CONASS Debate discutirá o predomínio das condições crônicas dos sistemas de saúde, no Brasil e no mundo


Uma crise está instalada nos setores públicos e privados de saúde em todo o mundo, desencadeada por transições que se alastram rapidamente, alterando a situação de saúde tanto de países ricos quanto dos em desenvolvimento.

As transições demográficas, tecnológicas, epidemiológicas e nutricionais, vivenciadas por países da Europa, Estados Unidos, Canadá e Brasil, não podem ser cessadas. Faz-se necessário, portanto, promover mudanças rápidas no modelo de atenção para que ele seja coerente com a conjuntura da saúde predominante no país.

No Brasil, até a metade do século passado, 40% a 45% das mortes eram causadas por doenças infecciosas. Hoje, esse número é de apenas 4%, o que significa que o modelo de atenção, implantado quando predominavam essas doenças, foi bem sucedido.

Acontece que esse modelo não conseguiu acompanhar a velocidade destas transições, ocasionando o descompasso entre as condições de saúde das populações e a capacidade de enfrentamento dessas situações pelos respectivos sistemas de saúde.

No Brasil, essa situação é agravada tendo em vista a tripla carga de doenças: a predominância das doenças crônicas e a presença ainda importante das doenças infecciosas, somadas às causas externas, que representam o terceiro maior fator de morbimortalidade no país.

 

Como resolver essa crise?

 

Após muita pesquisa, um grupo de estudiosos desenvolveu, no final dos anos 90, um modelo de atenção à saúde que tem sido aplicado em países desenvolvidos e em quase todos os países europeus. Várias evidências apontam que quando esse modelo é aplicado há um melhor enfrentamento das condições crônicas.

No entanto, para que ele funcione é preciso estabilizar as condições crônicas, controlando, por exemplo, a glicemia do diabético e a pressão arterial do hipertenso, tarefa impossível para o modelo agudo vigente – de emergências, internações hospitalares e pronto-atendimento –, levando o sistema a falhas que seriam evitáveis se a atenção à saúde fosse dada devidamente de acordo com as condições reais de saúde da população.

Esse modelo propõe a introdução e o fortalecimento de práticas mais coletivas, contínuas e interdisciplinares, como o autocuidado apoiado e cuidado compartilhado, nos quais uma equipe formada por diversos profissionais de saúde incentiva e ajuda o paciente a promover e qualificar o cuidado consigo mesmo. Sugere ainda a implantação de prontuários clínicos informatizados, assim como de outros fatores de organização da atenção.

 

CONASS Debate

 

É a respeito deste modelo de atenção que um dos convidados para a terceira edição do projeto CONASS Debate irá falar. Rafael Bengoa, assessor do programa Obamacare, já foi ministro da Saúde do país Vasco, onde o modelo de atenção às condições crônicas foi implantado com sucesso, já integrou a Organização Mundial da Saúde (OMS) e tem vasta experiência acadêmica.

Além de Bengoa, estão confirmadas as participações de Luiz Facchini, da Universidade de Pelotas (ex-presidente da Abrasco); de Claunara Schilling Mendonca, da Universidade do Rio Grande do Sul (ex-diretora de Atenção Básica do Ministério da Saúde); de Luiz Fernando Rolim Sampaio, da Unimed Belo Horizonte (ex-consultor do Departamento de Medicina de Família e Comunidade da Universidade de Toronto); de Frederico Guanais, da Divisão de Proteção Social e Saúde do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); e do coordenador técnico do projeto CONASS Debate, Eugênio Vilaça Mendes.

É esperado um público de aproximadamente 300 pessoas no evento promovido pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) que acontecerá no dia 13 de maio de 2014, em Brasília. O seminário CONASS Debate – A crise contemporânea dos sistemas de saúde será transmitido ao vivo, pelo site oficial do evento e pelo Canal Saúde.

 

Programação

 

9h00 – Abertura

– Wilson Duarte Alecrim – presidente do CONASS

– Antônio Carlos Nardi – presidente do Conasems

– Maria do Socorro de Souza – presidente do Conselho Nacional de Saúde

– Arthur Chioro – ministro de Estado da Saúde

– Joaquim Molina – representante da Opas/OMS

 

10h30 – Conferência de Abertura

– Rafael Bengoa – assessor do programa Obamacare, foi diretor de Gestão de Condições Crônicas e diretor de Políticas do Sistema de Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), e ex-ministro da Saúde do país Vasco

 

11h30 – Contextualização do tema

– Eugênio Vilaça Mendes – gerente técnico do projeto CONASS Debate

 

12h00 – Almoço

 

13h30 – Exposições

– Luiz Facchini, professor do Departamento de Medicina Social e dos Programas de Pós-Graduação em Epidemiologia e em Enfermagem da Universidade Federal de Pelotas, pós-doutorado em Saúde Internacional, e ex-presidente da Abrasco

– Claunara Schilling Mendonca, professora de Medicina de Família no Departamento de Medicina Social da Universidade do Rio Grande do Sul, Medica de Família e Comunidade do Grupo Hospitalar Conceição, e ex-diretora de Atenção Básica do Ministério da Saúde

– Luiz Fernando Rolim Sampaio, chefe do Escritório de Serviços de Saúde da Unimed Belo Horizonte, foi diretor de Atenção Básica do Ministério da Saúde, consultor do Departamento de Medicina de Família e Comunidade da Universidade de Toronto, e assessor técnico do CONASS

– Frederico Guanais – PhD, especialista Líder em Saúde da Divisão de Proteção Social e Saúde do Banco Interamericano de Desenvolvimento

Coordenação

– Renilson Rehem – gerente do projeto CONASS Debate

 

15h30 – Debate com a plateia, internautas e expositores

Mediação

– Renato Farias – Canal Saúde/Fiocruz

 

17h00 – Encerramento

 

Acesse aqui o site do evento.

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Um comentário sobre “CONASS Debate discutirá o predomínio das condições crônicas dos sistemas de saúde, no Brasil e no mundo

  1. 1.É quase certo que os debatedores do “predomínio das condições crônicas dos sistemas de saúde” – o farão a partir de dados fragmentados e heterogêneos que não explicitam o setor de saúde sistemicamente equalizado, articulado e contextualizado. Logo não poderão convergir para solução de eliminação dos problemas estruturais do setor de saúde ou gargalos técnicos, operacionais, administrativos, econômicos e financeiros.
    2.Por isso, recomendo a leitura do livro “Saúde da Saúde do Brasil com Suas Verdades Convenientes nas Ofertas e Demandas”.
    3.Trata-se de livro que internaliza os dados oficiais do período 2000-2013 – devidamente equalizados, articulados e contextualizados sistemicamente. A partir daí, têm-se os diálogos numerológicos entre as lideranças do setor de saúde e dos demais setores da sociedade – que culmina com proposta de solução sistêmica e definitiva para o SUS.

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