Ciclo de estudos celebra 25 anos da RESS


Em celebração aos 25 anos da Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde (RESS), o Ciclo de Estudos da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde (SVS/MS) prepra uma edição especial da atividade nesta sexta-feira, 08 de dezembro, em Brasília.

Com o título “Produção e divulgação do conhecimento epidemiológico aplicável às ações da vigilância em saúde e os 25 anos da RESS”, a sessão contará com a participação e depoimentos dos primeiros Editores do Informe Epidemiológico do SUS (IESUS, publicação precursora da RESS) que estarão ´presentes, entre eles os abrasquianos Pedro Chequer, Maria da Glória Teireixa e Moisés Goldbaum, além de Goretti Medeiros, Euclides Castilho e Jarbas Barbosa, que já assumiu a função primeiro editor-Geral da já nomeada RESS. A cerimônia será aberta por Sonia Maria Brito, diretora do Departamento de Gestão da Vigilância em Saúde e coordenação de Leila Posenato Garcia, atual editora da publicação.

O evento acontecerá no Auditório Emílio Ribas, na sede do Ministério, na capital federal. Haverá transmissão online pelo link http://mediacenter.aids.gov.br/ A RESS é uma das publicações que compõe o Fórum de Editores em Saúde Coletiva, da Abrasco.

Produção e divulgação do conhecimento epidemiológico aplicável às ações da vigilância em saúde e os 25 anos da RESS
08 de dezembro de 2017
Das 15 às 17 horas
Auditório Emílio Ribas – sede do Ministério da Saúde – Brasília – DF
Acesse aqui o cartaz com a programação

A vez dos periódicos de qualidade do Brasil – artigo de Abel L. Packer e Rogerio Meneghini


Artigo de Abel L. Packer e Rogerio Meneghini – Originalmente publicado no Blog SciELO em Perspectiva em 10 de novembro de 2017

Considerando o avanço do desempenho dos periódicos do Brasil e particularmente os que fazem parte do SciELO nos rankings de indicadores dos principais índices bibliométricos internacionais em 2016, publicamos o artigo “Os índices e seus limites1 na seção de ciência do jornal O Globo em 25 de setembro de 2017.

Neste artigo sinalizamos que o referido avanço é uma expressão da relevância crescente dos periódicos do Brasil como fundamental para comunicar pesquisa do Brasil e de outros países de acordo com o estado da arte. É, assim, uma oportunidade para que políticas, programas e projetos de pesquisa alavanquem os periódicos do Brasil visando ampliar a qualificação da ciência brasileira em suas dimensões científica e social. Retomamos o tema neste post com dados que evidenciam este bom desempenho.

Destacamos, em primeiro lugar, os resultados obtidos no Fator de Impacto (FI) publicado pelo Journal Citation Reports (JCR)/ Web of Science (WoS). A Figura 1 resume o avanço do desempenho dos periódicos do Brasil, alcançando pela primeira vez, em 2016, mais de 25% (33) dos 121 periódicos com FI maior ou igual a um, dos quais cinco com FI de dois ou mais. Entre os 33 periódicos de maior impacto, 27 (81%) são da Coleção SciELO, e, portanto, de acesso aberto. As Memórias do Instituto Oswaldo Cruz com FI igual a 2.605 é o periódico com maior FI da América Latina em 2016. Nos anos anteriores o primeiro lugar era da Revista Mexicana de Astronomía y Astrofísica. As Memórias é, também, o periódico de maior impacto nas categorias de Parasitologia e Medicina Tropical dentre os periódicos dos países em desenvolvimento.


Figura 1. Evolução da distribuição do Fator de Impacto do JCR/WOS dos periódicos do Brasil entre os anos 2014 e 2016. São considerados os periódicos indexados no JCR/WoS e 2016.

