Qualis único é retrocesso, avalia o editor Kenneth Camargo

Os editores Angélica Fonseca, da Revista Trabalho, Educação e Saúde, e Kenneth Camargo (Physis)

De Flávia Lobato, do Portal de Periódicos Fiocruz

Como avaliar a pesquisa e a contribuição da ciência para a sociedade? A pergunta não é nova e, por isso mesmo, talvez aí resida o problema. Ainda que os critérios de avaliação da produção de conhecimento devam ser permanentemente debatidos, há que se considerar também as contínuas críticas que vêm sendo feitas aos modelos que privilegiam os indicadores bibliométricos e a avaliação quantitativa. Contudo, na prática, o que se vê é que as medidas de citação ainda imperam. Como bem sintetizou o editor Kenneth Camargo, ainda em 2010, em artigo sobre o tema: O rei está nu, mas segue impávido: os abusos da bibliometria na avaliação da ciência.

Partindo deste ponto, Kenneth (que compõe a coordenação do Fórum de Editores da Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco) e Angélica Ferreira Fonseca (membro do Fórum dos Editores Científicos da Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz) conversam sobre a proposta do Qualis Único para a classificação dos periódicos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A entrevista em vídeo foi produzida pelo Portal de Periódicos Fiocruz.

Nova metodologia com base em filosofia ultrapassada: A proposta de adotar apenas uma classificação de referência para cada periódico, apresentada pela Capes, é uma volta ao passado, critica Kenneth. “Essa ideia do Qualis Único, de uma ciência unificada, é uma concepção retrógrada de uma filosofia da ciência dos positivistas lógicos do início do século 20”. O editor da Abrasco explica que a nova metodologia utiliza apenas e exclusivamente uma cesta de medidas de citação, e afirma que esse padrão é bastante problemático para uma área tão heterogênea como é a saúde coletiva. Isso resulta também numa comparação extremamente desfavorável entre revistas brasileiras e internacionais.

Kenneth aponta, ainda, para a desvalorização de publicações em acesso aberto. “É um retrocesso enorme ao que vinha sendo feito em relação à nossa área, desconsiderando a importância do portal SciELO, em que não há cobrança ou é cobrado um valor irrisório em relação a periódicos do exterior”.

Neste sentido, são levantadas questões relacionadas ao papel das publicações científicas para a avaliação dos programas de pós-graduação. Como a classificação no Qualis Periódicos é considerada, isso acaba influenciando o financiamento dos periódicos junto às agências de fomento. Com a adoção dessa metodologia durante a avaliação de meio termo, a maioria das revistas já foi rebaixada em relação ao patamar original. “Nós estamos muito preocupados com a fuga de recursos e a fuga de autores”, comenta Kenneth.

Isso poderia, inclusive, gerar distorções e se refletir já no processo de seleção dos artigos, pontua Angélica. Ou seja: os editores das revistas científicas poderiam acabar induzindo temáticas e objetos dos artigos, a fim de aumentar o número de citações e a projeção no ambiente acadêmico.

Outra questão levantada por ela, que é editora da Revista Trabalho, Educação e Saúde, diz respeito à importância do acesso ao conhecimento científico atualizado como elemento fundamental para a formação profissional. Ao responder, Kenneth atenta para a relação entre as pesquisas e o Sistema Único de Saúde (SUS). “O SUS sempre foi relevante para a saúde coletiva no Brasil. A gente pesquisa no SUS, com o SUS, pelo SUS. Não dá para imaginar que vamos virar as costas para tudo isso, porque temos que marcar determinados pontinhos numa escala duvidosa”.

Quanto às resistências a uma análise qualitativa da produção científica, ele acredita que o debate só pode avançar se os processos forem cada vez mais transparentes e democráticos. “Não é pegar ‘meia dúzia de sábios’ para decidir tudo. Precisamos ter coletivos de avaliação que possam mostrar os caminhos para a área, deixando claros seus objetivos. Toda avaliação precisa ser permanentemente repensada e aperfeiçoada. Mas isso significa andar pra frente, não pra trás como dessa vez”, conclui.

