Nota do DMP/FMUSP e de amigos em condolência a José Eluf Neto

Entrada da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – Foto: FMUSP

Hoje, 14 de Janeiro de 2023, perdemos o professor José Eluf Neto.

Nós, do departamento de Medicina Preventiva , o perdemos; a Faculdade de Medicina e a Universidade de São Paulo o perderam, a Saúde Coletiva e a Abrasco o perderam. Que lástima; quanta tristeza. Fará muita falta, uma presença sempre ruidosa, um vozeirão, falando alto pelos corredores de onde quer que fosse, sempre muito atuante.

Epidemiologista de raiz, esteve presente desde os primeiros anos da Saúde Coletiva e muito comprometido com seus trabalhos, as pesquisas, os alunos foi um grande professor e deu muitas contribuições para a Epidemiologia do Cancer, em que foi um dos pioneiros no país.

Uma figura apaixonada pelo que fazia, sempre com sentimentos à flor da pele…. uma característica. Fará falta… e … fará falta!

Amigos e Amigas do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Eluf, para todos nós, ficou encantado no dia de hoje, 14/01/2023. Nos deixa inconformados e tristes, mas com legado e lembranças a serem replicados por todos. Amigo de todas as horas, comprometido e voltado para a busca da justiça social; excelente professor dedicado à formação responsável de seus alunos, tanto na graduação quanto na pós-graduação; pesquisador de altíssimo nível, valorizando e fortalecendo a epidemiologia brasileira, em particular na área da oncologia. Com suas peculiaridades e jeito de ser, foi sempre respeitoso com as pessoas e nunca se furtou em emprestar seu apoio e estímulo para orientar e sugerir as caminhadas adequadas para elas. Que seja um exemplo a ser seguido pelas nossas e futuras gerações. Registro minhas condolências aos seus familiares e, especialmente para sua companheira, Valéria.

Moisés Goldbaum – docente do DMP/FMUSP e presidente Abrasco 2003 -2005

José Eluf Neto (1951-2023)
Eluf, Zé, Zézinho, como era chamado e conhecido no nosso meio, nos deixou precocemente. Tristeza, comoção que nos invadem intimamente e imprimem enorme consternação por esta imensurável perda afetiva, moral, profissional e de imensa generosidade.

Sua presença entre nós deixa um legado e exemplo de vida a ser divulgado, respeitado, observado e replicado pelas diversas gerações. Assim são sua dedicação e seu envolvimento nos vários momentos de sua vida profissional e afetiva.

Desde cedo, quando residente de Clínica Médica do HC/FMUSP, participou intensamente como defensor de melhores condições de trabalho/aprendizado e como dedicado instrutor das turmas que lhe seguiam. Recebeu, por isto enquanto R2, junto com o colega Jorge Mattar, o título de RDeus, condição esta que lhes foram concedidas por apuro e atenção que empregavam aos R1 e aos internos do curso médico. Isto, por si só já era uma demonstração de seu pendor pelo ensino responsável, pela assistência médica de qualidade, pela pesquisa socialmente envolvida. Completou a residência em Clínica com ótima avaliação aferida pelos supervisores que o indicavam para seguir atividades na área; mas novas e promissoras trajetórias se afiguraram e a elas ele se empregou. Para felicidade da Saúde Coletiva brasileira e do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP, optou por trilhar os caminhos da Medicina Social, empenhando-se em complementar os conhecimentos em Clínica Médica com os instrumentos deste novo campo, especialmente da Epidemiologia.

Ligou-se à Preventiva, num primeiro momento, exercendo atividades de ensino, assistenciais no Centro de Saúde- Escola do Butantã (hoje Centro de Saúde Prof. Samuel Barnsley Pessoa), bem como a realizar o mestrado em Preventiva. Nestas atividades deu continuidade a sua excelência e responsabilidade acadêmicas. Seguiu a prestar assistência de qualidade que sempre respeitou, bem como cuidou do ensino junto aos alunos de graduação e residentes da forma exemplar como sempre o fez. No mestrado, inspirado pelo trabalho seminal do Prof. Guilherme Rodrigues da Silva elaborou dissertação dando conta e aprofundando os conhecimentos sobre a repercussões cardiológicas da doença de Chagas em trabalhadores urbanos.

Pouco tempo depois, assumiu as funções de docente junto à Preventiva, quando então pode dar continuidade às suas qualidades no ensino, na pesquisa, em programas de extensão, missões intrínsecas à Universidade, missões estas que para ele eram sagradas.

No ensino, dá continuidade às excelentes qualidades didáticas, granjeando o respeito e consideração dos alunos tanto na graduação quanto na pós-graduação. Sempre preocupado em oferecer conteúdos atualizados, o fazia com todo o rigor que a ciência exige. Empenhou-se na formação de vários alunos, hoje ocupando cargos e funções destacadas nas iniciativas públicas e privadas, cujos depoimentos exaltam a influência que Eluf exerceu nas respectivas jornadas.

Na aplicação ao desenvolvimento da pesquisa científica, motivos variados lhe levaram a abraçar estudos sobre a epidemiologia do câncer. Sua extensa produção intelectual, enquanto um dos pioneiros no país, permitiu avanços destacados no conhecimento da doença, bem como fornecendo importantes subsídios para a definição de políticas públicas para seu enfrentamento. O rigor metodológico que sempre empregou nestes estudos foi sua maior marca, estilo este que sempre transmitiu a nós, sejamos docentes, pesquisadores, discentes ou gestores.

Chama, igualmente, a atenção sua dedicação às atividades de extensão e ordem administrativas. Nunca se furtou a prestar consultorias ou dar apoio a demandas geradas na comunidade científica visando ao correto encaminhamento de investigações científicas. Foi membro do Comité Assessor de Saúde Coletiva no CNPq, onde como sabemos por intermédio dos demais membros, seu comportamento ético, moral e técnico foi preponderante.

Como administrador, revelou também talento. Na chefia do Departamento de Medicina Preventiva, na diretoria dos LIM’s, no Conselho Consultivo do INCA (neste representando a ABRASCO), no Conselho Diretor do Instituto de Câncer do Estado de São Paulo, agiu sempre com ética e buscando apoiar as iniciativas de renovação técnico-científica e com forte compromisso social. Nos últimos anos, ocupou o cargo de Diretor-Presidente da Fundação Oncocentro de São Paulo, situação que lhe permitiu evidenciar ainda mais suas qualidades de administrador, destacando-se seus esforços para garantir a importante estrutura prestadora de serviços aos pacientes oncológicos do país. Destaca-se o fato da defesa de suas ideias, pensamentos, propostas; o fazia com muita ênfase, mas sem perder a generosidade que lhe marcava e sem perder a capacidade de revê-las à luz dos bons argumentos que lhe ofereciam.

Este breve memorial reitera as palavras iniciais sobre o legado e exemplo de vida que nos deixa e reproduzindo afirmação já feita, finalizamos: Fará muita falta, uma presença sempre ruidosa, um vozeirão, falando alto pelos corredores de onde quer que fosse, sempre muito atuante.   

Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Professor José Eluf Neto (1951–2023)
The International Agency for Research on Cancer (IARC) is saddened by the passing of Professor José Eluf Neto, an authority on cancer epidemiology research in Brazil, who died on 14 January 2023 in São Paulo.
Nota da Agência Internacional de Pesquisas do Câncer – clique e acesse na íntegra

+ Leia a nota da Abrasco em homenagem ao professor Eluf Neto

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