Fórum de Editores divulga nota sobre processo de internacionalização

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Reunidos em 28 de julho durante as atividades pré-congressuais do 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva – Abrascão2015, o Fórum de Editores de Revistas de Saúde Coletiva debateu sobre os critérios exigidos pelo SciELO no processo de internacionalização das publicações científicas.

O documento reforça considerações anteriores já debatidas por esse coletivo e lançadas primeiramente na Carta de São Paulo, de dezembro de 2014, quando já apontavam como equivocadas as diretrizes que, ao final, aumentam os custos editoriais, favorecem as publicações já consolidadas em detrimento das mais recentes, e desvalorizam a língua portuguesa e a cooperação Sul – Sul. Ao final, conclama que o canal de diálogo com a plataforma mantenha-se aberto, como na reunião realizada em março deste ano, em prol do fortalecimento da produção científica brasileira.

Estiveram presentes as seguintes publicações e seus representantes: Cadernos de Saúde Pública, representada por Claudia Coeli; Ciência & Saúde Coletiva, por Maria Cecília Minayo; Revista Brasileira de Epidemiologia (RBE), por Marcia Furquim; Saúde em Debate, por Heleno Corrêa Filho; Revista da Saúde Pública, por Sergio Baxter; Epidemiologia e Serviços de Saúde, por Leila Posenato Garcia; Revista Trabalho, Educação e Saúde (REVTES), por Angélica Ferreira Fonseca; Interface – Saúde, Educação e Comunicação, por Antônio Pithon Cyrino, e Physis, por Kenneth Camargo. Confira abaixo a nota na íntegra e acesse o documento na Biblioteca.

Nota do Fórum de Editores de Revistas de Saúde Coletiva

Os periódicos brasileiros da área de Saúde Coletiva são um patrimônio importante para o campo, tanto na vertente da produção científica quanto na de serviços. Aqueles já incluídos na coleção SciELO produzem fatia relevante do total de artigos da mesma, representando 7% do total de artigos publicados, e 16% considerando-se apenas as ciências da saúde, nos anos de 2011 a 2013 (PACKER, 2015). Ao mesmo tempo, mostram compromisso indissolúvel com o Sistema Único de Saúde (SUS), importante campo de pesquisa e destinatário final de boa parte de seus resultados.

É desse ponto de partida que conclamamos a direção da SciELO a continuar o diálogo que começamos sobre os novos critérios para inclusão e permanência na coleção. Embora concordemos e já estejamos em processo de adaptação a algumas dos novos critérios, em especial aqueles ligadas a indicadores de processo e estrutura, como a participação de editores internacionais e a utilização de sistemas eletrônicos de processamento de manuscritos, temos divergências importantes com relação a alguns dos indicadores de resultados, sobretudo os que estão sendo designados, de forma algo simplista, como “internacionalização”. Não vamos retomar aqui as extensas críticas de Vessuri e cols (VESSURI et al., 2013) a essa lógica, apenas registrar os riscos apontados pelos autores de uma adesão irrefletida a uma lógica de publicação que segue sendo dominada por poderosos interesses econômicos.Tememos pelas repercussões negativas que tal adesão possa ter na vinculação orgânica de nossas publicações com nosso sistema de saúde, seus profissionais e usuários.

Consideremos em primeiro lugar a questão da linguagem. Ainda que reconhecendo a importância da língua inglesa, por um lado temos uma base de leitores que não nos permite abrir mão da língua portuguesa; por outro, por opção político-ideológica desejamos intensificar a cooperação Sul-Sul, o que inclui a África lusofônica, e aponta para o espanhol como uma opção estratégica de língua estrangeira. Note-se que o próprio American Journal of Public Health (AJPH), uma das mais antigas e relevantes publicações da área, tomou a iniciativa de, em conjunto com a Organização PanAmericana de Saúde (OPAS), traduzir a cada ano um conjunto de artigos para o espanhol, publicados no boletim da OPAS e consolidados num suplemento anual do próprio AJPH (ANDRUS et al., 2014).

