Estudantes baianos fazem do seminário de Formação universo para pesquisa


Fazer da pesquisa teórica uma atividade prática e integradora é o centro da proposta das atividades interdisciplinares de acolhimento, desenvolvidas anualmente pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA). Em sua quarta edição, o projeto aproveitou a oportunidade do encontro científico Formação Profissional em Saúde e Ensino da Saúde Coletiva para estimular os estudantes a analisarem o tema. O resultado deve ser editado em forma de livro.

O projeto é coordenado pelos professores Eduardo Mota e Darci Neves e conta créditos como uma disciplina optativa. “A cada início de ano, na semana de acolhimento, lançamos a ideia da atividade exploratória e de alguns temas. O objetivo é possibilitar múltiplos olhares a partir das perspectivas das subáreas da Saúde Coletiva, sempre a partir de um estudo de campo”, explica Mota. A primeira edição foi até à cidade de Canudos, conhecido palco da chacina impetrada pela Velha República contra o levante conduzido por Antônio Conselheiro no início do século XX, para levantar as condições de saúde da região. O resultado virou o livro Aprender fazendo.

“Neste ano, os alunos escolheram o seminário de Formação pela oportunidade de discutir o ensino e a formação na área a partir do debate da criação da Universidade do Sul da Bahia (UFSB)”, diz o professor. Do total de 35 estudantes envolvidos na disciplina, 17 aluno­­­s da Pós-Graduação e 5 da Graduação acompanharam as discussões em Porto Seguro. O levantamento utiliza diversas abordagens e estratégias metodológicas, tanto qualitativas quanto quantitativas. Durante o evento, os estudantes concentraram-se em entrevistas, relatórios das sessões científicas, narrativas de vivências, entrando em contato com pesquisadores, docentes e profissionais do serviço da cidade presentes no evento. A pesquisa vai até junho, com revisão documental e da literatura do tema. O resultado será apresentado no segundo semestre.

Outro objetivo da atividade é a integração dos alunos do Instituto. “Tivemos reuniões prévias para discutir a interdisciplinaridade como um eixo transversal e como componente no processo de formação a ser explorado no evento. Depois, dividimo-nos em grupos mistos, tanto em área de concentração como no segmento, o que possibilita uma maior diversidade de olhares”, diz Daiane Castro, mestranda do PPGSC. A opinião é reforçada por Flavia Cavalcante, aluna do 5º semestre da Graduação. “O bacharelado em Saúde Coletiva já nasce no contexto dos novos modelos de formação em Saúde e fazer parte de uma pesquisa que aborda a interdisciplinaridade, uma realidade a qual nós estamos implicados, é uma grande oportunidade de aprendizagem. Além do mais, é ótimo participar de um projeto diferente de uma disciplina comum e que favoreça a convivência com alunos de Pós-Graduação”, conta. O projeto conta com apoio da direção do ISC, do colegiado dos dois programas, da coordenação da graduação, das reitorias da UFBA e da UFSB e da Abrasco.

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