Confira abaixo demais documentos relacionados:

Critérios para classificação das revistas: apreciação da proposta de Qualis Periódico Referência – Nota conjunta da Direção da ABRASCO; Fórum de Editores de Saúde Coletiva; Coordenação da área de Saúde Coletiva na Capes; Coordenação do Fórum de Coordenadores de Programas de Pós-Graduação , divulgada em 17 de agosto de 2019

Matéria “Saúde Coletiva manifesta-se sobre nova classificação do Qualis Periódicos”, publicada no Portal Abrasco em 22 de agosto de 2019

Para o Qualis Único, Diversos Questionamentos – Carta aberta do Fórum de Editores Científicos da Fiocruz sobre a proposta da Capes, de 14 de agosto de 2019

Editorial “A crise no financiamento da pesquisa e pós-graduação no Brasil”, publicado na Cadernos de Saúde Pública, vol. 33, n. 4, jan/2017.

Artigo “Produção científica: avaliação da qualidade ou ficção contábil? e O desafio da avaliação da produção científica”, publicado na Cadernos de Saúde Pública, vol. 29, n.9, set/2013.

Assista abaixo à conversa dos editores Angélica Fonseca (Revista Trabalho, Educação e Saúde) e Kenneth Camargo (Physis e coordenação do Fórum de Editores em Saúde Coletiva) e leia aqui a publicação original do Portal Periódicos Fiocruz 

Revista de Saúde Coletiva da UEFS entra para LATINDEX


Criada em 2005 como veículo vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Feira de Santana (PPGSC/UEFS), a Revista de Saúde Coletiva da UEFS galga reconhecimento internacional e passa a compor a base Latindex de periódicos científicos.

A Latindex é fruto da cooperação de uma rede de instituições que funcionam de maneira coordenada para reunir e disseminar informação científica de publicações seriadas e produzidas por países ibero-americanos. Idealizada pela Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) em 1995, começou a ampliar sua estrutura em 1997, tornando-se uma rede regional. Atualmente a rede conta com 9.440 periódicos eletrônicos catalogados.

“A manutenção de uma revista voltada para dar visibilidade nacional e internacional a nossa produção regional tem sido entendida como essencial e estratégica tanto para a formação de pesquisadores e docentes, como no auxílio ao diagnóstico situacional da saúde para gestores e planejadores. A indexação na Latindex, e em outras bases em um futuro próximo, casa perfeitamente com o nosso estágio necessário de internacionalização do ensino e da pesquisa, pois abre espaço para interações, cooperações e o principal, que é o arejamento do pensamento que guia qualquer trabalho acadêmico. A nossa responsabilidade aumenta, mas o entusiasmo cresce em proporção ainda maior” diz Thereza Christina Bahia Coelho, editora-chefe do periódico e docente da UEFS, que coordena a publicação juntamente com as editoras associadas Tânia Maria de Araújo e Maura Maria Guimarães de Almeida, também docentes da UEFS. As docentes compõem o Fórum de Editores em Saúde Coletiva da Abrasco.

A entrada na base, acredita Thereza, irá aumentar a procura dos autores. Para atender a demanda, a revista já trabalha com o sistema editorial de fluxo contínuo. “Foi com essa intenção que passamos para a publicação continua, para que os melhores artigos, que geram menos idas e vindas no processo avaliativo, possam transitar mais rápido e ganhar publicização ágil, sem o entrave do fechamento dos números. O pesquisador não precisará esperar tanto tempo para publicar sua pesquisa e isso atrairá bons artigos”, espera a editora, sem abrir mão do “compromisso pedagógico” da publicação em buscar melhorar a qualidade de todos os trabalhos submetidos, por meio de uma boa avaliação interpares e da própria editoração.

