Propagandas do Ministério da Saúde consomem R$88 milhões sem informar sobre os cuidados diante da pandemia

Imagem de publicidade veiculada pela Ministério da Saúde: Reprodução do youtube.

88 milhões de reais. Esse foi o valor gasto na gestão do General Pazuello no Ministério da Saúde em propagandas sobre a Covid-19, como aponta a matéria publicada pelo Repórter Brasil. O valor em si não é um problema, pois é sabida a importância da comunicação com a população sobre as necessárias medidas e cuidados a serem tomados diante da pandemia. Entretanto, o foco das propagandas do Ministério não trazem como prioridade informar a gravidade da situação para a população. Como aponta a matéria, em vez de informações sobre máscaras, distanciamento social e ventilação em locais fechados, há mensagens exaltando os feitos do governo, a reabertura do comércio e até a força do agronegócio.

A presidente da Abrasco, Gulnar Azevedo, criticou a postura do Ministério da Saúde ao dar um tom de normalidade à situação grave pela qual o país passa por conta da pandemia: “Se a informação não é clara, a população fica perdida e acha que está tudo bem, que não vai pegar a doença”. Para se ter ideia, uma das peças publicitárias traz uma caminhoneira dizendo “Vamos voltar, gente, vamos seguir em frente. Só que um cuidando do outro” num vídeo sobre o agronegócio.

Nadja Piauitinga, do Grupo Temático Comunicação e Saúde (GT Com/Abrasco), apontou problemas graves com relação às propagandas, tendo em vista que “não se trata de publicidade de utilidade pública”. Nadja ainda demonstrou estranheza com a escolha dos temas: “Que tipo de informação o ministério pode promover sobre o agronegócio? Nem sabia que o agro era um tema da saúde”. Para se ter ideia, somente com relação ao tema do agronegócio foram gastos R$35 milhões. Além disso, a professora também criticou propagandas cujo conteúdo expõe distribuição de verbas, medicamentos, máscaras e ventiladores em diferentes estados: “Dizer que está mandando dinheiro não é utilidade pública, é propaganda institucional”.

O Ministério também gastou na realização da campanha “#nãoespere” que preparava ações para o “Dia D” contra a Covid-19, quando o Ministério pretendia incentivar a prescrição de medicamentos como a cloroquina. Após críticas, o Dia D não foi realizado, mas a preparação custou mais de R$ 3 milhões aos cofres públicos.

Vale ressaltar que a informação é um dos pontos fundamentais para o controle da pandemia e, por conta disso, a necessidade de informações clara e úteis à população podem salvar vidas.

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