teia de sentidos da saúde coletiva, em que a informação em saúde também é confundida com epidemiologia. Com o advento das tecnologias da informação e da comunicação, da telessaúde e da saúde digital, essa discussão ganha mais campo e relevância no sentido de aperfeiçoar o cuidado, descobrir a cura de enfermidades e melhorar a qualidade de vida da população”, disse Angélica Baptista Silva, coordenadora Adjunta do GT.

Inesita Soares de Araujo, coordenadora do GT Comunicação e Saúde, ocupar nunca viu esta ou outras coordenações como uma conquista de uma mulher – “Sempre percebi como um ganho do modo de pensar que eu represento, sempre contra hegemônico e lutando para ser reconhecido. Por esta perspectiva, qualquer cargo que confere um espaço maior de visibilidade eu considero uma oportunidade a ser aproveitada. Vejo, sim, essa presença forte das mulheres na Abrasco como reflexo de nossa decisão já antiga no mundo de ir à luta e desconstruir os mitos que foram erigidos a nosso respeito”, avalia a pesquisadora do Laboratório de Comunicação e Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Laces/Icict).

Esses são apenas alguns depoimentos das 15 representações de coordenação. Nesses espaços, há inúmeras mulheres contribuindo para o fortalecimento da Saúde Coletiva no Brasil e no mundo.

Confira as mulheres da Saúde Coletiva da Abrasco:

Diretoria e Conselho

Eli Iola Gurgel Andrade
Universidade Federal de Minas Gerais

Leny Alves Bonfim Trad
Universidade Federal da Bahia

Anaclaudia Gastal Fassa
Universidade Federal de Pelotas

Eleonora Dorsi
Universidade Federal de Santa Catarina

Elza Machado de Melo
Universidade Federal de Minas Gerais

Leonor Maria Pacheco dos Santos
Universidade de Brasília

Maria da Glória Lima Cruz Teixeira
Universidade Federal da Bahia

Marília Louvison
Universidade de São Paulo

Raquel Maria Rigotto
Universidade Federal do Ceará

Comissões

Comissão de Ciências Sociais e Humanas em Saúde
Coordenação-Adjunta: Tatiana Gerhardt (UFRGS) e Silvia Gugelmin (UFMT)

Comissão de Epidemiologia
Coordenadora: Maria Amélia Veras (FCMSCSP)

Fóruns

Fórum de Graduação em Saúde Coletiva
Representante docente: Liliana Santos (UFBA)
Representantes discentes: Nathalie (UFRJ); Gabriela (USP); Luane (UFMT)

Fórum de Coordenadores de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Mônica Angelim Gomes de Lima UFBA,
Silvana Granado.

GTs

GT Vigilância Sanitária
Coordenação:
Bárbara N. Garcia Goulart
Daniella Guimarães de Araújo
Giselia Santana Souza
Maria Cecília Martins Brito
Maria Cristina da Costa Marques

GT Trabalho e Educação na Saúde
Isabela Cardoso de Matos Pinto

GT Saúde do Trabalhador
Coordenação
Jandira Maciel
Leticia Coelho da Costa Nobre (vice-coordenação)

GT Saúde Bucal
Cristine Warmling
Efigênia Ferreira

GT Saúde e Ambiente
Karen Friedrich

GT Promoção da Saúde
Dais Gonçalves Rocha (coordenadora (UnB)
Ronice Franco de Sá (UFPE)
Vanessa de Almeida Guerra (UFMG)
Veruska Prado Alexandre (UFG)

GT Informações em Saúde e População
Angélica Baptista Silva (Coordenadora Adjunta)

GT Gênero e Saúde
Daniela Knauth
Cristiane Cabral

GT Educação Popular e Saúde
Rocineide Ferreira (UECE)
Vanderleia Daron (UPF)

GT Comunicação e Saúde
Inesita Soares de Araujo

GT Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva
Inês Rugani Ribeiro de Castro ((Uerj)

Comments

comments