Do primeiro volume até o final de 2018, a RSC/UEFS já publicados 71 artigos, que obtiveram 61.789 acessos ao resumo e 34.488 acessos à composição final em PDF. Em 2018, 78% dos artigos submetidos foram aprovados e 22% rejeitados, sendo o tempo médio de publicação de 174 dias. O Volume 9 encontra-se aberto para submissão de artigos originais – clique e acesse.

Ciclo de estudos celebra 25 anos da RESS


Em celebração aos 25 anos da Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde (RESS), o Ciclo de Estudos da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde (SVS/MS) prepra uma edição especial da atividade nesta sexta-feira, 08 de dezembro, em Brasília.

Com o título “Produção e divulgação do conhecimento epidemiológico aplicável às ações da vigilância em saúde e os 25 anos da RESS”, a sessão contará com a participação e depoimentos dos primeiros Editores do Informe Epidemiológico do SUS (IESUS, publicação precursora da RESS) que estarão ´presentes, entre eles os abrasquianos Pedro Chequer, Maria da Glória Teireixa e Moisés Goldbaum, além de Goretti Medeiros, Euclides Castilho e Jarbas Barbosa, que já assumiu a função primeiro editor-Geral da já nomeada RESS. A cerimônia será aberta por Sonia Maria Brito, diretora do Departamento de Gestão da Vigilância em Saúde e coordenação de Leila Posenato Garcia, atual editora da publicação.

O evento acontecerá no Auditório Emílio Ribas, na sede do Ministério, na capital federal. Haverá transmissão online pelo link http://mediacenter.aids.gov.br/ A RESS é uma das publicações que compõe o Fórum de Editores em Saúde Coletiva, da Abrasco.

Produção e divulgação do conhecimento epidemiológico aplicável às ações da vigilância em saúde e os 25 anos da RESS
08 de dezembro de 2017
Das 15 às 17 horas
Auditório Emílio Ribas – sede do Ministério da Saúde – Brasília – DF
Acesse aqui o cartaz com a programação

A vez dos periódicos de qualidade do Brasil – artigo de Abel L. Packer e Rogerio Meneghini


Artigo de Abel L. Packer e Rogerio Meneghini – Originalmente publicado no Blog SciELO em Perspectiva em 10 de novembro de 2017

Considerando o avanço do desempenho dos periódicos do Brasil e particularmente os que fazem parte do SciELO nos rankings de indicadores dos principais índices bibliométricos internacionais em 2016, publicamos o artigo “Os índices e seus limites1 na seção de ciência do jornal O Globo em 25 de setembro de 2017.

Neste artigo sinalizamos que o referido avanço é uma expressão da relevância crescente dos periódicos do Brasil como fundamental para comunicar pesquisa do Brasil e de outros países de acordo com o estado da arte. É, assim, uma oportunidade para que políticas, programas e projetos de pesquisa alavanquem os periódicos do Brasil visando ampliar a qualificação da ciência brasileira em suas dimensões científica e social. Retomamos o tema neste post com dados que evidenciam este bom desempenho.

Destacamos, em primeiro lugar, os resultados obtidos no Fator de Impacto (FI) publicado pelo Journal Citation Reports (JCR)/ Web of Science (WoS). A Figura 1 resume o avanço do desempenho dos periódicos do Brasil, alcançando pela primeira vez, em 2016, mais de 25% (33) dos 121 periódicos com FI maior ou igual a um, dos quais cinco com FI de dois ou mais. Entre os 33 periódicos de maior impacto, 27 (81%) são da Coleção SciELO, e, portanto, de acesso aberto. As Memórias do Instituto Oswaldo Cruz com FI igual a 2.605 é o periódico com maior FI da América Latina em 2016. Nos anos anteriores o primeiro lugar era da Revista Mexicana de Astronomía y Astrofísica. As Memórias é, também, o periódico de maior impacto nas categorias de Parasitologia e Medicina Tropical dentre os periódicos dos países em desenvolvimento.


Figura 1. Evolução da distribuição do Fator de Impacto do JCR/WOS dos periódicos do Brasil entre os anos 2014 e 2016. São considerados os periódicos indexados no JCR/WoS e 2016.

