Abrasquiano e demais pesquisadores detalham perseguição à ciência

Foto: Unsplash

Os cientistas que pesquisam sobre agrotóxicos e seus impactos socioambientais têm sofrido recorrentes perseguições políticas, o que ameaça o desenvolvimento da ciência, da democracia e da saúde coletiva. Essa opressão foi tema principal de uma reportagem em parceria de O Joio e O Trigo e De Olho nos Ruralistas, publicada dia 28/07, e que reúne relatos reais. Vice-coordenador do Grupo Temático Saúde e Ambiente (GTSA/Abrasco), o pesquisador da Fiocruz Ceará Fernando Carneiro foi um dos casos citados pela reportagem.

Em 2015, Fernando Carneiro divulgou dados do Ministério da Saúde que indicavam como o Ceará ocupava a terceira colocação no ranking de estados que mais consumiram agrotóxicos no ano de 2013. A ação causou repercussão na mídia e no setor do agronegócio local. Consequentemente, em 2016, a Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (FAEC) emitiu uma interpelação judicial contra o pesquisador, chegando a pedir sua demissão. Além disso, a federação conseguiu com que o Ministério mudasse os critérios para ranqueamento. Como resultado da mudança, o Ceará ficou em última posição nos relatórios posteriores.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Abrasco e demais instituições parceiras se pronunciaram publicamente em defesa do pesquisador. À época, Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz, respondeu aos questionamentos da federação. Na defesa, a fundação declarou que as afirmações feitas pela FAEC sobre o pesquisador eram “infundadas” e defendeu o uso da palavra “veneno” para se referir aos agrotóxicos. “Foi muito importante, mostrou que a instituição estava defendendo seus pesquisadores no exercício da função”, afirma Fernando na matéria.

“O campo da produção científica, especialmente o de pesquisa voltada para o meio ambiente, saúde coletiva e agroecologia, tem se tornado tão hostil”, aponta o texto da repórter investigativa Schirlei Alves, que também destacou na matéria as contibuições da Rede Irerê de Proteção à Ciência.

A matéria conta a história de outros pesquisadores censurados, como o engenheiro agrônomo Vicente Almeida, a pesquisadora Larissa Bombardi, a pesquisadora do Núcleo de Estudos Ambientais e Saúde do Trabalhador e do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Mato Grosso (Neast/IST/UFMT) Marcia Montanari, a imunologista e pesquisadora científica do Instituto Butantan Mônica Lopes Ferreira e a pesquisadora Débora Calheiros.

Leia aqui a reportagem na íntegra.

Acesse aqui as publicações da Abrasco dedicadas às investigações sobre agrotóxicos, agronegócio e agroecologia.

Comments

comments

Deixe um comentário