Sistema de prevenção de desastres naturais em escala mundial foi apresentado no Rio de Janeiro


A previsão de desastres naturais – como tsunamis, furacões e enchentes -, e de grandes mudanças climáticas e ambientais – que podem causar a explosão de doenças – vai ganhar um novo aliado num esforço multinacional que envolve cientistas e governos de 60 países. Chamado de Sistema dos Sistemas de Observação Global da Terra (GEOSS – sigla em Inglês), o projeto de monitoramento contará com mais de mil pontos de coleta de dados espalhados pelo planeta e espaço, como satélites, boias, sismômetros, sensores e outros dispositivos. Estes equipamentos ajudarão a prever com precisão a ocorrência de desastres naturais, em um espaço de tempo variando de um a seis meses. O sistema foi apresentando no último dia 22 de agosto, pelo representante do Ministério da Saúde dos EUA e Vice-Almirante Naval, Conrad C. Lautenbacher  durante o 11ª Congresso Mundial de Saúde Pública, no Rio de Janeiro.

O Brasil é um dos países coordenadores do novo sistema, uma espécie de Big Brother do planeta Terra. Os dados coletados em tempo real, 24 horas por dia, pelas mil bases serão enviados a satélites e, daí, a potentes computadores que os transformarão em previsões e alertas de perigo iminente.

O objetivo é que países de todo mundo possam tomar decisões rápidas para evitar ou diminuir os impactos das tragédias naturais, conservar espécies animais e vegetais, apoiar a agricultura sustentável e atuar contra desastres químicos e nucleares, entre vários outros benefícios. Quando o sistema estiver em operação, os dados coletados e os boletins de alertas serão encaminhados em tempo real a diferentes segmentos responsáveis por tomar decisões, como profissionais de atendimento emergencial, indústrias, cientistas, mídia e o público em geral.

Entre 1990 e 1999, desastres naturais mataram 500 mil pessoas e causaram US$750 bilhões em danos no mundo. O furacão Katrina e as tsunamis que mataram milhares por afogamento e pelas doenças que surgiram com o alagamento das regiões atingidas pelas ondas gigantes são dois dos exemplos desastres naturais que causaram vários problemas de saúde pública. No Brasil, temos os exemplos anuais de enchentes em diferentes regiões.

Além dos benefícios citados, o sistema fornecerá dados para prevenção da desertificação, beneficiará colheitas de alimentos, alertará sobre problemas de escassez de água e contaminação de depósitos de recursos hídricos. A atual capacidade de monitoração do ciclo hídrico é inadequada para a previsão de mudanças de longo prazo no sistema hídrico do planeta. Segundo o Banco Mundial, 80 países, com 40% da população mundial, enfrentaram escassez de água, um percentual com expectativa de aumento, considerando-se o crescimento populacional.

A gestão e a proteção de ecossistemas terrestres, costeiros e marinhos são algumas propriedades do novo sistema, que promete trazer uma série de benefícios de ‘Big Brother’ em escala planetária.
No entendimento dos criadores do GEOSS, a transformação do clima global tem importantes conseqüências em diversas áreas, incluindo saúde humana, disponibilidade de água, segurança alimentícia e gestão energética. Uma melhor previsão (de curto prazo e sazonal), variando de um dia a seis meses, proporcionará informações essenciais para a antevisão de surtos de doenças relacionadas ao meio ambiente, para a melhoria do preparo no caso de furacões e de outros perigos meteorológicos extremos e para a otimização da gestão de recursos energéticos

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