A tradução de artigos para língua estrangeira, independentemente de manter versões multilinguais das revistas, representa custos adicionais para revistas que já lutam com dificuldades para manterem-se no patamar em que se encontram. Quatro estratégias têm sido adotadas por diversas revistas: a utilização de recursos próprios para financiar a tradução; a cobrança de taxas de publicação;o condicionamento da publicação à apresentação de versão traduzida; e a oferta de publicação de versão traduzida, a cargo dos autores. As três últimas implicam no repasse aos autores de parte dos custos de publicação, e a primeira só tem sido disponível para muito poucos. Num momento em que recursos para a ciência brasileira se tornam escassos, a criação de ônus adicionais para periódicos e/ou autores representa problema adicional, que precisa ser melhor discutido.

A criação de ônus para a publicação ou a adoção de medidas que impliquem a redução do parque nacional de revistas científicas qualificadas, em geral e especial na Saúde Coletiva, arrisca agravar as consequências do que Merton denominou de “efeito Mateus” (MERTON, 1968), a concentração de cada vez mais prestígio e recursos em poucas instituições, periódicos e pesquisadores. Fiéis ao ideário que identifica nossa própria área, defendemos políticas solidárias e includentes; no caso da publicação científica, isso se traduz na ampliação do nosso ecossistema de publicação, criando mecanismos de apoio que permitam a crescente qualificação de mais revistas segundo os critérios pactuados, com a vantagem de, com isso, criar-se mais oportunidades de citação de autores nacionais.

Com relação a esse último item, entendemos ainda que necessitamos de uma discussão mais aprofundada sobre o significado e aplicações dos indicadores bibliométricos. Consideramos que seria importante a realização de seminário nacional, com a participação de pesquisadores internacionais da área que tem contribuído para a discussão para além dos interesses comerciais dos três gigantes – ReedElsevier, Thomson-Reuters e Google – que no momento controlam a produção de tais indicadores. Acreditamos ser necessária, por exemplo, a inclusão de outros indicadores de uso – como acessos a artigos – dada a característica por diversas vezes reiterada de termos nos profissionais do SUS uma importante clientela, que enriquece sua prática a partir da leitura de nossos artigos, sem que sejam publicadores na sua maioria, não gerando, portanto, citações.

Por fim, gostaríamos que fosse incluída na pauta de discussões a questão da integridade na pesquisa, abordada de forma tímida nos novos critérios da coleção SciELO, que se referem apenas à utilização de softwares de detecção de plágio. Iniciamos gestões para tentar uma filiação em bloco ao Committee on Publication Ethics (COPE), com intermediação da Abrasco, passo que consideramos de fundamental importância na qualificação de nossas revistas.

Em suma, acreditamos que estamos todos de acordo com a necessidade de valorização e incremento da visibilidade da produção científica nacional, ainda que discordemos em alguns detalhes, que gostaríamos que fossem objeto de continuada negociação, pautada pelos nossos objetivos comuns e no respeito mútuo.

Goiânia, 28 de Julho de 2015
Referências:

ANDRUS, J. K.; BENJAMIN, G. C.; WILSON, J. Expanding access to Spanish-speaking communities: a critical partnership. American journal of public health, v. 104, p. S195–9, 2014

MERTON, R. K. The Matthew effect in science. Science, v. 159, n. 3810, p. 56–63, 1968.

PACKER, A. L. Indicadores de centralidade nacional da pesquisa comunicada pelos periódicos de Saúde Coletiva editados no Brasil. Ciênc. saúde coletiva, v. 20, n. 7, p. 1983–1995, 2015.

VESSURI, H.; GUÉDON, J.-C.; CETTO, A. M. Excellence or quality? Impact of the current competition regime on science and scientific publishing in Latin America and its implications for development. Current Sociology, p. 0011392113512839, 2013.

Fórum de Editores de Saúde Pública se reunirá no Abrascão 2015

A definição de novas regras para a participação da Coleção SciELO, divulgadas em novembro do ano passado, mobilizou parte expressiva dos editores das publicações científicas do campo da Saúde Coletiva a se organizarem no intuito de melhor se articularem política e cientificamente para ter voz qualificada neste e em outros debates acerca do tema. Nesse sentifo, foi organizado o Fórum de Editores de Saúde Pública, que realizará novo encontro durante as atividades pré-congressuais do 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, o Abrascão 2015.

