Invasão de hospitais: Abrasco e entidades da saúde coletiva e bioética repudiam teor da live do presidente Bolsonaro

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a Associação Brasileira de Economia da Saúde (ABrES), o Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (CEBES), a Rede Unida, a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares e a Sociedade Brasileira de Bioética (SBB) vêm a público declarar seu mais veemente repúdio às manifestações do Presidente Bolsonaro durante live dirigida à população brasileira, realizada no dia 12 de junho pela manhã.

Nessa, o Presidente estimula a invasão de hospitais, para que, por meio de filmagens ou fotografias, as pessoas denunciem a existência de possível ociosidade de instalações e equipamentos hospitalares destinados aos pacientes da Covid-19. Bolsonaro despreza o risco que representa a entrada de pessoas externas à instituição, ou seja, risco de infecção para seus seguidores, risco para as equipes de saúde que trabalham nos hospitais, que teriam suas rotinas de trabalho prejudicadas em momento tão delicado, e risco para os próprios pacientes internados, além de desinformar sobre a necessidade de leitos livres reservados para as pessoas que podem se infectar num futuro próximo.

Os profissionais de saúde, que estão colocando em risco suas vidas todos os dias para atender às vítimas da pandemia, têm nossa absoluta solidariedade e merecem respeito, atenção e cuidado por parte das autoridades governamentais.

Ao invés disso, o Presidente estimula ações imprudentes e inconcebíveis de hostilidade e agressões a esses profissionais da linha de frente, especialmente em um momento em que o país tem mais de 40.000 famílias sofrendo pela perda de entes queridos. O Brasil já é o segundo país do mundo em número de mortos por Covid-19, sendo também o país onde mais pessoas morrem por dia em virtude da infecção pelo SARS-CoV 2.

Neste sentido, são temerários quaisquer estímulos a comportamentos ou discursos de ódio, assim como atitudes que contribuam com a proliferação de notícias falsas, o que afronta a dignidade de profissionais de saúde e de pacientes, prejudicando, ainda, o enfrentamento da pandemia. Vale enfatizar que ações que atentem contra a segurança e funcionamento de serviço de utilidade pública são passíveis de responsabilização criminal.

Por todo o exposto, manifestações como essa do Presidente da República põe mais uma vez em risco a vida de toda a população, prejudica o trabalho das equipes de saúde, desrespeita os pacientes, descaracteriza e banaliza a gravidade da pandemia.

12 de junho de 2020

Sociedade Brasileira de Bioética (SBB)
Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)
Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (CEBES)
Rede Unida
Associação Brasileira de Economia da Saúde (ABrES)
Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares

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