10 anos da Rede APS da Abrasco: fortalecendo a saúde coletiva e a cidadania

Com mais de 8.700 membros cadastrados em seu portal, a Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde (Rede APS) da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) completa os 10 anos de atividade em 2020. A Rede foi lançada no V Seminário Internacional de Atenção Primária à Saúde realizado no Rio de Janeiro em 2010. Ao longo desses anos, diversos, eventos, pesquisas e parcerias foram realizadas sempre buscando identificar os desafios da atenção básica no país e sistematizar as respostas disponíveis para apoiar gestores e profissionais de saúde na tomada de decisão. Esse esforço pode ser visto na recente pesquisa “Desafios da Atenção Básica no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no SUS”, que se propôs a identificar os principais problemas e as estratégias de reorganização da Atenção Primária à Saúde (APS) utilizadas no enfrentamento da Covid-19 nos municípios brasileiros.

Diálogo com profissionais e avaliação de estratégias

Entre os objetivos da Rede APS também está o diálogo constante com a formação profissional, a produção de conhecimento sobre o tema e a prática cotidiana dos serviços. Identificar as lacunas no conhecimento sobre APS e promover as investigações necessárias para apoiar mudanças no cuidado à população, propor a discussão e realocação de recursos, qualificar serviços e ações, divulgar boas práticas e construir uma saudável rede de interação com outras entidades e organismos nacionais e internacionais são alguns pontos que marcaram presença ao longo desses 10 anos.

Vale aqui ressaltar que o surgimento da Rede de Pesquisa em APS coincide com uma forte demanda dos serviços de saúde pela incorporação de processos avaliativos. Com efeito, desde a implantação da Saúde da Família, o Ministério da Saúde buscou implantar processos avaliativos que permitissem verificar o acesso, a qualidade e o impacto dessa estratégia de atenção no Sistema Único de Saúde.

Ações e eventos em defesa da vida marcam a construção

A construção da Rede APS envolve uma constante mobilização e formação dos atores que a formam. Nesse sentido, eventos e ações são formas constantes de manter o debate profissional aberto e dialogar com todos os setores que são envolvidos no trabalho. Dentre as ações desenvolvidos ao longo deste período podem ser destacadas o Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB) (2011), a Plataforma de Conhecimentos do Programa Mais Médicos (2015) e a Rede Nacional de Mestrados Profissionais em Saúde da Família (2016). Essas três ações envolveram fortalecimento de parcerias, compartilhamento de conhecimento e pesquisas e ampliação de capacitação profissional.

Em 2017, a Rede APS, por meio de declarações públicas de seus integrantes, manifestou posicionamento de alerta em relação à formulação do “novo” Plano Nacional de Atenção Básica, ou ‘nova’ PNAB. Além disso, um fórum público foi organizado durante o período de Consulta Pública da proposta para debater possíveis mudanças. Apesar de considerar que a versão final da ‘nova’ PNAB não reflete significativamente os resultados da Consulta Pública, nem os posicionamentos institucionais, os autores avaliaram que “as críticas produzidas no interior da Rede foram importantes para dar visibilidade aos problemas decorrentes da nova política”.

As respostas à pandemia de Covid-19

Com a chegada da pandemia, a Rede APS sentiu a necessidade de uma constante mobilização para atualizar os conhecimentos sobre a Covid-19 e debater as respostas, ações e atuações diante da crise sanitária. Para isso, o comitê gestor da Rede manteve reuniões semanais e também foram realizados dois seminários sobre o tema: “Desafios da APS no SUS no enfrentamento da Covid-19” e “Experiências de fortalecimento da Estratégia Saúde da Família para o enfrentamento da Covid-19: o que podemos aprender?”. Ambos os eventos foram transmitidos pela TV Abrasco e contaram com grande público e interação dos que assistiram.

Mas a principal ação a ser destacada da Rede trata-se da a pesquisa “Desafios da Atenção Básica no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no SUS”. O estudo pretende mapear os principais problemas na Atenção Básica/Atenção Primária (AB/APS) nos municípios brasileiros com a chegada do coronavírus, e também quais estratégias de reorganização estão sendo utilizadas. A pesquisa conta com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) e pretende subsidiar propostas e ações que reforcem o papel crucial da Atenção Primária à Saúde (APS) no Sistema Único de Saúde e no controle da pandemia de Covid-19.

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