Telessaúde: tecnologia para ampliar o acesso à Saúde

Foto: Raquel Portugal/Fiocruz Imagens

Com a pandemia e muitas pessoas em casa, houve aumento no uso de tecnologias para interação, como conversas, aulas e consultas médicas. Uma portaria do Ministério da Saúde, de março do ano passado, regulamentou, em caráter emergencial, a telemedicina. O recurso, mais seguro para a saúde de médicos e pacientes, contribui para a diminuição na circulação das pessoas e a sobrecarga nas unidades de saúde. Matéria da revista Radis aborda o tema com profundidade, traçando um panorama da modalidade com entrevistas especialistas, mostrando os desafios para o futuro.

A telemedicina, antes proibida, pôde ser adotada emergencialmente durante o enfrentamento do novo coronavírus, mas a pandemia acelerou o processo de revisão para o reconhecimento da prática pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Sobre o tema, Marcelo Fornazin, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (Ensp/Fiocruz) e membro do Grupo Temático Informação em Saúde e População da Abrasco, entende que é necessário ampliar o conceito, utilizando o termo telessaúde. “A telessaúde traz uma abordagem muito mais ampla e envolve desde equipes multiprofissionais ao trabalho de promoção da saúde e vigilância”, disse à Radis. O pesquisador destaca ainda a formação de grupos de pacientes para troca de experiências. “Eu vejo que a telessaúde tem importância tanto para alcançar locais que não estão cobertos por redes assistenciais como é importante também para a coletivização dos saberes”, explica.

Fornazin se preocupa com a falta de estrutura, já que nem todos têm acesso à internet e também com a segurança, com o vazamento de dados, por exemplo. “Hoje as tecnologias digitais têm a capacidade de coletar, processar e armazenar dados pessoais dos usuários, que devem ser protegidos”, pontua.

Sobre a experiência da telessaúde na Atenção Básica, Claunara Schiling Mendonça, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), médica da UBS Santa Cecília em Porto Alegre (RS) e membro da Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde da Abrasco (Rede APS), conta que foram criados dois fluxos na unidade em que trabalha e que um deles “transformou a maior parte do atendimento em teleconsultas” e falou sobre o futuro da telessaúde.

“Eu acho que isso veio para ficar, é uma questão importante que a pandemia trouxe. Via de regra, os serviços não usavam nenhuma tecnologia não presencial para qualquer contato das pessoas com o serviço de saúde”, explicou a pesquisadora, considerando que são necessárias mudanças e adaptações. Claunara Mendonça também falou sobre humanização. “A teleconsulta muda a perspectiva porque o aluno ou médico tem que usar a telempatia. Aquilo que na consulta presencial nós observamos com os olhos, na teleconsulta temos que observar com os ouvidos”, concluiu.

Leia a íntegra da matéria, escrita por Liseane Morosini, na Revista Radis.

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