Para comparar o desempenho dos periódicos do Brasil com os de outros países tomamos como base o indicador Source Normalized Impact per Paper (SNIP) do Scopus que mede o impacto de cada periódico no contexto da sua área temática identificada pelos periódicos que citam. Com essa abordagem, o SNIP permite a comparação de periódicos de diferentes áreas e, particularmente, entre periódicos de diferentes países, que refletem as respectivas distribuições predominantes de áreas temáticas. A Tabela 1 apresenta a distribuição dos indicadores SNIP e Scimago Journal Rank (SJR) para os primeiros 14 países no ranking de produção de artigos – Estados Unidos, China, Grã-Bretanha, Alemanha, Índia, Japão, França, Itália, Canadá, Austrália, Espanha, Rússia, Coréia do Sul e Brasil. No 14º lugar no ranking de artigos, o Brasil tem seus periódicos no 8º lugar pelo indicador SNIP, à frente do Japão, China, Itália, Espanha e França. Entretanto, em termos de periódicos de alto impacto, o Brasil ocupa os últimos lugares na distribuição do SNIP e do SJR, condição que é produto das políticas de avaliação das pesquisas que privilegiam a publicação em periódicos de maior impacto dos países desenvolvidos. O bom desempenho médio dos periódicos do Brasil entre os maiores produtores de ciência do mundo, sinaliza um potencial e capacidade para a promoção de periódicos de alto impacto. Esta condição favorável para novos e significativos avanços é produto do esforço das sociedades científicas e instituições de pesquisa em publicar periódicos de qualidade e de vários programas nacionais de apoio aos periódicos com destaque para o Programa SciELO da FAPESP que promove o profissionalismo e a internacionalização dos periódicos que indexa. Uma boa parte das comunidades de pesquisa do Brasil passou a produzir periódicos de qualidade de acordo com os padrões internacionais2.


Tabela 1. Distribuição comparativa dos indicadores SNIP e JCR de periódicos do Scopus publicados pelos 14 países com maior número de artigos

Políticas, programas e projetos de pesquisa deverão alavancar os periódicos do Brasil e permitirão ampliar o reconhecimento e a qualificação da ciência brasileira em suas dimensões científica e social. Desta forma, além do clássico ranqueamento bibliométrico dos periódicos que, nos últimos anos, influenciam pesquisadores, instituições acadêmicas, periódicos e agências de pesquisa, haverá uma melhoria no empreendimento de fazer pesquisa. No artigo, destacamos três forças ou movimentos que buscam minimizar os efeitos dos ranqueamentos dos periódicos e propomos uma quarta. A primeira vem das comunidades de pesquisadores e editores das Ciências Sociais e Humanidades que, há longa data, questionam a aplicabilidade em suas pesquisas das métricas baseadas exclusivamente em citações. O segundo é composto pelas várias declarações de diferentes grupos acadêmicos sobre a inconveniência de utilizar os rankings dos periódicos baseados em citações como indicador para ranquear todos as pesquisas neles publicadas. O argumento aqui é muito bem conhecido – mais da metade das citações recebidas pelos periódicos vêm de menos da metade dos artigos, ou seja, a maioria dos artigos é beneficiada pelo impacto de uma minoria que concentra as citações recebidas. O terceiro é o movimento do acesso aberto que preconiza a disponibilidade na Web das pesquisas sem barreira de acesso e que adquire mais força com o avanço da ciência aberta.

O quarto movimento que propomos requer a liderança das diferentes instâncias da pesquisa do Brasil em posicionar progressivamente os periódicos do Brasil em condições competitivas internacionalmente com os periódicos de alto impacto e como expressão da capacidade do país de fazer ciência em todas as dimensões.

Notas e referências

1. PACKER, A. L. and MENEGHINI R. Os índices e seus limites [online]. O Globo. 2017 [viewed 8 October 2017]. Available from: https://oglobo.globo.com/opiniao/os-indices-seus-limites-21860855

2. PACKER, A. L. and MENEGHINI R. LEARNING TO COMMUNICATE SCIENCE IN DEVELOPING COUNTRIES. Interciencia [online]. 2007, vol. 32, no. 9, pp. 643-647, ISSN: 0378-1844 [viewed 8 October 2017]. Available from: http://www.scielo.org.ve/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0378-18442007000900014&lng=es&nrm=iso&tlng=en

Como citar este post [ISO 690/2010]:

PACKER, A. L. and MENEGHINI R. A vez dos periódicos de qualidade do Brasil [online]. SciELO em Perspectiva, 2017 [viewed 13 November 2017]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2017/11/08/a-vez-dos-periodicos-de-qualidade-do-brasil/