O objetivo do encontro é construir uma primeira avaliação das repercussões das novas regras e desenvolver estratégias comuns para dar conta das novas exigências, sempre visando o fortalecimento e a sustentabilidade das revistas nacionais de Saúde Coletiva, patrimônio coletivo do campo e principal canal de diálogo da nossa comunidade científica.

Leopoldo Antunes, editor da Revista de Saúde Pública e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), adianta como será a dinâmica da reunião. “Nós, coordenadores, apresentaremos as mudanças recentes que vêm sendo implantadas no processo editorial de nossas revistas em função dos novos critérios propugnados pela SciELO. Em seguida, abriremos o debate para que as demais revistas também se posicionem”. O Fórum de Editores é coordenado por um grupo de editores de cinco revistas. Além de Antunes, fazem parte da coordenação os seguintes pesquisadores-editores: Romeu Gomes (Ciência & Saúde Coletiva); Cláudia Medina Coeli (Cadernos de Saúde Pública); Kenneth Camargo (Physis), e Márcia Furquim (Revista Brasileira de Epidemiologia – RBE).

Para Kenneth Camargo, professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/Uerj), o principal encontro científico da Saúde Coletiva brasileira é um momento privilegiado para uma visão geral da produção do campo e para o debate dos rumos da produção científica da área.

“Os congressos de todas as áreas da ciência vêm incluindo atividades para a discussão da produção científica, o que também ocorrerá no Abrascão. Isso tem permitido uma disseminação geral de perspectivas mais críticas sobre a pesquisa e disseminação de seus resultados. Esperamos que nosso encontro venha a fortalecer a publicação científica em Saúde Coletiva e seus veículos nacionais”.

Reunião Fórum de Editores de Saúde Coletiva
Terça-feira, 28 de julho, das 14h às 16h
Sala Baru- 304

Abel Packer reúne-se com Fórum de Editores de Saúde Coletiva

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Realizada em 6 de março na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), em continuidade as reuniões anteriores do Fórum e Editores  de Saúde Coletiva, os editores científicos presentes tiveram um encontro com Abel Packer, Coordenador do Programa SciELO / FAPESP (Scientific Electronic Library Online). O encontro marcou a retomada do diálogo do sistema de publicações científicas com as revistas da área, que questionam os métodos recém adotados de pontuação e de qualificação da produção científica. Foi o quarto encontro do novo coletivo dedicado a pensar as ferramentas e as metodologias da produção científica na área.

Após a rodada de apresentação, Packer discorreu sobre a proposta dos novos critérios de dimensionamento dos diversos periódicos do SciELO. Lembrou que vários fatores contribuíram para a criação desses critérios, formulados por decisão do Conselho Consultivo do Programa, e que tiveram como princípio adequar a ferramenta à percepção da realidade dos periódicos brasileiros, bem como tentar oferecer aos editores o desempenho editorial que esperam da plataforma eletrônica. A cada vez maior necessidade de  indicadores e a grande demanda de inserção de periódicos na base contribuíram para a atual proposta. Segundo o coordenador, são recusadas, por diferentes razões, entre 80% e 90% das solicitações de inclusão de novos periódicos na base.

O coordenador do SciELO sintetizou os novos critérios para credenciamento e permanência dos periódicos na base eletrônica a partir de três pontos: profissionalização, internacionalização e sustentabilidade dos periódicos. Seguir procedimentos já padronizados para editoração científica, como a preparação de arquivos no formato XLM, a obtenção do DOI (Digital Object Identifier)e a adoção de sistemas online de submissão são os pilares centrais do que o programa vem entendendo como profissionalização. No quesito sustentabilidade, Packer reforçou a importância dos periódicos garantirem fontes estáveis de financiamento, para não pôr em risco a continuidade nem a periodicidade dos títulos.  Sobre os critérios de internacionalização, esclareceu que, num primeiro momento – de 2015 a 2016, a avaliação será feita sim por área de conhecimento, e não por periódico. Sob as formas de comunicação com o Programa, ele limitou-se a reforçar a representação de área e o blog do SciELO.