Para comparar o desempenho dos periódicos do Brasil com os de outros países tomamos como base o indicador Source Normalized Impact per Paper (SNIP) do Scopus que mede o impacto de cada periódico no contexto da sua área temática identificada pelos periódicos que citam. Com essa abordagem, o SNIP permite a comparação de periódicos de diferentes áreas e, particularmente, entre periódicos de diferentes países, que refletem as respectivas distribuições predominantes de áreas temáticas. A Tabela 1 apresenta a distribuição dos indicadores SNIP e Scimago Journal Rank (SJR) para os primeiros 14 países no ranking de produção de artigos – Estados Unidos, China, Grã-Bretanha, Alemanha, Índia, Japão, França, Itália, Canadá, Austrália, Espanha, Rússia, Coréia do Sul e Brasil. No 14º lugar no ranking de artigos, o Brasil tem seus periódicos no 8º lugar pelo indicador SNIP, à frente do Japão, China, Itália, Espanha e França. Entretanto, em termos de periódicos de alto impacto, o Brasil ocupa os últimos lugares na distribuição do SNIP e do SJR, condição que é produto das políticas de avaliação das pesquisas que privilegiam a publicação em periódicos de maior impacto dos países desenvolvidos. O bom desempenho médio dos periódicos do Brasil entre os maiores produtores de ciência do mundo, sinaliza um potencial e capacidade para a promoção de periódicos de alto impacto. Esta condição favorável para novos e significativos avanços é produto do esforço das sociedades científicas e instituições de pesquisa em publicar periódicos de qualidade e de vários programas nacionais de apoio aos periódicos com destaque para o Programa SciELO da FAPESP que promove o profissionalismo e a internacionalização dos periódicos que indexa. Uma boa parte das comunidades de pesquisa do Brasil passou a produzir periódicos de qualidade de acordo com os padrões internacionais2.


Tabela 1. Distribuição comparativa dos indicadores SNIP e JCR de periódicos do Scopus publicados pelos 14 países com maior número de artigos

Políticas, programas e projetos de pesquisa deverão alavancar os periódicos do Brasil e permitirão ampliar o reconhecimento e a qualificação da ciência brasileira em suas dimensões científica e social. Desta forma, além do clássico ranqueamento bibliométrico dos periódicos que, nos últimos anos, influenciam pesquisadores, instituições acadêmicas, periódicos e agências de pesquisa, haverá uma melhoria no empreendimento de fazer pesquisa. No artigo, destacamos três forças ou movimentos que buscam minimizar os efeitos dos ranqueamentos dos periódicos e propomos uma quarta. A primeira vem das comunidades de pesquisadores e editores das Ciências Sociais e Humanidades que, há longa data, questionam a aplicabilidade em suas pesquisas das métricas baseadas exclusivamente em citações. O segundo é composto pelas várias declarações de diferentes grupos acadêmicos sobre a inconveniência de utilizar os rankings dos periódicos baseados em citações como indicador para ranquear todos as pesquisas neles publicadas. O argumento aqui é muito bem conhecido – mais da metade das citações recebidas pelos periódicos vêm de menos da metade dos artigos, ou seja, a maioria dos artigos é beneficiada pelo impacto de uma minoria que concentra as citações recebidas. O terceiro é o movimento do acesso aberto que preconiza a disponibilidade na Web das pesquisas sem barreira de acesso e que adquire mais força com o avanço da ciência aberta.

O quarto movimento que propomos requer a liderança das diferentes instâncias da pesquisa do Brasil em posicionar progressivamente os periódicos do Brasil em condições competitivas internacionalmente com os periódicos de alto impacto e como expressão da capacidade do país de fazer ciência em todas as dimensões.