Área da Saúde Coletiva mantém liderança de citações no Google Acadêmico em português

Uma relevância que se mantém e ganha novo fôlego. Divulgado no último dia 05, o ranking das publicações mais citadas na base Google Acadêmico (ou Google Scholar, no original, em inglês) traz novamente as revistas da área da Saúde Coletiva como os periódicos de língua portuguesa com o maior fator de impacto nesta base. O pódio manteve-se igual ao do ano passado, trazendo nas três primeiras posições as revistas Ciência & Saúde Coletiva (índice H5 46; mediana H5 57); Cadernos de Saúde Pública (índice H5 41; mediana H5 50) e Revista de Saúde Pública (índice H5 36; mediana H5 47). A força da área pode ser também avaliada pelo desempenho ascendente das demais publicações do campo. Outras quatro revistas estão entre as 20 primeiras publicações. São elas Revista Brasileira de Epidemiologia, na 13ª posição; Saúde e Sociedade na 14ª; Interface – Comunicação, Saúde, Educação na 15ª, e Epidemiologia e Serviços de Saúde na 18ª posição. Tanto Ciência & Saúde Coletiva como Revista Brasileira de Epidemiologia são editadas pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco, e todos os veículos citados compõem o Fórum de Editores em Saúde Coletiva.

+ Acesse aqui o ranking do Google Acadêmico com as publicações em português
+ Confira aqui a matéria sobre o ranking de 2016

O novo ranking divulgado pelo Google Acadêmico cobre as citações de artigos publicados nas revistas indexadas nesta base entre os anos de 2012 e 2016, contando as citações até junho de 2017. O Google Scholar foi lançado em 2004 e passou a oferecer resultados em língua portuguesa a partir de 2006. Para uniformizar a mensuração, tomou como métrica o Índice H, criado em 2005 pelo físico Jorge E. Hirsch, e também utilizado por outras bases, como a Web of Science. Este indicador representa o maior número de citações com maior ou igual número de citações por artigo único em um determinado intervalo de tempo. No caso do Google Acadêmico, o intervalo de mensuração é de cinco anos (por isso,o nome H5). Já a mediana H5 é uma medida da distribuição de citações entre os artigos de maior citação, que compõem o H-núcleo. Estão excluídos dos cruzamentos citações feitas em livros, dissertações e monografias. Também não compõem base de análise publicações com menos de 100 artigos ao ano e/ou que não tenham citação em outras revistas. Dentre as suas potencialidades, o ranking do Google Acadêmico permite identificar as publicações mais citadas por área de conhecimento e por língua de origem do periódico, possibilitando uma leitura mais completa da qualidade e do desempenho das publicações. O pódio mundial também segue inalterado, com as mesmas colocações alcançadas no ano passado pelas revistas Nature; The New England Journal of Medicine, e Science nas três primeiras posições, seguidas por The Lancet.

+ Acesse aqui o ranking do Google Acadêmico com as publicações em inglês

Perspectiva dos periódicos científicos em debate na reunião anual do SciELO Brasil

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Realizada em 14 de dezembro passado, a reunião anual do Scientific Electronic Library Online – SciELO Brasil debateu contextos e condicionantes nacionais e globais para o futuro dos periódicos científicos. A atividade contou com a participação de José Leopoldo Antunes, professor titular da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), editor-chefe da Revista de Saúde Pública e integrante do Fórum de Editores de Saúde Coletiva.

Na programação, Antunes foi responsável por apresentar o debate acerca da internacionalização dos periódicos. “É um tema relevante, mas também complicado, pois dá muito trabalho para levantar as informações em um cenário maior. Apresentei dados sobre a experiência da RSP em atrair a colaboração de autores estrangeiros. Essas colaborações são em pequeno número, pouco mais de 10% dos artigos submetidos”.

Na avaliação do docente, a maioria dos artigos estrangeiros recebidos atualmente é de baixa qualidade, como indicado pela alta taxa de recusa no processo de avaliação editorial. Em que pese a importância de se desenvolver estratégias de divulgação das revistas brasileiras no cenário científico internacional, ele aponta que, como atualmente posto, o processo traz mais dificuldades do que facilidades para os editores científicos. “O problema é que esse ponto foi incluído como critério de avaliação dos periódicos, o que motivou a crítica de muitos editores de revistas científicas no país”, avalia Antunes, acrescentando a necessidade de se pensar também o movimento inverso, ou seja, a participação de autores brasileiros nas revistas estrangeiras. Acesse aqui a apresentação de José Leopoldo Antunes.

