GT Racismo e Saúde

Por que a Abrasco criou um Grupo Temático para o Racismo e Saúde?

A proposta de criação do GT Racismo e Saúde surgiu de pesquisadores, gestores, profissionais de saúde e lideranças de movimentos sociais participantes do 7º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva realizado em 2003, em Brasília. Nesse evento foi aprovada a moção que propunha a criação de um Grupo de Trabalho com a temática racial na Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco.  O “campo” de estudos saúde da população negra tem como marca a integralidade a participação popular (controle social), o princípio ético da equidade, o enfrentamento e desconstrução do racismo no campo da saúde. Também são considerados como marca desse campo a saúde como direito social, de cidadania e dignidade da pessoa humana, assim como a defesa dos princípios do Sistema Único de Saúde – SUS.

O GT Racismo e Saúde é um espaço de diálogo e de articulação entre pesquisadoras/es, profissionais de saúde, gestor@s, negros em movimentos que estão trabalhando com a temáticas relacionadas ao racismo, seu impacto na sua e a forma de enfrentamento

No GT serão realizadas discussões sobre os temas relacionados ao impacto do racismo na saúde e a forma de enfrentamento – a questão racial no Brasil, seus impactos nas relações sociais e implicações sobre o processo saúde-doença da população negra; Racismo e saúde e suas interseccionalidades (especialmente gênero e classe); Doenças, agravos e condições mais frequentes na população negra; Genética; Doenças geneticamente determinadas; Bioética; Situação de saúde das populações em situação de vulnerabilidades individual, social e programática; Ciclo da vida; Condições de vida e saúde da população negra; Medicina popular de matriz africana; Contribuição das manifestações afro-brasileiras na promoção da saúde; Religiões afro-brasileira e promoção da saúde; Racismo institucional, avaliação de políticas, programas, serviços e tecnologias; Estudos curriculares, estudos sobre estratégias pedagógicas em saúde da população negra e mecanismos explícitos de superação das barreiras enfrentadas pela população negra no acesso à saúde, particularmente aquelas interpostas pelo racismo.

Reconhecemos que o racismo é um importante fator de violação de direitos e de produção de iniquidades. O racismo tem relação com as condições de vida e é também visível na qualidade da assistência e do cuidado prestados. Para enfrentar o racismo é necessária a criação de espaços de discussão e execução de políticas específicas. O racismo estrutura profundamente o escopo de democracia no Brasil, reduzindo a abrangência da cidadania, estando na base da criação e manutenção de preconceitos, ou seja, ideias e imagens estereotipadas e inferiorizantes acerca da diferença do outro e do outro diferente, justificando o tratamento desigual (discriminação). Em sua expressão na vida de indivíduos e grupos, o racismo assume três dimensões principais, segundo o modelo proposto por Camara P. Jones, racismo internalizado/pessoal, o racismo interpessoal e o racismo institucional. (Werneck, 2016).

Os dados epidemiológicos obtidos evidenciam diferenciais na saúde de brancos, negros, indígenas e amarelos – as categorias de raça/cor (quesito cor). Nesse sentido o racismo, a classe social, gênero e geração são categorias importantes no desfecho em saúde, e/ou na determinação da distribuição do processo de produção da saúde e da doença. Os estudos evidenciam as desigualdades raciais e seu impacto na saúde, revelam como o racismo opera no sistema de saúde e desafiam a agenda da gestão pública. A solução encontrada pela Abrasco para enfrentar o racismo institucionalizado foi formular e implementar um Grupo de Trabalho para garantir que esse tema seja incluído dentre as linhas de atuação da Associação.

O GT se propõe a ser um espaço privilegiado de troca entre pesquisadores, profissionais de saúde, movimentos sociais e gestores. Nossos objetivos são:

a) Propor a inclusão dos temas relacionados racismo, seu impacto na saúde e a forma de enfrentamento, bem como suas interseccionalidades (gênero, classe) em atividades, mesas, palestras, reuniões científicas e Congressos organizados pela Abrasco;

b) Propor e realizar atividades em articulação com outros GTs da Abrasco;

c) Congregar a experiência que os movimentos sociais negro tem no campo das relações raciais em saúde, a experiência dos docente que incluíram a temática racial na formação inicial, na pós-graduação e na educação permanente, o trabalho desenvolvido na gestão do Sistema Único de Saúde em especial na implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra – PNSIPN;

d) Contribuir para nortear a implantação da temática, fomentar e incluir os temas como racismo e saúde da população negra nas formações universitárias, especialmente das áreas de saúde; e na educação permanente de recursos humanos na área de saúde, como exercício de ações intersetoriais entre saúde e educação;

e) Estabelecer uma agenda de cooperação entre pesquisador@s, gestores, profissionais de saúde e sociedade civil visando reduzir as iniquidades raciais em saúde;

f) Debater quais os desafios e as estratégias utilizadas por usuários, gestores e profissionais de saúde para o enfrentamento e desconstrução do racismo no campo da saúde.

Nosso Plano de Trabalho para o biênio 2017-2018 é:

a) Realizar mesas e palestras nos Congressos e reuniões científicas organizadas pela Abrasco;

b) realizar atividades conjuntas com outros GTs da Abrasco; c) realizar encontros presenciais;

d) contribuir na elaboração e divulgação de notas;

e) realizar levantamento das pesquisadoras e pesquisadores que atuam no campo saúde da população negra.

Luís Eduardo Batista

Últimas notícias

Doença Falciforme e Covid-19: negligências históricas e novas ameaças à vida
  19 de junho de 2021

19 de junho, dia da Doença Falciforme, data escolhida pela ONU

“Política também se faz com omissão”, disse Alexandre Silva no Programa Estação Livre da TV Cultura
  17 de maio de 2021

Abrasquiano abordou também a importância da inserção do tema etnico racial na formação dos profissionais de saúde

Luís Eduardo Batista participa do programa Opinião da TV Cultura para debater Racismo e Saúde Pública
  16 de maio de 2021

Foram debatidos os impactos da pandemia nesta parcela populacional

133 anos após a Abolição, negros ainda lutam por direitos - Artigo de Fernanda Lopes e Lúcia Xavier
  13 de maio de 2021

No Brasil, dados mostram que a população negra tem sido mais afetada durante a pandemia

“Da prevenção à vacinação, negros não são prioridade para os governos”, diz reportagem publicada pelo Portal Dráuzio Varella
  10 de maio de 2021

Matéria ouviu duas abrasquianas, Emanuelle Góes e Márcia Alves, ambas do GT Racismo e Saúde