Notas e referências

1. PACKER, A. L. and MENEGHINI R. Os índices e seus limites [online]. O Globo. 2017 [viewed 8 October 2017]. Available from: https://oglobo.globo.com/opiniao/os-indices-seus-limites-21860855

2. PACKER, A. L. and MENEGHINI R. LEARNING TO COMMUNICATE SCIENCE IN DEVELOPING COUNTRIES. Interciencia [online]. 2007, vol. 32, no. 9, pp. 643-647, ISSN: 0378-1844 [viewed 8 October 2017]. Available from: http://www.scielo.org.ve/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0378-18442007000900014&lng=es&nrm=iso&tlng=en

Como citar este post [ISO 690/2010]:

PACKER, A. L. and MENEGHINI R. A vez dos periódicos de qualidade do Brasil [online]. SciELO em Perspectiva, 2017 [viewed 13 November 2017]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2017/11/08/a-vez-dos-periodicos-de-qualidade-do-brasil/

Área da Saúde Coletiva mantém liderança de citações no Google Acadêmico em português

Uma relevância que se mantém e ganha novo fôlego. Divulgado no último dia 05, o ranking das publicações mais citadas na base Google Acadêmico (ou Google Scholar, no original, em inglês) traz novamente as revistas da área da Saúde Coletiva como os periódicos de língua portuguesa com o maior fator de impacto nesta base. O pódio manteve-se igual ao do ano passado, trazendo nas três primeiras posições as revistas Ciência & Saúde Coletiva (índice H5 46; mediana H5 57); Cadernos de Saúde Pública (índice H5 41; mediana H5 50) e Revista de Saúde Pública (índice H5 36; mediana H5 47). A força da área pode ser também avaliada pelo desempenho ascendente das demais publicações do campo. Outras quatro revistas estão entre as 20 primeiras publicações. São elas Revista Brasileira de Epidemiologia, na 13ª posição; Saúde e Sociedade na 14ª; Interface – Comunicação, Saúde, Educação na 15ª, e Epidemiologia e Serviços de Saúde na 18ª posição. Tanto Ciência & Saúde Coletiva como Revista Brasileira de Epidemiologia são editadas pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco, e todos os veículos citados compõem o Fórum de Editores em Saúde Coletiva.

+ Acesse aqui o ranking do Google Acadêmico com as publicações em português
+ Confira aqui a matéria sobre o ranking de 2016

O novo ranking divulgado pelo Google Acadêmico cobre as citações de artigos publicados nas revistas indexadas nesta base entre os anos de 2012 e 2016, contando as citações até junho de 2017. O Google Scholar foi lançado em 2004 e passou a oferecer resultados em língua portuguesa a partir de 2006. Para uniformizar a mensuração, tomou como métrica o Índice H, criado em 2005 pelo físico Jorge E. Hirsch, e também utilizado por outras bases, como a Web of Science. Este indicador representa o maior número de citações com maior ou igual número de citações por artigo único em um determinado intervalo de tempo. No caso do Google Acadêmico, o intervalo de mensuração é de cinco anos (por isso,o nome H5). Já a mediana H5 é uma medida da distribuição de citações entre os artigos de maior citação, que compõem o H-núcleo. Estão excluídos dos cruzamentos citações feitas em livros, dissertações e monografias. Também não compõem base de análise publicações com menos de 100 artigos ao ano e/ou que não tenham citação em outras revistas. Dentre as suas potencialidades, o ranking do Google Acadêmico permite identificar as publicações mais citadas por área de conhecimento e por língua de origem do periódico, possibilitando uma leitura mais completa da qualidade e do desempenho das publicações. O pódio mundial também segue inalterado, com as mesmas colocações alcançadas no ano passado pelas revistas Nature; The New England Journal of Medicine, e Science nas três primeiras posições, seguidas por The Lancet.

+ Acesse aqui o ranking do Google Acadêmico com as publicações em inglês

Perspectiva dos periódicos científicos em debate na reunião anual do SciELO Brasil

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Realizada em 14 de dezembro passado, a reunião anual do Scientific Electronic Library Online – SciELO Brasil debateu contextos e condicionantes nacionais e globais para o futuro dos periódicos científicos. A atividade contou com a participação de José Leopoldo Antunes, professor titular da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), editor-chefe da Revista de Saúde Pública e integrante do Fórum de Editores de Saúde Coletiva.

