Brasil conseguiu transformar a pandemia em um sistema de epidemias, avalia Naomar de Almeida Filho

“Conseguimos a triste façanha de transformar no Brasil a pandemia em um sistema de epidemias em função dos muitos equívocos, erros e dos despropósitos. Isso permitiu uma dinâmica muito peculiar que é possível que nenhum outro país do mundo tenha”. As considerações são de Naomar Almeida-Filho, vice-presidente da Abrasco, professor associado do Instituto de Saúde Coletiva da Federal da Bahia (ISC/UFBA) e pesquisador visitante do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP), e fruto do estudo “Pandemia de Covid-19 no Brasil: equívocos estratégicos induzidos por retórica negacionista” publicado em janeiro deste ano e disponível no site do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde).

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O estudo analisa a situação do Brasil na Pandemia de Covid-19 e propõe formas de conter a disseminação da doença. Diferente do que é acreditado, Naomar chamou a atenção para o fato de que o Brasil não vive uma “segunda onda” da doença. “Nós colocamos uma segunda onda sobre a primeira onda”, garante. 

A mudança no perfil de internados pela Covid-19 é um reflexo desse sistema de epidemias pela doença que surge no Brasil. Com o vírus circulando sem restrições, há o crescimento de mutações e do surgimento de novas cepas, mais infecciosas e com maior potencial de transmissão. Assim, se no início da pandemia jovens tinham menos chances de agravamento da doença, com as novas cepas, eles passam a desenvolver casos mais graves. “O que a variante faz? Traz dinâmicas de transmissão que são diferentes da original. Então está havendo uma mudança no perfil etário. As pessoas que têm outras doenças continuam sendo muito vulneráveis, mas essa mudança de perfil etário pode ser devido a mudança da capacidade do microrganismo de produzir casos graves”.

O abrasquiano participou de uma entrevista para o Canal Brasil 247 onde comentou os efeitos do agravamento da pandemia no brasil. A íntegra pode ser conferida pelo player abaixo.


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