Desafios e perspectivas da educação na pandemia são debatidos em colóquio da Ágora Abrasco

Desigualdade no acesso às tecnologias da informação, contingenciamento de financiamento e o estresse por conta da pandemia são alguns dos desafios encarados pelas instituições de ensino na atual conjuntura de pandemia e necessidade de isolamento físico. Essas questões e as perspectivas de mudanças que podem acontecer na área da educação foram tema centra do colóquio Desafios da educação brasileira no contexto da pandemia” do dia 28 de julho na Ágora Abrasco. E para realizar um debate com essa profundidade, estiveram presentes Eliana Amaral, professora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp; Regina Brunet, 1ª vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE); Luiz Augusto Facchini, professor da UFPel e presidente da Abrasco (2009-2012); e João Carlos Salles, reitor da UFBA e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES). A coordenação do colóquio foi feita por Marília Louvison, professora da USP e integrante do Conselho Deliberativo da Abrasco.

Ataques às universidades continuam na pandemia

“A pandemia não inventou a desigualdade, mas salgou-lhe a ferida. Neste momento, nós vimos a extrema desigualdade dos estudantes no acesso às tecnologias digitais”. Foi com essa constatação que João Carlos Salles abriu o debate. O professor destacou ainda as diferenças entre cursos que podem ser adaptados ao modelo não presencial e outros não podem, havendo no momento a necessidade de reinventar mecanismos de sociabilidade. Mas se a pandemia expôs as desigualdades de forma mais forte, ela também evidenciou a importâncias das universidades. Entretanto, mesmo assim, os ataques à educação permaneceram em medidas, como as apontadas por João Carlos: “Se olharmos bem, a universidade não teve trégua com a pandemia. Tivemos a MP 914, MP 979, tentativas de intervenção na escolha de dirigentes”. O presidente da Andifes destacou ainda que o ensino remoto da universidade só será forte se tiver uma base presencial mais forte do que a atual.

Eliana Amaral iniciou sua fala ressaltando que a universidade pública não é paga por aqueles que estudam ali, mas sim por toda a sociedade por meio de impostos. Essa lembrança mostra o papel social que a instituição deve cumprir. Além disso, a professora trouxe a experiência da Unicamp, que teve que provar sua importância à sociedade por conta dos desgastes de acusações infundadas que acarretaram em uma CPI das universidades estaduais paulistas: “A gravidade da pandemia em SP fez com que a Unicamp tomasse a decisão do ensino remoto antes do Estado. Isso porque estávamos vindo do esforço da CPI de mostrar a importância da universidade para a sociedade”. Mas com a pandemia, Eliana ressaltou que a universidade se abriu e buscou caminhos e canais de diálogo com a sociedade: “Isso também exacerbou uma preocupação dos grupos de pesquisa em dar resposta. Primeiro em testes. Depois estudantes, especialmente da saúde, assumindo papel de telessaúde e informando a população ao redor de campinas”.

Políticas de Estado e apreço pela Ciência são necessários

A formação do profissional da área de saúde foi ponto principal da abordagem de Luiz Augusto Facchini. Para que tal formação tenha êxito, Facchini apontou a importância de políticas de Estado para serem viabilizadas: “Com o todo acúmulo da Abrasco na saúde coletiva, tivemos uma oportunidade de formar uma rede sobre a formação profissional, mestrado profissional, em saúde da família. Essa rede se formou por conta de políticas de Estado que financiavam e viabilizavam a formação profissional”. O professor criticou também a resposta do país à pandemia e destacou a necessidade de maior proximidade com a população destacando o papel da universidade: “Não são hospitais de campanha e respiradores que nunca serão entregues que vão fazer nossa resposta ser adequada. É na verdade, investindo naquilo que está mais próximo do cidadão: a unidade básica de atenção e as universidades”.

Representando os estudantes, Regina Brunet destacou a luta por sobrevivência das instituições de ensino em todo o país: “O que preparamos no cenário de pandemia, em primeiro lugar, é a nossa sobrevivência. A sobrevivência das universidades e institutos federais. Estamos lutando contra tudo e contra todos para conseguir sobreviver”. Além disso, Regina destacou que diante do negacionismo que parte do próprio presidente da República, a UNE viu a necessidade de divulgação e afirmação da importância da ciência criando o site https://educacaovigiada.org.br e afirmou :“Diante de um ataque tão grande, precisamos divulgar a ciência e a verdade. Mostramos as iniciativas de universidades e institutos federais diante da pandemia”.

Confira a íntegra do colóquio na TV Abrasco:

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