Na programação, Antunes foi responsável por apresentar o debate acerca da internacionalização dos periódicos. “É um tema relevante, mas também complicado, pois dá muito trabalho para levantar as informações em um cenário maior. Apresentei dados sobre a experiência da RSP em atrair a colaboração de autores estrangeiros. Essas colaborações são em pequeno número, pouco mais de 10% dos artigos submetidos”.

Na avaliação do docente, a maioria dos artigos estrangeiros recebidos atualmente é de baixa qualidade, como indicado pela alta taxa de recusa no processo de avaliação editorial. Em que pese a importância de se desenvolver estratégias de divulgação das revistas brasileiras no cenário científico internacional, ele aponta que, como atualmente posto, o processo traz mais dificuldades do que facilidades para os editores científicos. “O problema é que esse ponto foi incluído como critério de avaliação dos periódicos, o que motivou a crítica de muitos editores de revistas científicas no país”, avalia Antunes, acrescentando a necessidade de se pensar também o movimento inverso, ou seja, a participação de autores brasileiros nas revistas estrangeiras. Acesse aqui a apresentação de José Leopoldo Antunes.

Além de José Leopoldo Antunes, participaram dos painéis os pesquisadores Lucas Massimo (UNINTER/Revista de Sociologia e Política) sobre o tema da profissionalização; André Felipe Cândido da Silva (COC/Fiocruz/História, Ciências, Saúde – Manguinhos) sobre o tema da sustentabilidade; e Maria Helena Marziale (EEUSP/EERP/Revista Latino-Americana de Enfermagem) e Abel Paker (SciELO/FAPESP), sobre as linhas prioritárias de ação e perspectivas de médio e longo prazo do maior projeto de acesso aberto da América Latina, respectivamente.

Sobre a participação no conselho consultivo do SciELO na área das Ciências Biológicas e da Saúde, o abrasquiano destaca a validade da atividade para o crescimento e qualificação desta biblioteca eletrônica. “As solicitações de novas revistas ao SciELO são julgadas pelos critérios estipulados para cada área de conhecimento, os quais dizem respeito a características editoriais, como periodicidade e frequência da publicação; porcentagem de artigos que são traduzidos para o inglês, e outras. É uma atividade que contribui para a manutenção do SciELO, que é um programa que decerto interessa à Saúde Coletiva no Brasil”. Dentre as recentes atividades desse comitê está a aprovação de dois novos títulos: Saúde e Sociedade e Saúde em Debate. Os periódicos passarão em breve a figurar na página da coleção SciELO Saúde Pública .

Leia aqui a matéria SciELO e o futuro dos periódicos, do SciELO em Perspectiva

Acesse aqui as apresentações dos painéis

Coleção SciELO Saúde Pública define comitê consultivo

Um procedimento há muito desejado pela comunidade científica, que visa a facilitar o processo de indexação e inclusão de novos periódicos, fortalecer os debates sobre acesso aberto e políticas editorais integradoras no continente latino-americano. Iniciado em abril deste ano, o processo de criação do Comitê Consultivo da Coleção SciELO Saúde Pública foi concluído no final de setembro. A maioria dos 18 periódicos listados participou e definiu os indicados. São as revistas Salud Colectiva, da Argentina; Revista de Salud Pública de México; Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde – RESS; e Revista Brasileira de Epidemiologia – RBE, as duas últimas brasileiras. A revista Ciência & Saúde Coletiva ficou como suplente no Comitê. O período do mandato no Comitê é de dois anos. Conheça a página da Coleção SciELO Saúde Pública.

A medida reproduz para as coleções temáticas a mesma estrutura de governança da Coleção SciELO Brasil. Como principal atribuição, o Comitê tem a tarefa de avaliar periódicos candidatos à indexação na coleção, de modo a tornar este processo mais ágil. O Comitê Consultivo também poderá contribuir para o aprimoramento da política de indexação de periódicos.