Além de José Leopoldo Antunes, participaram dos painéis os pesquisadores Lucas Massimo (UNINTER/Revista de Sociologia e Política) sobre o tema da profissionalização; André Felipe Cândido da Silva (COC/Fiocruz/História, Ciências, Saúde – Manguinhos) sobre o tema da sustentabilidade; e Maria Helena Marziale (EEUSP/EERP/Revista Latino-Americana de Enfermagem) e Abel Paker (SciELO/FAPESP), sobre as linhas prioritárias de ação e perspectivas de médio e longo prazo do maior projeto de acesso aberto da América Latina, respectivamente.

Sobre a participação no conselho consultivo do SciELO na área das Ciências Biológicas e da Saúde, o abrasquiano destaca a validade da atividade para o crescimento e qualificação desta biblioteca eletrônica. “As solicitações de novas revistas ao SciELO são julgadas pelos critérios estipulados para cada área de conhecimento, os quais dizem respeito a características editoriais, como periodicidade e frequência da publicação; porcentagem de artigos que são traduzidos para o inglês, e outras. É uma atividade que contribui para a manutenção do SciELO, que é um programa que decerto interessa à Saúde Coletiva no Brasil”. Dentre as recentes atividades desse comitê está a aprovação de dois novos títulos: Saúde e Sociedade e Saúde em Debate. Os periódicos passarão em breve a figurar na página da coleção SciELO Saúde Pública .

Leia aqui a matéria SciELO e o futuro dos periódicos, do SciELO em Perspectiva

Acesse aqui as apresentações dos painéis

Coleção SciELO Saúde Pública define comitê consultivo

Um procedimento há muito desejado pela comunidade científica, que visa a facilitar o processo de indexação e inclusão de novos periódicos, fortalecer os debates sobre acesso aberto e políticas editorais integradoras no continente latino-americano. Iniciado em abril deste ano, o processo de criação do Comitê Consultivo da Coleção SciELO Saúde Pública foi concluído no final de setembro. A maioria dos 18 periódicos listados participou e definiu os indicados. São as revistas Salud Colectiva, da Argentina; Revista de Salud Pública de México; Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde – RESS; e Revista Brasileira de Epidemiologia – RBE, as duas últimas brasileiras. A revista Ciência & Saúde Coletiva ficou como suplente no Comitê. O período do mandato no Comitê é de dois anos. Conheça a página da Coleção SciELO Saúde Pública.

A medida reproduz para as coleções temáticas a mesma estrutura de governança da Coleção SciELO Brasil. Como principal atribuição, o Comitê tem a tarefa de avaliar periódicos candidatos à indexação na coleção, de modo a tornar este processo mais ágil. O Comitê Consultivo também poderá contribuir para o aprimoramento da política de indexação de periódicos.

Para Leila Posenato Garcia, editora geral da Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, integrante da coordenação do Fórum de Editores de Saúde Coletiva, e agora integrante do Comitê Consultivo, o fortalecimento da Coleção SciELO Saúde Pública possibilita maior visibilidade para o conjunto dos periódicos que a compõem. “Das 18 revistas que atualmente estão indexadas na Coleção SciELO Saúde Pública, sete são brasileiras. É bastante possível que, com a conformação do Comitê Consultivo, outras revistas brasileiras busquem a indexação na Coleção SciELO Saúde Pública. O trabalho do Comitê será central para propiciar maior intercâmbio e compartilhamento de experiências entre a equipe editorial das revistas brasileiras e estrangeiras, com vistas ao fortalecimento dos periódicos”, argumentou.