Após a exposição, diversas falas dos editores pontuaram a história do SciELO, sua relação com os periódicos e com a BIREME, e a importância de novas metodologias e ferramentas de avaliação para contemplar a singularidade das publicações da Saúde Coletiva. Ao final, foi decidida a organização de um seminário do Fórum de Editores  de Saúde Coletiva com a perspectiva de formular melhor diagnóstico da situação da área e de se estudar a possibilidade de discussão de novos critérios.

Para o professor José Leopoldo Antunes, Editor Associado da Revista de Saúde Pública, publicada pela FSP/USP, “apesar das diferenças de opinião, toda a reunião transcorreu com cordialidade, sinalizando a possibilidade de uma comunicação mais eficiente entre Fórum e o SciELO no futuro próximo”.

Carlos Silva, secretário-executivo da Abrasco, acompanhou a reunião. Ao tomar a palavra, fez uma saudação aos presentes em nome do professor Luis Eugenio de Souza, presidente da Associação. Ele também achou o encontro muito bom e marcou, em sua fala, o importante avanço das negociações e no diálogo entre editores e o SciELO, que teve como desdobramento a proposta de realização do seminário. “Abraçamos essa ideia com o Fórum de Editores e o SciELO como forma de abrir espaço para a revisão das ideias sobre o processo de produção científica e o amadurecimento do debate sobre os novos indicadores propostos pela plataforma eletrônica”. A definição de datas e a composição final do comitê executivo para coordenação da atividade serão debatidos em reunião futura, ainda não agendada.

Fórum de Editores da Abrasco debate panorama da editoração científica

Começa a primeira reunião do Fórum de Editores da Abrasco de 2015. Até 17h00, no auditório internacional, no 4º andar da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/FIOCRUZ), editores de revistas brasileiras de Saúde Coletiva estarão reunidos para debaterem importantes modificações no panorama da editoração científica nacional.

“Em reunião realizada no dia 18 de Novembro de 2014, nós, editores de revistas brasileiras de Saúde Coletiva, decidimos criar o Fórum de Editores de Saúde Coletiva, ligado à Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), como modo de melhor articular nossa ação política e científica. A reunião foi motivada pela perspectiva de importantes modificações no panorama da editoração científica nacional, sinalizada por dois importantes atores, a CAPES e a SciELO” explica a carta de São Paulo – documento divulgado na criação do Fórum pelos editores de revistas brasileiras de Saúde Coletiva como estratégia de melhor articular a ação política e científica.

A reunião foi motivada pela perspectiva de importantes modificações no panorama da editoração científica nacional, sinalizada por dois importantes atores, a CAPES e a SciELO. Como Fórum, o objetivo comum, e de toda a comunidade científica brasileira, em especial a da área de Saúde Coletiva, é o de aprimorar cada vez mais a qualidade e a visibilidade, nacional e internacional, das revistas brasileiras. O Fórum reconhece o papel desses interlocutores nesse sentido, especialmente da SciELO, que ocupa lugar central nesse processo.

Entre os presentes, representantes das publicações Cadernos de Saúde Pública, Ciência & Saúde Coletiva, Epidemiologia e Serviços de Saúde, Interface: Comunicação, Saúde, Educação, Revista Brasileira de Epidemiologia, Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, Revista de Saúde Pública, Physis, Saúde e Sociedade, Boletim do Instituto de Saúde de São Paulo, Reciis, Cadernos de Saúde Coletiva, Saúde em Debate, Trabalho, Educação e Saúde, Revista Baiana de Saúde Pública e Revista Brasileira de Saúde Ocupacional.

Primeira Reunião do Fórum de Editores acontece na ENSP/Fiocruz

No próximo dia 14 de janeiro, no Rio de Janeiro, acontece a Reunião do Fórum de Editores da Abrasco. O evento vai acontecer das 9 às 17 horas, no auditório internacional, no 4º andar da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/FIOCRUZ), situada a Rua Leopoldo Bulhões, 1480, Manguinhos, Rio de Janeiro/RJ.

Em reunião realizada no dia 18 de Novembro de 2014, o Fórum, ligado à Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), foi lançado pelos editores de revistas brasileiras de Saúde Coletiva como estratégia de melhor articular a ação política e científica.

