“Sem democracia nem direitos não há saúde, tampouco a VISA que desejamos”

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É com muita honra e imensa alegria que venho, em nome do Grupo Temático Vigilância Sanitária da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, recebê-los para nosso Oitavo Simpósio Brasileiro de Vigilância Sanitária – 8º Simbravisa.

Cumprimento a todos os componentes da mesa, em nome da presidente da Abrasco, Gulnar Azevedo e Silva, aos quais agradeço por nos honrar com suas presenças. Agradecemos e saudamos a cada um de vocês: trabalhadores da vigilância sanitária e da saúde coletiva; professores, pesquisadores, estudantes, movimentos sociais, aqui representados pelo Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB. Sejam muito bem-vindos. Este simpósio fizemos para vocês.

Primeiramente gostaria de destacar que a escolha do tema deste Simbravisa Democracia e Saúde: caminhos e descaminhos da vigilância sanitária” corresponde à decisão daqueles que construíram este Simbravisa, de marcar a importância da democracia para a saúde. Entendemos que sem democracia e sem direitos não há saúde, tampouco a vigilância sanitária que desejamos.

A partir dessa afirmação buscaremos percorrer caminhos e descaminhos da vigilância sanitária, inspirados nas obras do nosso homenageado, Guimarães Rosa.

Convocamos todos para nos próximos três dias adentarmos e analisarmos  os caminhos e o descaminhos da vigilância sanitária, da saúde coletiva e do SUS nesses últimos trinta anos, acompanhados pelo nosso homenageado, que percorreu sertões, encontrou veredas que precisaram compreendidas para serem percorridas. Essa tarefa é necessária nesse contexto de ameaças e retrocessos.

Momentos de crise são capazes de produzir respostas criativas e nossa programação cientifica reflete essa criatividade. As atividades do primeiro dia do evento foram elaboradas com o propósito de analisar os descaminhos da vigilância sanitária, representados por grandes problemas e tragédias.

Nos dias seguintes, o evento assume um formato tradicional aos anteriores. Mas certamente continuará com riquezas de temas, discussões e debates. Todas essas discussões necessitarão da compreensão do que estamos vivendo no presente, no sentido de encontrar caminhos alternativos aos que têm se apresentado nos últimos tempos para a saúde coletiva, a vigilância sanitária e a sociedade brasileira.

Assim, esperamos que este Simbravisa seja especial como todos os anteriores, mas certamente será marcado como o Simbravisa da Resistência e do enfrentamento a esses problemas, as ameaças à democracia e aos direitos. Não podemos aceitar nenhum direito a menos aos que já conquistamos.

A preparação deste Simpósio foi certamente uma das mais desafiadoras para o GTVISA e a Abrasco. Durante esse processo, fomos atingidos com fortes ameaças, em especial a partir dos resultados da última eleição presidencial. Desde a sua posse, o governo atual ameaça a nossa frágil democracia e nossos direitos sociais, ameaça expressada em inúmeras PECs entre outros instrumentos jurídicos, que de forma desastrosa atingem nossas conquistas sociais. Ataques ao SUS, às universidades públicas, aos trabalhadores, enfim aos diretos sociais. Mas essas adversidades produziram momentos importantes de debates e reflexões na construção deste 8º Simbravisa, e certamente continuará produzindo nesses próximos dias. Este será o Simbravisa da resistência.     

Resistiremos à privatização da saúde, resistiremos ao desfinanciamento da saúde, resistiremos aos ataques ao modelo de organização dos serviços de saúde que tem na atenção básica como porta de entrada e vem produzindo inúmeros avanços. Resistimos à Anvisa, que negou o patrocínio que mantinha desde a primeira edição desse Simpósio. Esse posicionamento político-institucional da Anvisa nos leva a perguntar: Quais as razões de que esta instituição, coordenadora do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, negue apoio ao mais importante evento cientifico da área, que a cada edição aumenta o número de trabalhos científicos de qualidade acadêmica e técnica? E qual também o motivo que da sua recusa em participar desta cerimônia de abertura?

Mas esta noite é também para festejar e agradecer. Nesse sentido, gostaríamos de agradecer à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais pelo apoio de seus técnicos e pelo patrocínio. Também à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, pelo importante patrocínio e à Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte pelo apoio. À diretoria e à Secretaria-Executiva da Abrasco e às companheiras e companheiros do GTVISA; todos essenciais para a realização deste 8º Simbravisa que agora se inicia nesta acolhedora cidade de Belo Horizonte.

E, para finalizar, me despeço, com o nosso homenageado Guimarães Rosa em um trecho de Grande Sertão: veredas no qual  Riobaldo fala a Diadorim: “Tivesse medo? O medo da confusão das coisas, no mover desses futuros, que tudo é desordem. E, enquanto estiver no mundo um vivente medroso, todos perigam.”

Não tenhamos medo, resistamos! Que seja essa a palavra de ordem deste Simbravisa.

Obrigada!

* Ana Cristina Souto é docente do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA) e presidente do 8º Simbravisa.

Assista ao discurso na íntegra:

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