CPI da Pandemia: 4 a cada 5 mortes por Covid-19 no Brasil são evitáveis, populações vulnerabilizadas sofrem mais

Da esquerda para direita: Pedro Hallal, Sen. Randolfe Rodrigues, Sen. Humberto Costa e Jurema Werneck | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

“O Brasil precisa corrigir sua rota. É gente que tá morrendo. É gente que tá sofrendo. É urgente. Não há justificativa para persistência no erro” afirmou Jurema Werneck, médica e diretora da Anistia Internacional Brasil, durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a Covid-19, no Senado Federal, na quinta-feira passada (24/5). A CPI também recebeu, na mesma sessão, o epidemiologista Pedro Hallal, coordenador da pesquisa EPICOVID-19 BR e professor da Universidade Federal de Pelotas.

Jurema Werneck levou dados da pesquisa “Mortes evitáveis por Covid-19 no Brasil”, produzida por Guilherme Werneck, Ligia Bahia, Mário Scheffer – pesquisadores abrasquianos – e por Jéssica Pronestino. O estudo demonstrou que muitas mortes poderiam ser evitadas, ainda antes da vacinação, com isolamento social e uso de máscaras, por exemplo. “São mais de meio milhão de mortos, senadores, a gente precisa viver como nação este processo de luto. Precisamos chorar e honrar esses mortos. A CPI precisa criar um memorial, e um plano de responsabilização e reparação”,

“Quatro de cada cinco mortes no Brasil seriam evitadas, se estivéssemos apenas na média mundial de mortes. Teríamos poupado 400 mil vidas no Brasil” sinalizou Hallal, que apresentou estatísticas alarmantes, aos senadores e ao povo brasileiro. “Em todas as fases do EPICOVID-19 as pessoas mais pobres tiveram o dobro de infecção que as mais ricas, neste país. Indígenas tinham 5x maior risco de contaminação que brancas, pessoas negras tinham o dobro de risco de infecção que as brancas”. O pesquisador pontuou, ainda, que quando foi apresentar esses números ao Ministério da Saúde, o slide foi excluído – o que ele configurou como censura.

7x 1

Durante o inquérito, o senador Luis Heinze (PP/RS) defendeu o uso de medicamentos sem comprovação científica para tratar o coronavírus, afirmando que mais de 16 milhões de brasileiros foram salvos com o uso de medicamentos do chamado “tratamento precoce”. Hallal, então, respondeu que é como se estivéssemos comemorando o gol do Brasil contra a Alemanha, uma metáfora relacionada à Copa do Mundo de 2014: ” Foi 7×1 o jogo e a gente está comemorando que 16 milhões de pessoas ficaram doentes. Não consigo entender essa lógica”.

Confira o depoimento completo, na TV Senado:

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