SBPC convoca terceira Marcha pela Ciência e corpo a corpo com parlamentares

“Somos poucos, mas seguiremos juntos, aqui, na terceira marcha. E seguiremos outras vezes mais, até sermos muitos e garantirmos as condições para investimentos na ciência em que acreditamos”, disse Ildeu de Castro Moreira, na Praça Mauá, no Rio de Janeiro, em 2 de setembro. A fala do presidente da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) reflete o momento em que os cortes paralisam universidades inteiras, levando a laureados pelo Prêmio Nobel divulgarem carta e vídeo endereçados a Michel Temer denunciando o estado falimentar da produção científica nacional. A SBPC e suas afiliadas convocam a 3ª Marcha pela Ciência para este domingo, 08 de outubro, e realizarão na segunda e terça-feiras (09 e 10) uma série de atividades em Brasília para garantir minimamente um orçamento que garanta a existência do setor para 2018. A Abrasco se soma ao chamado e estará presente nas atividades.

As manifestações das entidades científicas e acadêmicas se intensificaram desde a apresentação do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2018 (PLOA) pelo governo federal em 31 de agosto. O orçamento movimentável delineado para 2018, que exclui despesas obrigatórias e reserva de contingência, é de cerca de R$ 2,7 bilhões para todo o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Isso significa uma redução de 56% no orçamento que havia sido aprovado na LOA 2017 para a Pasta, antes do contingenciamento de 44% das verbas. Caso não ocorram alterações, o valor que o MCTIC teve para operar em 2017, de R$3,2 bi – o menor da década – torna-se a referência para o novo teto de 2018, de acordo com a Emenda Constitucional 95, que limita os gastos públicos pelos próximos 20 anos.

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A gravidade da situação ganhou visibilidade internacional após a divulgação de uma carta endereçada ao gabinete da Presidência da República e assinada pelo físico francês Claude Cohen-Tannoudji e outros 22 laureados com o Prêmio Nobel nas áreas de Física, Química e Medicina na qual criticam a envergadura do corte, afirmando que tais medidas podem comprometer o futuro do país.“Sabemos que a situação econômica do Brasil é muito difícil, mas urgimos o senhor a reconsiderar sua decisão antes que seja tarde demais”, traz o documento. A notícia repercutiu nos principais veículos nacionais, como Estado de S. Paulo e G1. Já o jornal O Globo fez uma entrevista com Cohen-Tannoudji e Serge Haroche, na qual justificam a motivação da carta pela concepção que têm da função social da ciência: “Nós, como vencedores do Nobel, temos o dever de falar em defesa da ciência”.

O mesmo tom também está na fala do presidente da SBPC. “Estamos caminhando para trás: ao desmontar o investimento público na ciência, o sistema todo fica abalado”, destacou Ildeu em entrevista concedida à revista Época dedicada à situação da ciência do Brasil e a organização da Marcha. Liderada pela Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp) e SBPC, a 3ª Marcha terá seu ponto alto em São Paulo, com concentração às 15 horas, no vão central do MASP – clique e veja as informações do evento nas redes sociais.

O ato precederá a agenda de mobilizações que acontecerão em Brasília, com a reunião do fórum permanente das associações afiliadas à SPBC na segunda, e a audiência pública da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática da Câmara na manhã da terça-feira. Às 15 horas, uma manifestação no Salão Nobre da Câmara e no lado de fora do Congresso marcará a entrega das mais de 80 mil assinaturas da petição da campanha Conhecimento sem Cortes, no Salão da Câmara. Confira aqui a programação completa das atividades em Brasília. Mário Scheffer, vice-presidente da Abrasco, representará a comunidade da Saúde Coletiva nas atividades. Até segunda-feira, é possível somar mais nomes ao documento a ser entregue ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia – clique e assine a petição.

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