Viviana Martinovich, editora executiva da Salud Colectiva, tomou a indicação como um grande reconhecimento aos esforços de todos os profissionais que trabalham e publicam no periódico. Ela destaca que, além do desafio de manter a qualidade científica e editorial da coleção, o Comitê terá um importante papel de colocar na agenda de debates do setor da editoração científica em Saúde Coletiva a necessidade de criar modelos de avaliação da produção acadêmica que sejam plurais. “Hoje vemos que em vários países tomados como parâmetro de avaliação, por exemplo, o quartil em que as revistas são colocados de acordo com a citação que obtiveram na base de dados Scopus. O problema é que a participação da América Latina nessa base é de apenas 3,5%. Em certas áreas do conhecimento, as questões estudadas respondem às características sociais de cada território, de modo que a citação ocorre especialmente entre as regiões que partilham aspectos sociais e culturais semelhantes. Logo, é necessário incorporar outras métricas, como a da SciELO e até mesmo alternativas, para medir o impacto real dessas investigações”, definiu Viviana. A revista da Universidad de Lanús surgiu em 2005 e, quatro anos depois, já compunha a base Scopus e Social Sciences Citation Index. Ingressou na Coleção Saúde Pública do SciELO em 2011, sendo o único periódico argentino presente na Coleção.

As decisões do Comité Consultivo serão comunicadas a todos os editores que têm o direito de solicitar esclarecimentos e/ou questionar as decisões, em termos ainda a ser determinados. Editores ainda irão definir estratégias de encontros presenciais e virtuais regulares.

José Leopoldo Antunes é eleito para o Comitê Consultivo do SciELO


Realizado ao longo do mês de setembro, o processo de renovação dos representantes dos editores das cadeiras de Ciências Biológicas e Ciências da Saúde do SciELO – Scientific Electronic Library Online – elegeu como titular José Leopoldo Ferreira Antunes, professor titular da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), vice-chefe do Departamento de Epidemiologia e editor científico da Revista de Saúde Pública. A suplência ficou com Edmund Chada Baracat, professor da Faculdade de Medicina da USP e editor da revista Clinics.

A eleição se deu por voto direto dos editores científicos dos títulos das duas áreas indexados na SciELO. Atualmente, são 28 periódicos correntes nas Ciências Biológicas e 93 das Ciências da Saúde.

Para Antunes, a representação amplia a participação política da Saúde Coletiva nas discussões relativas ao processo de produção científica do país. “Penso que conquistamos um espaço de representação importante para os próximos dois anos, e que isso é fruto da organização e do acúmulo de reflexões sobre o trabalho editorial entre os editores de periódicos em Saúde Coletiva, hoje reunidos no Fórum da Abrasco. Espero conseguir representar bem nossa área nesse espaço novo, e conseguir avanços no que diz respeito à organização e representação dos periódicos da demais áreas temáticas englobadas”.

No mesmo período houve também renovação do representante das Ciências Exatas (titular Marcílio Alves, editor da Latin American of Solids Structures e suplente Alexander W. A. Kellner, editor da Anais da Academia Brasileira de Ciências). A renovação da representação das Ciências Humanas acontecerá em agosto de 2016.

Fórum de Editores divulga nota sobre processo de internacionalização

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Reunidos em 28 de julho durante as atividades pré-congressuais do 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva – Abrascão2015, o Fórum de Editores de Revistas de Saúde Coletiva debateu sobre os critérios exigidos pelo SciELO no processo de internacionalização das publicações científicas.

O documento reforça considerações anteriores já debatidas por esse coletivo e lançadas primeiramente na Carta de São Paulo, de dezembro de 2014, quando já apontavam como equivocadas as diretrizes que, ao final, aumentam os custos editoriais, favorecem as publicações já consolidadas em detrimento das mais recentes, e desvalorizam a língua portuguesa e a cooperação Sul – Sul. Ao final, conclama que o canal de diálogo com a plataforma mantenha-se aberto, como na reunião realizada em março deste ano, em prol do fortalecimento da produção científica brasileira.

Estiveram presentes as seguintes publicações e seus representantes: Cadernos de Saúde Pública, representada por Claudia Coeli; Ciência & Saúde Coletiva, por Maria Cecília Minayo; Revista Brasileira de Epidemiologia (RBE), por Marcia Furquim; Saúde em Debate, por Heleno Corrêa Filho; Revista da Saúde Pública, por Sergio Baxter; Epidemiologia e Serviços de Saúde, por Leila Posenato Garcia; Revista Trabalho, Educação e Saúde (REVTES), por Angélica Ferreira Fonseca; Interface – Saúde, Educação e Comunicação, por Antônio Pithon Cyrino, e Physis, por Kenneth Camargo. Confira abaixo a nota na íntegra e acesse o documento na Biblioteca.