A reunião foi motivada pela perspectiva de importantes modificações no panorama da editoração científica nacional, sinalizada por dois importantes atores, a CAPES e a SciELO. Como Fórum, o objetivo comum, e de toda a comunidade científica brasileira, em especial a da área de Saúde Coletiva, é o de aprimorar cada vez mais a qualidade e a visibilidade, nacional e internacional, das revistas brasileiras. O Fórum reconhece o papel desses interlocutores nesse sentido, especialmente da SciELO, que ocupa lugar central nesse processo.

Jornal da Ciência repercute posicionamento do novo Fórum de Editores em Saúde Coletiva

Lançado oficialmente em 18 de novembro e anunciado pelo Portal Abrasco no último dia 25, o Fórum de Editores de Saúde Coletiva vem recebendo mensagens de apoio pelo posicionamento crítico sobre os caminhos que vem sendo traçados pela Capes e SciELO, em uniformizar a avaliação dos periódicos científicos por meio de indicadores bibliométricos e publicação de artigos em inglês de aurores residentes no exterior.

A Carta de São Paulo, documento avalizado pelo novo Fórum da Abrasco, foi republicada pela edição diária na web de um dos principais veículos de debate do meio científico brasileiro, o Jornal da Ciência Notícias, da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC). A reunião entre Capes, SciELO e revistas indexadas na base que avaliará a aplicação dos novos critérios será na terça-feira, 02 de dezembro. Confira o link da republicação pelo JC Notícias e a versão original, na Biblioteca do Fórum. 

Fórum de Editores de Saúde Coletiva contesta proposta de novos critérios do Portal SciELO


Em reunião realizada no dia 18 de Novembro de 2014, nós, editores de revistas brasileiras de Saúde Coletiva, decidimos criar o Fórum de Editores de Saúde Coletiva, ligado à Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), como modo de melhor articular nossa ação política e científica.

A reunião foi motivada pela perspectiva de importantes modificações no panorama da editoração científica nacional, sinalizada por dois importantes atores, a CAPES e a SciELO. Como Fórum, concordamos que nosso objetivo comum, e de toda a comunidade científica brasileira, em especial a da área de Saúde Coletiva, é o de aprimorar cada vez mais a qualidade e a visibilidade, nacional e internacional, de nossas revistas. Reconhecemos o papel desses interlocutores nesse sentido, especialmente da SciELO, que ocupa lugar central nesse processo.

Chamamos a atenção, contudo, para o fato de que é necessário uma reflexão densa sobre os conceitos-chave dessa discussão, como, por exemplo, “qualidade” e “internacionalização”. A qualidade de periódicos não deve ser avaliada exclusivamente ou mesmo principalmente por indicadores bibliométricos, crescentemente criticados (ADLER et al., 2008; CAGAN, 2013; CASADEVALL; FANG, 2014). Do mesmo modo, a internacionalização de periódicos brasileiros não pode ser entendida apenas como a publicação em inglês de artigos de autores residentes no exterior, nem pode, ou deve, ser exigida uniformemente de todos os periódicos da nossa área. Há também uma dimensão política e econômica nessa discussão que não pode ser ignorada (DE CAMARGO JR, 2014; CASADEVALL; FANG, 2014; VESSURI et al., 2013).

Para o desenvolvimento da ciência brasileira é necessária a existência de um ecossistema editorial amplo, isto é, um parque de publicações com abrangências temáticas e regionais variadas, e de qualidade; como um conjunto de editores de periódicos científicos europeus, signatários de documento que criticou proposta de classificação de revistas feita pela European Science Foundation, afirmou: “Nossas publicações são diversas, heterogêneas e distintas. Algumas são destinadas a um público amplo, geral e internacional, outras são mais especializadas em seus conteúdos e audiência implícita.

Seu alcance e leitores não dizem nada sobre a qualidade do seu conteúdo intelectual.” (ANDERSEN et al., 2008) Não há métricas de aplicação universal a todos os periódicos, nem mesmo os periódicos de uma mesma área, mais ainda uma área interdisciplinar como a Saúde Coletiva. Ciências aplicadas, mais próximas de demandas sociais, têm um perfil de leitores que se estende muito além da academia, por exemplo, e o público leitor também tem que ser considerado em qualquer discussão sobre o periodismo científico.As manifestações recentes da CAPES sobre o tema da internacionalização de periódicos brasileiros são vagas, não nos permitindo ter clareza sobre o que de fato se pretende fazer; tememos que propostas excessivamente restritivas e concentradoras possam vir a ser formuladas.

