Carta de pesar: Joana Azevedo da Silva

Foto de Evgeniy Alekseyev no Pexels

Ontem (18/1), faleceu Joana Azevedo da Silva, enfermeira de formação e pesquisadora na área de Saúde Coletiva. Em seu doutorado em Saúde Pública, concluído em 2001, na FSP/USP, defendeu a tese “O Agente Comunitário de Saúde do Projeto QUALIS: agente institucional ou agente da comunidade”, primeira pesquisa acadêmica sobre Agentes Comunitários de Saúde. Joana foi companheira de Moisés Goldbaum, presidente da Abrasco entre 2003 e 2005, professor sênior do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP (DMP/FMUSP).

Confira a carta de pesar, escrita por Lilia Blima Schraiber, integrante do Conselho Deliberativo da Abrasco, em nome dos colegas do DMP/FMUSP:

Nossa amiga e colega Joana Azevedo da Silva

Joana se foi hoje, 18 de Janeiro de 2022. Uma lástima! Tendo sido participante do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP ao início de sua carreira profissional, quando foi de 1970 a 1979 enfermeira-chefe do centro de Saúde Escola do Butantã, Joana permaneceu sempre conosco. Esteve sempre aqui de coração; presente. Acompanhou-nos em nossos conflitos e desafios ao longo de nossos 50 anos e não porque era a esposa do Professor Moisés Goldbaum. Por isso também. Mas, sobretudo, porque era uma de nós: queria ver amadurecer a Saúde Coletiva, porque concordava com seus princípios, com sua proposta de campo de saber e práticas críticos à Medicina e à Saúde Pública tradicionais, e ativamente participava do movimento que criou a Saúde Coletiva… e consolidou este Departamento!

Batalhadora da e na área da Enfermagem, em que se graduou pela UFBA em 1965, Joana especializou-se em Saúde Pública (1973), em Planejamento do Setor Saúde ( 1975), pela Faculdade de Saúde Pública da USP, na qual fez seu mestrado e doutorado. Este, defendido em 2001, foi o primeiro estudo sobre agentes comunitários de saúde, e no qual destacou sua preocupação com os direitos dessas trabalhadoras e desses trabalhadores e a difícil situação de trabalho em que se encontravam: um pouco como profissionais da saúde, outro pouco , ao revés, como representação da população diante dos serviços de saúde. Ambivalência identitária, foi como analisou essa difícil condição.

Joana deu ao campo muitas contribuições, e deu ao nosso Departamento, muita atenção, empreendimento e torcida…. para que desse certo como instituição, assim como a própria Saúde Coletiva. Que falta nos fará! Resta sempre presente em nossa memória. Joana, a você nosso muito obrigado.

Lilia B Schraiber

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