Nota do Fórum de Editores de Revistas de Saúde Coletiva

Os periódicos brasileiros da área de Saúde Coletiva são um patrimônio importante para o campo, tanto na vertente da produção científica quanto na de serviços. Aqueles já incluídos na coleção SciELO produzem fatia relevante do total de artigos da mesma, representando 7% do total de artigos publicados, e 16% considerando-se apenas as ciências da saúde, nos anos de 2011 a 2013 (PACKER, 2015). Ao mesmo tempo, mostram compromisso indissolúvel com o Sistema Único de Saúde (SUS), importante campo de pesquisa e destinatário final de boa parte de seus resultados.

É desse ponto de partida que conclamamos a direção da SciELO a continuar o diálogo que começamos sobre os novos critérios para inclusão e permanência na coleção. Embora concordemos e já estejamos em processo de adaptação a algumas dos novos critérios, em especial aqueles ligadas a indicadores de processo e estrutura, como a participação de editores internacionais e a utilização de sistemas eletrônicos de processamento de manuscritos, temos divergências importantes com relação a alguns dos indicadores de resultados, sobretudo os que estão sendo designados, de forma algo simplista, como “internacionalização”. Não vamos retomar aqui as extensas críticas de Vessuri e cols (VESSURI et al., 2013) a essa lógica, apenas registrar os riscos apontados pelos autores de uma adesão irrefletida a uma lógica de publicação que segue sendo dominada por poderosos interesses econômicos.Tememos pelas repercussões negativas que tal adesão possa ter na vinculação orgânica de nossas publicações com nosso sistema de saúde, seus profissionais e usuários.

Consideremos em primeiro lugar a questão da linguagem. Ainda que reconhecendo a importância da língua inglesa, por um lado temos uma base de leitores que não nos permite abrir mão da língua portuguesa; por outro, por opção político-ideológica desejamos intensificar a cooperação Sul-Sul, o que inclui a África lusofônica, e aponta para o espanhol como uma opção estratégica de língua estrangeira. Note-se que o próprio American Journal of Public Health (AJPH), uma das mais antigas e relevantes publicações da área, tomou a iniciativa de, em conjunto com a Organização PanAmericana de Saúde (OPAS), traduzir a cada ano um conjunto de artigos para o espanhol, publicados no boletim da OPAS e consolidados num suplemento anual do próprio AJPH (ANDRUS et al., 2014).

A tradução de artigos para língua estrangeira, independentemente de manter versões multilinguais das revistas, representa custos adicionais para revistas que já lutam com dificuldades para manterem-se no patamar em que se encontram. Quatro estratégias têm sido adotadas por diversas revistas: a utilização de recursos próprios para financiar a tradução; a cobrança de taxas de publicação;o condicionamento da publicação à apresentação de versão traduzida; e a oferta de publicação de versão traduzida, a cargo dos autores. As três últimas implicam no repasse aos autores de parte dos custos de publicação, e a primeira só tem sido disponível para muito poucos. Num momento em que recursos para a ciência brasileira se tornam escassos, a criação de ônus adicionais para periódicos e/ou autores representa problema adicional, que precisa ser melhor discutido.

A criação de ônus para a publicação ou a adoção de medidas que impliquem a redução do parque nacional de revistas científicas qualificadas, em geral e especial na Saúde Coletiva, arrisca agravar as consequências do que Merton denominou de “efeito Mateus” (MERTON, 1968), a concentração de cada vez mais prestígio e recursos em poucas instituições, periódicos e pesquisadores. Fiéis ao ideário que identifica nossa própria área, defendemos políticas solidárias e includentes; no caso da publicação científica, isso se traduz na ampliação do nosso ecossistema de publicação, criando mecanismos de apoio que permitam a crescente qualificação de mais revistas segundo os critérios pactuados, com a vantagem de, com isso, criar-se mais oportunidades de citação de autores nacionais.

