25 de julho: “Nossos passos vêm de longe!” – Artigo de Raquel Souzas

As redes sociais, hoje, veiculam imagens de mulheres negras em ocupações de destaque. Isso é altamente positivo, sobretudo, para as meninas negras. O sucesso, além de ser relativo, chega somente com grandes sacrifícios pessoais, das famílias e das comunidades negrxs.

Como mulher negra, pesquisadora em Saúde Coletiva, busco compreender as condições de saúde da população negra, particularmente das mulheres negras, das comunidades quilombolas e das periferias.

Hoje é possível ver como os desfechos em saúde estão intimamente relacionados às condições de vida, compreender as experiências de adoecimento e cura das pessoas negras e como estão estreitamente relacionadas às condições herdadas, às desigualdades persistentes.

Há um expressivo segmento, do qual eu participo, de pesquisadorxs negrxs e não- negrxs dedicados à saúde da população negra. É sem dúvida uma conquista resultante de um histórico de lutas.

É importante lembrar que a luta cotidiana de cada mulher negra na lida diária, as decisões das nossas avós, de nossas mães e irmãs, de Marielle Franco, nos fizeram chegar até aqui. Intelectuais negras, como Lélia Gonzalez, Luiza Bairros, psicanalistas negras, como Virgínia Bicudo, compreenderam, muito antes de nós, que as subjetividades negras são afetadas singularmente pelo racismo.

O grande esforço de luta antirracista se impõe por que o racismo atinge espaço-temporalmente as populações negras e, ao mesmo tempo, afeta singularmente cada um de nós.

A busca pela implementação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População Negra, é sem dúvida alguma uma luta importante para nós do GT Racismo e Sáude da Abrasco e para todxs nós, negrxs!

*Raquel Souzas é professora associada do IMS/CAT UFBA e membro do GT Racismo e Saúde da Abrasco

25 de Julho é o Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha

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