Segurança alimentar e Covid-19: pesquisa revela que 19 milhões de brasileiros passam fome

Atualizado em 08/04/2021

Em menos de três anos, o Brasil regrediu 17 em segurança alimentar e nutricional, retrocedendo ao patamar de 2004. Na pandemia, o cenário se agravou, apesar do auxílio emergencial – agora fruto de poucas iniciativas estaduais e quase extinto. Para debater esse assunto, nesta quinta, 8 de abril, o webinar “Olhe para a Fome” divulgará os dados do Inquérito Nacional sobre a Segurança Alimentar no cenário da Covid-19. Gulnar Azevedo, presidente da Abrasco, participou da atividade.

Acesse a pesquisa completa

O Inquérito Nacional foi desenvolvido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN), parte do projeto VigiSAN, e foi realizado em dezembro de 2020 em 2.180 domicílios em todas as regiões do país. A pesquisa revela que mais da metade da população brasileira está em insegurança alimentar durante a pandemia, com cerca de 19 milhões de pessoas na forma grave, ou seja, passando fome, um salto de 27% se comparado a 2017.

O retrocesso é evidente em um cenário de crise econômica, política e sanitária A fome no país retorna a níveis de 2004 O Brasil chegou a ser retirado do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas em 2013. O sucesso na garantia do direito humano à alimentação adequada e saudável foi anulado e “em apenas dois anos, o número de pessoas em situação de insegurança alimentar grave saltou de 10,3 milhões para 19,1 milhões. Nesse período, quase 9 milhões de brasileiros e brasileiras passaram a ter a experiência da fome em seu dia a dia”, de acordo com o site da campanha.

De acordo com o resultado do inquérito, as regiões norte e nordeste são as mais afetadas e a fome tem gênero, cor e grau de escolaridade, atingindo 11,1% dos lares chefiados por mulheres, 10,7% dos lares chefiados por pessoas pardas ou pretas e 14,7% dos lares chefiados por pessoas com baixa escolaridade.

Em sua fala, Gulnar destacou que a fome é indicador primeiro de outras mazelas. “Estamos voltando a condições que já havíamos superado. O fortalecimento do SUS, o auxílio emergencial, e o lockdown são ações que a #FrentePelaVida vem marcando nesta semana da saúde”, disse Gulnar Azevedo, ressaltando a urgência em aumentar a pressão no governo por mais vacinas e contra a possiobilidade aberta para a iniciativa privada furar a fila da vacina. “Há pressa”, concluiu a presidente da Abrasco.

Assista abaixo como foi o webinarInsegurança Alimentar no contexto da Covid-19 no Brasil

Comments

comments

Deixe uma resposta