Com relação a esse último item, entendemos ainda que necessitamos de uma discussão mais aprofundada sobre o significado e aplicações dos indicadores bibliométricos. Consideramos que seria importante a realização de seminário nacional, com a participação de pesquisadores internacionais da área que tem contribuído para a discussão para além dos interesses comerciais dos três gigantes – ReedElsevier, Thomson-Reuters e Google – que no momento controlam a produção de tais indicadores. Acreditamos ser necessária, por exemplo, a inclusão de outros indicadores de uso – como acessos a artigos – dada a característica por diversas vezes reiterada de termos nos profissionais do SUS uma importante clientela, que enriquece sua prática a partir da leitura de nossos artigos, sem que sejam publicadores na sua maioria, não gerando, portanto, citações.

Por fim, gostaríamos que fosse incluída na pauta de discussões a questão da integridade na pesquisa, abordada de forma tímida nos novos critérios da coleção SciELO, que se referem apenas à utilização de softwares de detecção de plágio. Iniciamos gestões para tentar uma filiação em bloco ao Committee on Publication Ethics (COPE), com intermediação da Abrasco, passo que consideramos de fundamental importância na qualificação de nossas revistas.

Em suma, acreditamos que estamos todos de acordo com a necessidade de valorização e incremento da visibilidade da produção científica nacional, ainda que discordemos em alguns detalhes, que gostaríamos que fossem objeto de continuada negociação, pautada pelos nossos objetivos comuns e no respeito mútuo.

Goiânia, 28 de Julho de 2015
Referências:

ANDRUS, J. K.; BENJAMIN, G. C.; WILSON, J. Expanding access to Spanish-speaking communities: a critical partnership. American journal of public health, v. 104, p. S195–9, 2014

MERTON, R. K. The Matthew effect in science. Science, v. 159, n. 3810, p. 56–63, 1968.

PACKER, A. L. Indicadores de centralidade nacional da pesquisa comunicada pelos periódicos de Saúde Coletiva editados no Brasil. Ciênc. saúde coletiva, v. 20, n. 7, p. 1983–1995, 2015.

VESSURI, H.; GUÉDON, J.-C.; CETTO, A. M. Excellence or quality? Impact of the current competition regime on science and scientific publishing in Latin America and its implications for development. Current Sociology, p. 0011392113512839, 2013.

Fórum de Editores de Saúde Pública se reunirá no Abrascão 2015

A definição de novas regras para a participação da Coleção SciELO, divulgadas em novembro do ano passado, mobilizou parte expressiva dos editores das publicações científicas do campo da Saúde Coletiva a se organizarem no intuito de melhor se articularem política e cientificamente para ter voz qualificada neste e em outros debates acerca do tema. Nesse sentifo, foi organizado o Fórum de Editores de Saúde Pública, que realizará novo encontro durante as atividades pré-congressuais do 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, o Abrascão 2015.

O objetivo do encontro é construir uma primeira avaliação das repercussões das novas regras e desenvolver estratégias comuns para dar conta das novas exigências, sempre visando o fortalecimento e a sustentabilidade das revistas nacionais de Saúde Coletiva, patrimônio coletivo do campo e principal canal de diálogo da nossa comunidade científica.

Leopoldo Antunes, editor da Revista de Saúde Pública e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), adianta como será a dinâmica da reunião. “Nós, coordenadores, apresentaremos as mudanças recentes que vêm sendo implantadas no processo editorial de nossas revistas em função dos novos critérios propugnados pela SciELO. Em seguida, abriremos o debate para que as demais revistas também se posicionem”. O Fórum de Editores é coordenado por um grupo de editores de cinco revistas. Além de Antunes, fazem parte da coordenação os seguintes pesquisadores-editores: Romeu Gomes (Ciência & Saúde Coletiva); Cláudia Medina Coeli (Cadernos de Saúde Pública); Kenneth Camargo (Physis), e Márcia Furquim (Revista Brasileira de Epidemiologia – RBE).

Para Kenneth Camargo, professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/Uerj), o principal encontro científico da Saúde Coletiva brasileira é um momento privilegiado para uma visão geral da produção do campo e para o debate dos rumos da produção científica da área.