O portal SciELO foi criado a partir da ideia generosa de fortalecer as publicações nacionais e contribuir para o diálogo Sul-Sul e ao longo do tempo contribuiu e favoreceu a maior visibilidade dos periódicos nacionais. No entanto, o documento “Critérios, política e procedimentos para a admissão e a permanência de periódicos científicos na Coleção SciELO Brasil” não explicita a base de análise que levou ao estabelecimentos de tais critérios. Isso é ainda mais relevante quando se considera que alguns desses critérios interferem na autonomia editorial dos periódicos.

Compreendemos que há profundas modificações em curso no periodismo científico, em nível global, diante das quais precisamos nos posicionar. Precisamente por conta disso, pedimos que essa discussão seja empreendida da forma mais ampla possível, sem decisões a priori, e que inclua atores importantes no financiamento da própria pesquisa brasileira, como o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, o Ministério da Saúde (no caso dos periódicos da área de saúde) e as fundações estaduais de apoio à pesquisa. A divulgação científica é uma parte essencial do processo de produção da ciência, e é fundamental que os atores-chave na área de ciência, tecnologia e inovação em nosso país tenham uma política clara, efetiva e não restritiva, que vise ao fortalecimento e à melhoria da qualidade editorial do conjunto dos periódicos nacionais que dão visibilidade aos resultados de pesquisas produzidas com recursos públicos, propiciando informações para subsidiar a discussão e definição de políticas públicas setoriais fundamentais para o desenvolvimento do país.

Acesse aqui a versão em PDF da Carta de São Paulo

ASSINAM O DOCUMENTO OS EDITORES-CHEFE DOS SEGUINTES PERIÓDICOS:

Cadernos de Saúde Pública
Marilia Sá Carvalho
Claudia Travassos
Claudia Medina Coeli

Ciência & Saúde Coletiva
Maria Cecília de Souza Minayo
Romeu Gomes

Epidemiologia e Servicos de Saúde
Leila Posenato Garcia

Interface: Comunicação, Saúde, Educação
Antonio Pithon Cyrino
Lilia Blima Schraiber
Miriam Foresti

Revista Brasileira de Epidemiologia
Moisés Goldbaum
Marcia Furquim de Almeida

Revista Brasileira de Saúde Ocupacional
Eduardo Algranti
José Marçal Jackson Filho
Eduardo Garcia Garcia

Revista de Saúde Pública
Carlos Augusto Monteiro

Physis
Kenneth Camargo

Saúde e Sociedade
Helena Ribeiro
Cleide Lavieri Martins

Referências:

ADLER, R.; EWING, J.; TAYLOR, P. Citation Statistics: A Report from the International Mathematical Union (IMU) in Cooperation with the International Council of Industrial and Applied Mathematics (ICIAM) and the Institute of Mathematical Statistics (IMS) Joint Committee on Quantitative Assessment of Research. Berlin, Germany: International Mathematical Union (IMU), June 12. Joint Committee on Quantitative Assessment of Research. pp, 2008.

ANDERSEN, H.; ARIEW, R.; FEINGOLD, M.; et al. Editorial-Journals under Threat: A Joint Response from History of Science, Technology and Medicine Editors. CSIRO PUBLISHING 150 OXFORD ST, PO BOX 1139, COLLINGWOOD, VICTORIA 3066, AUSTRALIA, 2008.

CAGAN, R. San Francisco Declaration on Research Assessment. Disease models & mechanisms, p. dmm. 012955, 2013.

DE CAMARGO JR, K. R. Big Publishing and the Economics of Competition. American journal of public health, v. 104, n. 1, p. 8–10, 2014.

CASADEVALL, A.; FANG, F. C. Causes for the Persistence of Impact Factor Mania. mBio, v. 5, n. 2,p. e00064–14, 2014.

VESSURI, H.; GUÉDON, J.-C.; CETTO, A. M. Excellence or quality? Impact of the current competition regime on science and scientific publishing in Latin America and its implications for development. Current Sociology, p. 0011392113512839, 2013.