Marcha Pela Vida: painéis da SBPC e da Fiocruz defendem ciência e vida como bens fundamentais

Montagem de duas das transmissões da manhã da Marcha Pela Vida

Dentro das diversas atividades realizadas pela MarchaPela Vida na manhã de 9 de julho, duas em particular celebraram o dia “V da Vida” com importantes debates sobre o papel e o desafio das ciências e da produção de ciência, tecnologia e inovação voltados para saúde. Os paineis online “As ciências e a Vida”, organizado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), e  “Fiocruz na Marcha Pela Vida: Desafios de hoje e de amanhã” pela Fiocruz, expuseram a importância da vida como bem fundamental; da solidariedade, em particular com os mais vulneráveis; a necessidade do fortalecimento do SUS; e a defesa da democracia, além de contar com o apoio e a presença de importantes sanitaristas integrantes do Abrasco, numa sinergia e multiplicação de ações desse importante movimento.

Com a abertura do presidente Ildeu de Castro Moreira e mediação do jornalista Herton Escobar, o painel da SBPC teve as participações de cientistas de diferentes nove áreas disciplinares do conhecimento, como biologia, antropologia, medicina, filosofia, psicologia, saúde coletiva e neurociências. Em declarações previamente gravadas, eles versaram sobre as inúmeras formas de vida, sobre a origem da vida e as reações químicas que dão sustentação à ela, sobre a ecologia, os sistemas vitais e a biodiversidade, sobre o valor de todas as vidas em tempos de destruição.

Representante da Saúde Coletiva, Maurício Barreto, coordenador da Rede Covida, inicativa do Cidacs/IGM/Fiocruz e ISC/UFBA, destacou a saúde como direito de todos e dever do Estado e a importância do SUS, evidenciado no momento da pandemia, mesmo com todas as suas incompletudes. Barreto enfatizou a necessidade da preservação da vida e da proteção à saúde, com o fortalecimento desde a atenção básica à assistência hospitalar. Para ele, todos os mecanismos de proteção social devem ser ativados, para que todos possam ser atendidos. O pesquisador afirmou ainda ser necessário o cumprimento do distanciamento social e que os cientistas precisam entender a epidemia, produzindo conhecimento, para “saírmos mais solidários e coesos, com o mínimo possível de perdas, indeléveis e irreparáveis, em um mundo mais justo, inclusivo e saudável”, disse.

Já no painel “Desafios de hoje e de amanhã”, realizado pela Fiocruz, Nísia Trindade, presidente da Fundação Oswaldo Cruz, fez um retrospecto desde a criação das estruturas originárias da Fundação, há 120 anos, passando pelo movimento da reforma sanitária brasileira, da Constituição Federal de 1988 e a criação do SUS. Para Nísia Trindade, neste momento de pandemia, o sistema universal de saúde brasileiro é um diferencial, mesmo com tantas fragilidades. A pesquisadora também destacou a importância das bases do SUS, da atenção básica, do trabalho de agentes comunitários e de agentes de endemias, da gestão, e das perspectivas da epidemia, enquanto fenômeno biológico, ambiental, econômico, social, que expõe a desigualdade de nosso país e a vulnerabilidade de nossa população.

A presidente da Fiocruz ressaltou a importância da ciência, da tecnologia e da inovação, e a questão dos dados e das informações em saúde. Nísia Trindade falou do futuro, sobre a possibilidade de acontecerem novas epidemias e o que podemos fazer, além da realização de ações em conjunto com outras entidades que possam reduzir o impacto, já tão dramático, da Covid-19 em nosso país.

Cristiani Vieira Machado, Vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz e integrante do Conselho Deliberativo da Abrasco, contou um pouco sobre a trajetória da saúde coletiva no país, ressaltando a produção científica na área e a expansão e diversificação dos últimos tempos.

A pesquisadora também falou sobre as publicações científicas em tempos de pandemia e mostrou gráficos sobre temáticas pesquisadas e periódicos onde os cientistas estão publicando. Citando Sérgio Arouca, Cristiani Machado ressaltou a “importância da reforma sanitária e da construção do SUS como processo civilizatório, implicado com valores como a solidariedade e a vida”.

O pesquisador Maurício Barreto também marcou presença no painel da Fiocruz e apresentou a Rede CoVida – Ciência, Informação e Solidariedade, que é um projeto de colaboração científica e multidisciplinar focado na pandemia de Covid-19. A rede CoVida “é uma iniciativa que surgiu em março de 2020 a partir da união entre o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e a Universidade Federal da Bahia (Ufba), diante da maior crise de sanitária global dos últimos 100 anos”.

Para o futuro, Barreto aponta que a Rede pode deixar um “legado que fica na compreensão da epidemia, para pensarmos em linhas futuras de investigação. Conhecimento é tarefa que não se acaba em curto prazo”, concluiu.

Veja o painel da SBPC:

E o painel da Fiocruz:

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