“Os congressos de todas as áreas da ciência vêm incluindo atividades para a discussão da produção científica, o que também ocorrerá no Abrascão. Isso tem permitido uma disseminação geral de perspectivas mais críticas sobre a pesquisa e disseminação de seus resultados. Esperamos que nosso encontro venha a fortalecer a publicação científica em Saúde Coletiva e seus veículos nacionais”.

Reunião Fórum de Editores de Saúde Coletiva
Terça-feira, 28 de julho, das 14h às 16h
Sala Baru- 304

Abel Packer reúne-se com Fórum de Editores de Saúde Coletiva

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Realizada em 6 de março na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), em continuidade as reuniões anteriores do Fórum e Editores  de Saúde Coletiva, os editores científicos presentes tiveram um encontro com Abel Packer, Coordenador do Programa SciELO / FAPESP (Scientific Electronic Library Online). O encontro marcou a retomada do diálogo do sistema de publicações científicas com as revistas da área, que questionam os métodos recém adotados de pontuação e de qualificação da produção científica. Foi o quarto encontro do novo coletivo dedicado a pensar as ferramentas e as metodologias da produção científica na área.

Após a rodada de apresentação, Packer discorreu sobre a proposta dos novos critérios de dimensionamento dos diversos periódicos do SciELO. Lembrou que vários fatores contribuíram para a criação desses critérios, formulados por decisão do Conselho Consultivo do Programa, e que tiveram como princípio adequar a ferramenta à percepção da realidade dos periódicos brasileiros, bem como tentar oferecer aos editores o desempenho editorial que esperam da plataforma eletrônica. A cada vez maior necessidade de  indicadores e a grande demanda de inserção de periódicos na base contribuíram para a atual proposta. Segundo o coordenador, são recusadas, por diferentes razões, entre 80% e 90% das solicitações de inclusão de novos periódicos na base.

O coordenador do SciELO sintetizou os novos critérios para credenciamento e permanência dos periódicos na base eletrônica a partir de três pontos: profissionalização, internacionalização e sustentabilidade dos periódicos. Seguir procedimentos já padronizados para editoração científica, como a preparação de arquivos no formato XLM, a obtenção do DOI (Digital Object Identifier)e a adoção de sistemas online de submissão são os pilares centrais do que o programa vem entendendo como profissionalização. No quesito sustentabilidade, Packer reforçou a importância dos periódicos garantirem fontes estáveis de financiamento, para não pôr em risco a continuidade nem a periodicidade dos títulos.  Sobre os critérios de internacionalização, esclareceu que, num primeiro momento – de 2015 a 2016, a avaliação será feita sim por área de conhecimento, e não por periódico. Sob as formas de comunicação com o Programa, ele limitou-se a reforçar a representação de área e o blog do SciELO.

Após a exposição, diversas falas dos editores pontuaram a história do SciELO, sua relação com os periódicos e com a BIREME, e a importância de novas metodologias e ferramentas de avaliação para contemplar a singularidade das publicações da Saúde Coletiva. Ao final, foi decidida a organização de um seminário do Fórum de Editores  de Saúde Coletiva com a perspectiva de formular melhor diagnóstico da situação da área e de se estudar a possibilidade de discussão de novos critérios.

Para o professor José Leopoldo Antunes, Editor Associado da Revista de Saúde Pública, publicada pela FSP/USP, “apesar das diferenças de opinião, toda a reunião transcorreu com cordialidade, sinalizando a possibilidade de uma comunicação mais eficiente entre Fórum e o SciELO no futuro próximo”.

Carlos Silva, secretário-executivo da Abrasco, acompanhou a reunião. Ao tomar a palavra, fez uma saudação aos presentes em nome do professor Luis Eugenio de Souza, presidente da Associação. Ele também achou o encontro muito bom e marcou, em sua fala, o importante avanço das negociações e no diálogo entre editores e o SciELO, que teve como desdobramento a proposta de realização do seminário. “Abraçamos essa ideia com o Fórum de Editores e o SciELO como forma de abrir espaço para a revisão das ideias sobre o processo de produção científica e o amadurecimento do debate sobre os novos indicadores propostos pela plataforma eletrônica”. A definição de datas e a composição final do comitê executivo para coordenação da atividade serão debatidos em reunião futura, ainda não agendada.