Para Leila Posenato Garcia, editora geral da Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, integrante da coordenação do Fórum de Editores de Saúde Coletiva, e agora integrante do Comitê Consultivo, o fortalecimento da Coleção SciELO Saúde Pública possibilita maior visibilidade para o conjunto dos periódicos que a compõem. “Das 18 revistas que atualmente estão indexadas na Coleção SciELO Saúde Pública, sete são brasileiras. É bastante possível que, com a conformação do Comitê Consultivo, outras revistas brasileiras busquem a indexação na Coleção SciELO Saúde Pública. O trabalho do Comitê será central para propiciar maior intercâmbio e compartilhamento de experiências entre a equipe editorial das revistas brasileiras e estrangeiras, com vistas ao fortalecimento dos periódicos”, argumentou.

Viviana Martinovich, editora executiva da Salud Colectiva, tomou a indicação como um grande reconhecimento aos esforços de todos os profissionais que trabalham e publicam no periódico. Ela destaca que, além do desafio de manter a qualidade científica e editorial da coleção, o Comitê terá um importante papel de colocar na agenda de debates do setor da editoração científica em Saúde Coletiva a necessidade de criar modelos de avaliação da produção acadêmica que sejam plurais. “Hoje vemos que em vários países tomados como parâmetro de avaliação, por exemplo, o quartil em que as revistas são colocados de acordo com a citação que obtiveram na base de dados Scopus. O problema é que a participação da América Latina nessa base é de apenas 3,5%. Em certas áreas do conhecimento, as questões estudadas respondem às características sociais de cada território, de modo que a citação ocorre especialmente entre as regiões que partilham aspectos sociais e culturais semelhantes. Logo, é necessário incorporar outras métricas, como a da SciELO e até mesmo alternativas, para medir o impacto real dessas investigações”, definiu Viviana. A revista da Universidad de Lanús surgiu em 2005 e, quatro anos depois, já compunha a base Scopus e Social Sciences Citation Index. Ingressou na Coleção Saúde Pública do SciELO em 2011, sendo o único periódico argentino presente na Coleção.

As decisões do Comité Consultivo serão comunicadas a todos os editores que têm o direito de solicitar esclarecimentos e/ou questionar as decisões, em termos ainda a ser determinados. Editores ainda irão definir estratégias de encontros presenciais e virtuais regulares.

José Leopoldo Antunes é eleito para o Comitê Consultivo do SciELO


Realizado ao longo do mês de setembro, o processo de renovação dos representantes dos editores das cadeiras de Ciências Biológicas e Ciências da Saúde do SciELO – Scientific Electronic Library Online – elegeu como titular José Leopoldo Ferreira Antunes, professor titular da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), vice-chefe do Departamento de Epidemiologia e editor científico da Revista de Saúde Pública. A suplência ficou com Edmund Chada Baracat, professor da Faculdade de Medicina da USP e editor da revista Clinics.

A eleição se deu por voto direto dos editores científicos dos títulos das duas áreas indexados na SciELO. Atualmente, são 28 periódicos correntes nas Ciências Biológicas e 93 das Ciências da Saúde.

Para Antunes, a representação amplia a participação política da Saúde Coletiva nas discussões relativas ao processo de produção científica do país. “Penso que conquistamos um espaço de representação importante para os próximos dois anos, e que isso é fruto da organização e do acúmulo de reflexões sobre o trabalho editorial entre os editores de periódicos em Saúde Coletiva, hoje reunidos no Fórum da Abrasco. Espero conseguir representar bem nossa área nesse espaço novo, e conseguir avanços no que diz respeito à organização e representação dos periódicos da demais áreas temáticas englobadas”.

No mesmo período houve também renovação do representante das Ciências Exatas (titular Marcílio Alves, editor da Latin American of Solids Structures e suplente Alexander W. A. Kellner, editor da Anais da Academia Brasileira de Ciências). A renovação da representação das Ciências Humanas acontecerá em agosto de 2016.