Com Guimarães Rosa, começa a construção do 8º Simbravisa

Guimarães Rosa é inspiração do 8º Simbravisa | Foto: Reprodução da Internet

Os sertões mineiros foram desvendados por João Guimarães Rosa, médico, embaixador e literário, de maneira sublime. Guimarães perpetuou em sua escrita as trilhas – veredas – do interior do país e, agora, é a figura artística homenageada pelo 8º Simpósio Brasileiro de Vigilância Sanitária – Simbravisa, que acontecerá em novembro de 2019, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. A partir de um mergulho dos organizadores na obra do escritor, surgiu a reflexão sobre a trajetória da Vigilância Sanitária nos 30 anos de Constituição Federal e o tema que regerá o encontro: “Crise da democracia: caminhos e descaminhos da saúde e vigilância sanitária”.

A professora Ana Cristina Souto (ISC-UFBA), coordenadora do Grupo Temático Vigilância Sanitária, o GTVisa da Abrasco, e presidente do Simpósio, explicou como o temário está sendo construído: “Decidimos a partir de muito debate. Democracia está em destaque por conta do momento que estamos vivendo e a implicação desta crise, que está produzindo uma perda expressiva dos direitos. Temos estudado a obra de Guimarães, e ele trata os sertões, as profundezas, os caminhos, as idas, entradas. Isto também nos levou a pensar a ideia de caminho. E descaminho é reflexo desta crise. Todo um conjunto que nos levou a fazer essa analogia dos caminhos roseanos, abrir e pensar os sertões, esta profundidade – e um pouco também do que é a vigilância e a saúde, essa coisa tão complexa, mas que tem um caminhar nos últimos 30 anos, tão importante” explica Ana Souto.

No último Simbravisa o artista homenageado foi Carybé, pintor argentino erradicado na Bahia.

Minas Gerais e a Vigilância Sanitária

O 8º Simpósio Brasileiro de Vigilância Sanitária já é articulado regionalmente há algum tempo. Rilke Novato Públio, Superintendente Estadual de Vigilância Sanitária (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais – SES/MG) e coordenador da comissão organizadora local, contou que Minas sempre quis sediar este evento da Abrasco. Ainda em Salvador, local do último simpósio, a tarefa foi assumida com bastante convicção por diferentes frentes da delegação – de servidores técnicos a representantes da SES/MG, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS/BH) e do Conselho Municipal de Sáude (CMS/BH) da cidade sede.

Para que Belo Horizonte fosse a cidade escolhida – concorria com Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul –  houve avaliação da candidatura pelo GT Visa e Secretaria Executiva da Abrasco, que consideraram logística, vinculação com as universidades e serviços locais, calendário, dentre outros aspectos. Mas, ainda segundo Rilke, já existia bastante encorajamento: “Havia também um clima bem incentivador de todas as ‘visas’ dos quatro cantos do país para que Minas sediasse o 8º Simbravisa. Assim, lá mesmo, ‘dali’ de Salvador, batemos o martelo e aceitamos o desafio”.

Tanto Ana Cristina quanto Rilke pontuam a frutífera articulação entre o GT Visa e diversas instituições públicas, acadêmicas e de serviço, em especial as secretarias de saúde, Anvisa e instituições de ensino e pesquisa –  além de conselhos de saúde, nacional e locais. A professora levanta que já estão dialogando com CONASS e CONASENS, importantes atores, e com o município de Belo Horizonte e o estado de Minas Gerais: “Um desempenho muito significativo das comissões organizadoras – que são formadas pelos técnicos da vigilância, tanto municipal quanto estadual. Nosso GT cada vez mais se amplia, é colaborativo, zeloso pelo Simbravisa, trabalhamos muito, discutimos muito. Passamos muito tempo discutindo, mas quando decidimos é tudo acordado – estamos aperfeiçoando a cada simpósio”.

Rilke complementa nomeando algumas das principais organizações envolvidas: “A grande parceira local nesta empreitada é a SMS/BH. Mas contamos também com a Anvisa,  a Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP/MG); o Instituto René Rachou – que é a Fiocruz Minas; a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); o Conselho Estadual de Saúde (CES/MG), o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado de Minas Gerais (COSEMS/MG)  e o já mencionado o CMS/BH. Ainda nos uniremos com a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), a SMS/Betim, a SMS/Contagem e outras entidades ainda a serem contatadas”.

Próximos passos

Depois de decidido o tema, no último encontro do grupo durante o Pré-Abrascão 2018, cabe à comissão cultural dar andamento na identidade visual – e cabe à comissão científica sedimentar a programação. O primeiro grupo segue por Cordisburgo, cidade de Guimarães Rosa, buscando inspiração para a arte em bordadeiras. Já o segundo, planeja e arquiteta os eixos temáticos do evento – como será a estrutura para selecionar painéis, mesas redondas, rodas de conversa e roda Visa , espaço tradicional dos encontros de Vigilância Sanitária, além de elaborar o processo de submissão de trabalhos.

Luiz Quitério (Vigilância Sanitária – Santos SP), coordenador da Comissão Científica, relembra como se organizam as apresentações de trabalho no Simbravisa, considerando que a Vigilância Sanitária é uma das áreas temáticas da Saúde Pública que mais apresenta a interface academia-serviço: “A maioria  são relatos de experiências, agrupados e discutidos nas salas de Discussões Temáticas, marca registrada do evento desde a sua 3a edição. Entretanto, há uma tendência crescente de resumos com características de trabalhos científicos, provenientes tanto da academia como dos serviços. Por essa razão, desde o 6º Simbravisa (Porto Alegre-2013), abrimos um espaço para Comunicações Coordenadas, que é mais adequada para a expressão desses trabalhos”.

A previsão é de que as inscrições abram em dezembro ou janeiro.

Expectativas

Para Rilke, a crise político-econômica que assola o país não anulará a potência da reunião: “Estamos confiantes de que teremos grande participação, só em Minas temos 853 VISAs municipais que terão interesse em marcar presença, contribuírem e desfrutarem da riqueza e grandiosidade . Minas fará de tudo para que o 8º Simbravisa seja marcante para cada um dos participantes. Belo Horizonte aguarda todo mundo”.

Ana Cristina Souto também é otimista: “Apesar dos medos, das inseguranças políticas estamos certos que faremos um simpósio com muito posicionamento, a Abrasco tem se posicionado muito corretamente frente às questões nacionais e em especial, aquelas que afetam a saúde.  No caso da Vigilância Sanitária são muitas questões que nos afetam diretamente – mercado, produtos, tudo isso nos diz respeito. São objetos muito caros à nossa prática profissional, científica e política. Será certamente, um bom encontro, mesmo com as dificuldades políticas que estamos vivendo. O próximo Simbravisa será certamente, mais um momento de resistência e de luta.

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