Interface dos conhecimentos e subsídio científico para um Plano de Enfrentamento da Epidemia de Covid-19

Instalação “IPOcle”, um jogo de luz, espelhos e sons exibido na Scientific Inquiries Exhibition, em Istanbul, Turquia, 2013.

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva iniciou o mês de junho com uma forte e pulsante mobilização: a Frente pela Vida, uma articulação com outras entidades da sociedade civil. O primeiro ato conjunto é a Marcha Virtual pela Vida, que acontecerá em 9 de junho, mas as organizações pretendem construir outras atividades e documentos que reforcem uma unidade nacional em defesa da ciência, saúde e democracia. A fim de contribuir cientificamente com o movimento, a Abrasco preparou uma série de painéis transdisciplinares que subsidiarão um Plano de Enfrentamento da Epidemia de Covid-19.

Para Naomar de Almeida Filho, vice-presidente da Associação e professor do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), a pandemia é um fato ” singular, totalizado e complexo”, e não é possível compreendê-la reduzindo o fenômeno à emergência de um novo vírus (SARS-Cov-2), ou aos sintomas  da nova doença (Covid-19). Tampouco é eficaz focar apenas nos indicadores epidemiológicos, no processo de disseminação e contágio, ou nos aspectos sociais, econômicos – na propagação de fake news, no medo, na miséria que aumenta – na crise política.

É preciso encarar a pandemia em sua totalidade de fenômenos e processos, e praticar uma ciência que assuma a complexidade do mundo e da vida, além de compreender a singularidade das questões da natureza, e buscar soluções integrais – evitando perspectivas simplificadoras: “Neste contexto atual de intensa disputa retórica e luta teórica, a Abrasco, como órgão articulador de redes institucionais de formação, produção de conhecimento e articulação de saberes, práticas e técnicas no campo da saúde coletiva, e também como entidade representativa dos sujeitos que operam essas redes, lançou uma iniciativa no sentido de abrir uma discussão visando à formulação, elaboração e negociação de um Plano de Enfrentamento da Epidemia de Covid-19”, explicou Naomar.

Este Plano deve ser elaborado com contributo dos diferentes campos científicos e sócio-políticos, e a discussão já começou. Na semana passada (27/5), a Ágora Abrasco recebeu o painel Covid -19: a interface de conhecimentos biomoleculares, clínicos e da saúde coletiva, que reuniu Naomar de Almeida Filho, Jaqueline Goes de Jesus, Sidarta Ribeiro e Drauzio Varella – a coordenação foi de Gulnar Azevedo e Silva, presidente da Associação. Esse primeiro espaço foi a integração dos conhecimentos científicos da biologia e da medicina ( interface biomolecular/clínica).

Hoje (5/6),  a programação abrange medicina, epidemiologia e gestão da saúde, com o painel Covid-19: Interface clínica/epidemiologia e os cuidados em saúde. As exposições serão de Francisca Valda da Silva, presidente da Associação Brasileira de Enfermagem, Glória Teixeira, professora do ISC/UFBA, Margareth Dálcolmo, coordenadora do Ambulatório de Pesquisas do Centro de Referência Prof. Hélio Fraga (Fiocruz) e Rubens Belfort Junior, presidente da Academia Nacional de Medicina. A coordenação será de Gastão Wagner, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e presidente da Abrasco (2015 – 2018). Além disso, estão previstas discussões nas interfaces clínica/ecossocial; ecossocial/tecnológica; tecnológica/política; e política/simbólica.

Acompanhe a programação da TV Abrasco, e construa, coletivamente, diálogos sobre a pandemia de coronavírus.

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